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RENÚNCIA

TUSI

A renúncia é a ausência de desejo. O asceta é aquele que não se apega ao que depende deste mundo inferior — por exemplo, os alimentos, as bebidas, as vestes, as habitações e outras coisas desejáveis e deleitáveis: dinheiro, dignidades, renome, favor dos príncipes, autoridade efetiva, realização de todo objeto do qual a morte pode separar — e isto nem por fraqueza, nem por ignorância, nem por segunda intenção, nem na esperança de uma recompensa. Todo ser humano que assim se conduz é asceta. Mas o verdadeiro asceta é aquele que, em sua renúncia, não aspira nem à libertação do castigo infernal nem à recompensa do paraíso; e, além disso, a aversão a todos os bens que foram enumerados, mesmo após haver reconhecido as vantagens e as consequências de cada um, torna-se-lhe um hábito. Não é tocado nem por um desejo, nem por uma esperança, nem por uma segunda intenção, quer se trate deste mundo ou do além. Concede preponderância a esse estado de alma ao refrear a busca das coisas desejáveis e ao mortificar-se por meio de trabalhos penosos.

Nos relatos relativos aos ascetas, lê-se que, durante trinta anos, um homem vendeu cabeças de carneiro cozidas e pâloudeh sem jamais delas provar. Perguntou-se-lhe a causa dessa mortificação. “Um dia, respondeu ele, minha alma sentiu o desejo desses dois alimentos; eu a castiguei mantendo-a continuamente junto a esses dois alimentos reunidos, e ao mesmo tempo proibindo-a de realizar seu desejo, a fim de que perdesse a inclinação por qualquer outra coisa desejável.”

Aquele que neste mundo se mostra abstinente em vista de sua salvação ou de uma recompensa no outro mundo assemelha-se àquele que, por vileza natural e por aspiração baixa, não come durante vários dias, embora tenha grande necessidade disso, pensando que poderá saciar-se de alimento em um festim que espera; ou ainda assemelha-se àquele que faz comércio de uma mercadoria porque dela tirará proveito. Quando se segue a via de Deus, o ascetismo tem por vantagem afastar as distrações, de modo que o peregrino não seja desviado por nada, nem impedido de alcançar o objetivo. (Nacir-od-Din Tousi, Awsaf, ed. Teerã, 1306/1928, 2º cap.; 2ª seção.)

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