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3 Demonização do Cosmos

Demonização e Dualismo

  • A escatologia celeste substitui em geral a escatologia ctônica, mas não de modo exclusivo, pois o inferno subterrâneo continuará a desempenhar papel importante ao lado do inferno celeste, e as divindades telúricas dos mistérios se “uranizam” – Perséfone, Cibele e Átis –, embora o Hades subterrâneo ainda exista no século VI, quando Damáscio sonha ser transformado em Átis nas entranhas da terra, e a iniciação noturna de Lúcio nos mistérios de Ísis, descrita por Apuleio, inclua descida ao Hades e posterior ascensão ao céu após purificação pelos elementos.
    • Perséfone, Cibele e Átis sofrem processo de uranização.
    • Átis torna-se divindade solar.
    • Damáscio, no século VI, ainda situa o Hades sob a terra.
    • Apuleio descreve a iniciação de Lúcio como descida ao Hades seguida de ascensão ao céu pela purificação pelos elementos.
    • Osíris e Serápis, divindades dos mistérios ctônicos, transformam-se em deuses celestes.
    • Em alguns casos, a passagem das divindades místicas para o plano uraniano ou hiperuraniano deve-se a influência judaica.
  • A tradição do inferno subterrâneo perde credibilidade e provoca abundância de interpretações alegóricas, sendo Virgílio o exemplo paradigmático de quem mantém o cenário convencional mas o subverte ao falar de purificação, ascensão e transmigração das almas, com o inferno localizado na atmosfera e a alma purgada nas zonas do ar, da água pluvial e do fogo.
    • Virgílio conserva a geografia convencional do reino das sombras, mas destrói a validade dessas representações.
    • O inferno aéreo é localizado ora na parte mais baixa da atmosfera, habitada por demônios maus, ora em toda a zona sublunar.
    • A alma celeste, alvoraçada pelo peso de seus pecados, torna-se presa dos ventos.
    • A Lua adquire papel fundamental: nela ocorre a cisão entre razão (noûs) e alma (psyché), que se dissolve lentamente no reino de Perséfone.
    • O Estige se estende desde a esfera lunar até a terra ou até o mais profundo do Tártaro.
    • A Lua absorve as almas purificadas e repele as que ainda não merecem acesso à existência celeste.
  • Teorias consideradas “aberrantes” por Cumont, mas de enorme importância a partir do século I d.C., situam a morada dos justos acima da esfera das estrelas fixas e estendem até lá as provas purificatórias das almas, queimadas pelo fogo do sol e lavadas pelas águas da Lua, ou obrigadas a atravessar os círculos planetários entre os quais se distribuem os quatro elementos.
    • Essas teorias ganham enorme importância a partir do século I d.C.
    • As almas são queimadas pelos fogos do sol e lavadas pelas águas da Lua, ou atravessam os círculos planetários onde se distribuem os quatro elementos.
  • A literatura apocalíptica judaica e judaico-cristã oscila entre a crença no inferno subterrâneo e a crença no inferno uraniano, com o Henoc etíope (século II a.C.) situando os mortos na terra e no mundo inferior, enquanto outro apócrifo localiza o inferno na terra, reservada aos pagãos, e o éter sagrado a Israel.
    • O Henoc etíope situa os mortos na terra, no mundo inferior e no inferno, incluindo os Justos e os Santos.
    • Outro apócrifo descreve a vitória de Israel sobre Roma, a punição dos pagãos e a destruição dos ídolos.
    • Nesse apócrifo, como em Fílon, o inferno está situado na terra, onde viverão os pagãos, enquanto Israel habitará o éter sagrado.
  • No primeiro Henoc, o patriarca visionário, guiado pelo arcanjo Uriel, vê sete estrelas como montanhas ardentes num deserto horrível, que Uriel identifica como as sete estrelas que desobedeceram às ordens divinas e deverão expiar sua falta por dez mil anos, enquanto outro capítulo descreve sete montanhas de metal que se fundirão diante do Messias.
    • Uriel, numa das listas angelológicas do apócrifo, cuida do mundo humano e do Tártaro; em outro trecho, vigia as sete estrelas que pecaram e a prisão dos anjos.
    • As sete estrelas são punidas por não terem obedecido às ordens divinas e não terem aparecido nos prazos prescritos.
    • A pena é de dez mil anos.
    • As sete montanhas de metal se fundirão como cera diante do Messias.
  • O Henoc eslavo (século I d.C.) apresenta uma estrutura escatológica complexa com inferno subterrâneo, inferno ao norte do terceiro céu, lugar de punição no segundo céu para anjos decaídos e outro no quinto céu, sendo o inferno do terceiro céu desprovido de luz, com chamas sombrias e anjos que perfuram os pecadores com suas armas.
    • O inferno subterrâneo coexiste com infernos celestes em diferentes níveis.
