MORTIFICAÇÃO
Ryâzat significa domar um quadrúpede, impedindo-o dos movimentos indesejáveis que ele gostaria de fazer; significa torná-lo obediente ao seu mestre no que este se propõe. Na mística, o que se entende por ryâzat é que a alma animal é impedida de obedecer e ceder à concupiscência, à ira e às suas consequências; é também que a alma racional seja impedida de obedecer às energias animais, às vilanias dos costumes e dos atos (por exemplo, acumular dinheiro, correr atrás de dignidades) e a tudo o que se lhes relaciona: astúcia, engano, fraude, calúnia, parcialidade, malícia, ódio, devassidão — em suma, a tudo o que é mal e pecado, e a tudo o que daí provém; é ainda habituar a alma humana a obedecer e a agir de uma forma que a conduza ao aperfeiçoamento de que é capaz. Chama-se bestial a alma que obedece à concupiscência, selvagem aquela que cede à ira, demoníaca aquela que se submete às vilanias dos costumes: tudo isso é a alma concupiscente, ou seja, que aspira ao mal, se essas vilanias estiverem enraizadas nela. No caso contrário, se ela se inclina ora para o mal, ora para o bem, e se, ao inclinar-se para o bem, se arrepende de ter cometido o mal e se repreende a si mesma, chama-se a ela alma arrependida. Quanto à alma que se submete à razão e se dedica à busca do bem, chama-se a ela alma serena. A mortificação tem um triplo objetivo: afastar as distrações externas e internas que impedem de alcançar Deus, submeter a alma animal à razão prática que a impele a buscar a perfeição, habituar a alma humana a manter-se naquilo que a prepara para receber a graça divina, de modo que alcance todo o aperfeiçoamento possível. (Nacîr-od-Dîn Tousi, Awçaf, ed. Teerã, 1306/1928, 4ª seção.)