    • O segundo céu abriga os anjos decaídos que aguardam o Julgamento.
    • O inferno do terceiro céu é completamente privado de luz, mesmo as chamas são sombrias.
    • Os pecadores são submetidos a sucessões de fogo e gelo e perfurados por anjos com armas.
  • A Apocalipse grega de Pedro (século II), a Apocalipse grega de Baruc e a Apocalipse de Sofonias situam provavelmente o inferno em algum lugar nos céus, enquanto um Midrash coloca o Geinom entre as primeiras criações de Deus, com o Paraíso à direita do Senhor e o Inferno à sua esquerda.
    • A Apocalipse grega de Pedro foi descoberta em Akhmim e era conhecida antes apenas por alusões de autores eclesiásticos.
    • O apóstolo visionário é transportado a um lugar distante acima do mundo, onde contempla as alegrias do Paraíso.
    • O Midrash lista o Geinom entre as primeiras criações divinas, junto com a Torá, o Trono, o Gan 'Eden, a penitência, o Templo celeste e o nome do Messias.
  • O Midrash Kônen apresenta representações tardivas muito mais complexas, com o universo formado por sete esferas concêntricas cada uma composta de hemisfério celeste superior e hemisfério terrestre inferior, e o Geinom situado na terra Arqa com sete compartimentos julgados por anjos destruidores, numa cosmologia de possível origem babilônica que remete também à teoria grega dos dois hemisférios e ao hypogeion.
    • O céu Raqiá corresponde à terra Thabel, o céu Shehaqîm à terra Arqa, o céu Zebûl à terra Yabasha, o céu Mâ'ôn à terra Haraba, o céu Makôn à terra Adama, e o céu 'Araboth à terra inferior cercada pelo grande mar onde reside o Leviatã.
    • O Geinom, na terra Arqa, tem sete compartimentos: Sheol, Thahthith, Abaddôn, a fossa da corrupção, a lama, a porta da morte e a porta da sombra da morte.
    • Cada compartimento tem as dimensões de uma viagem a pé de quinhentos anos em comprimento, espessura e altura.
    • Bietenhard atribui origem babilônica à cosmologia subjacente, mas ela remete também à teoria grega dos dois hemisférios e ao hypogeion.
    • Os autores antigos situavam o Tártaro no hypogeion, e os deuses eram por vezes organizados em pares com correspondentes inferiores.
    • A multiplicação por sete pode remontar a representações babilônicas filtradas pelo pensamento rabínico e pelos tradicionalistas muçulmanos.
  • A partir desses dados, distinguem-se várias concepções sobre a localização do inferno – inferno nos céus, purgatório atmosférico, inferno sublunar e demonização das esferas astrais –, sendo esta última a que se tornará dominante após o século I d.C.
    • O inferno nos céus, o purgatório atmosférico e o inferno sublunar são concepções distintas que coexistem nos textos.
    • A demonização das esferas astrais torna-se dominante a partir do século I d.C.
  • Alguns textos apocalípticos descrevem a demonização do céu, com Levi contemplando no primeiro céu todas as ações culposas dos homens, e a visão de Paulo apresentando no firmamento potências do mal, anjos impiedosos de rosto colérico, príncipes do mal e espíritos de difamação, fornicação, furor e insolência.
    • Levi (Testamento dos Doze Patriarcas III, século II a.C.) contempla no primeiro céu, sombrio, todas as ações culposas dos homens.
    • A visão de Paulo descreve no firmamento o esquecimento que engana, o espírito de difamação, o espírito de fornicação, o espírito de furor, o espírito de insolência e os príncipes do mal.
    • Os anjos impiedosos têm rosto colérico, dentes protuberantes, olhos brilhantes como a estrela da manhã e emitem faíscas de fogo pelos cabelos e pela boca.
    • São anjos que não acreditaram na misericórdia do Senhor, guardados pelos anjos esplêndidos da Justiça.
  • A alma do Justo, auxiliada pelos anjos da Justiça, pelo anjo guardião e pelo Espírito, ascende sem ser retida pelas potências do mal que nela não encontram nada de consubstancial, e chega diante de Deus, sendo conduzida por Miguel ao Paraíso, enquanto a alma do ímpio, consubstancial às forças do erro e do esquecimento, é entregue ao anjo Tártaruco para ser lançada nas trevas externas até o dia do Julgamento.
    • As potências do mal deixam passar a alma do Justo por não encontrarem nela nada que lhes pertença.
    • A alma do ímpio sucumbe por sua consubstancialidade com as forças do mal.
    • Deus entrega a alma do ímpio ao anjo Tártaruco, que a lança nas trevas externas onde há choro e ranger de dentes até o dia do Julgamento.
  • Os textos sobre a demonização do céu distinguem-se em duas categorias: os que situam a punição das almas aquém do céu, preservando o prestígio deste, e os que localizam o inferno numa zona celeste isolada, sendo que os últimos textos citados introduzem a ideia judaica de luta permanente entre anjos celestes, progressão que não pode ser atribuída à influência de Héraclide, mas a um enorme revolvimento ideológico no interior do Império Romano com causas a buscar na Palestina.
    • A hipótese da origem iraniana da “demonização do cosmos”, sustentada pela religionsgeschichtliche Schule, por Cumont e por Grant, é considerada largamente superada.
    • A nova concepção do mundo que emerge no século I d.C. é ditada por um revolvimento ideológico cujas causas devem ser buscadas na Palestina.
  • Os relatos de ascensões celestes, muito frequentes na época, inspiram-se nas catabases arcaicas – a ascensão é uma descida ao inverso –, e a origem iraniana da ideia de ascensão, sustentada pela religionsgeschichtliche Schule desde Anz, é rejeitada, assim como a tipicidade iraniana do esquema cosmológico dos três céus, encontrado também na Babilônia.
    • O Irã não foi o berço da ideia de ascensão.
    • O esquema cosmológico dos três céus não é tipicamente iraniano e aparece também na Babilônia, onde catabases de deuses e heróis não excluem ascensões aos céus.
    • No século I d.C., o deslocamento do Hades para a atmosfera, a zona sublunar ou o céu torna impossível a descida às entranhas da terra.
    • Em certos casos, conservam-se os esquemas das catabases, mas trata-se agora da descida à terra de um salvator salvandus de origem uraniana e de sua subida ao céu.
    • Toda psicanodia singular seguirá o modelo desse ato soteriológico, e a alma será salva pelo conhecimento da “via” revelada pelo salvator.
  • O sistema de mundo a partir do século I d.C. é regido por uma concepção unitária que compreende toda a região abaixo das estrelas como residência do mal e dos arcontes maus, de modo que a ascensão do salvator salvandus ou do gnóstico pelas esferas demonizadas é uma descida ao inverso, pois o reino dos mortos é também buscado nas esferas astrais.
    • Toda a região abaixo das estrelas é concebida como residência do mal e dos arcontes maus.
    • A ascensão pelas esferas demonizadas equivale a uma descida ao inverso.
    • O reino dos mortos é em geral situado nas esferas astrais.
  • Um texto de Firmico Materno apresenta Cristo descendo incógnito à terra dominada pelo mal para libertar o gênero humano, vencendo a Morte e as portas do inferno, após o que sobe ao céu sendo reconhecido pelos guardiões celestes que lhe abrem as portas eternas.
    • Cristo desce incógnito à terra onde reina o mal para libertar o gênero humano dos laços da morte.
    • Vence a Morte, rompe os ferrolhos perpétuos e as portas de ferro cedem ao seu comando.
    • Ao subir ao céu, é reconhecido pelos guardiões celestes como Filho de Deus.
  • O apócrifo judaico-cristão Ascensão de Isaías (século I), mais próximo dos textos gnósticos que Firmico Materno, descreve a ascensão do profeta pelos sete céus guiado por um anjo, com o firmamento como teatro do combate das legiões demoníacas de Samaêl desde a Criação até a Parusia, e cada um dos cinco primeiros céus habitado por um anjo entronizado com tropas à direita e à esquerda, sendo os anjos da esquerda inferiores aos da direita.
    • A ascensão ocorre no vigésimo ano do reinado de Ezequias, com a ajuda de um anjo-guia.
    • Os sete céus são mundos puros de luz onde a existência das sombras é desconhecida.
    • O firmamento é teatro do combate das legiões demoníacas de Samaêl desde a Criação até a Parusia.
    • No sexto céu há o trono de Deus e o trono preparado para Isaías.
    • O sétimo céu é habitado por incontáveis anjos e pelos Justos desde Adão, com tronos e coroas que aguardam a paixão e a ascensão de Jesus Cristo.
    • Um olhar de Deus transforma Isaías em anjo.
    • Na tradição do “escritor celeste” (Henoc-Metatron), Isaías é convidado a ler nos livros do destino do mundo os eventos futuros.
  • Isaías contempla a futura ascensão de Jesus ao sétimo céu após a obra da salvação, ouve a voz do Pai que envia o Filho até os anjos do reino dos mortos mas lhe proíbe descer ao inferno, situando os mortos em dois lugares distintos – os Justos no último dos céus e os ímpios no inferno subterrâneo –, sendo “o reino dos mortos” identificado com este mundo, a terra, topos platônico reencontrado em Cícero, Sêneca e Fílon.
    • O Pai envia o Filho até os anjos do reino dos mortos, mas lhe proíbe ir ao inferno.
    • Os Justos habitam o último dos céus; os ímpios, o inferno subterrâneo.
    • O “reino dos mortos” é identificado com a própria terra, topos platônico presente em Cícero, Sêneca e Fílon.
  • A partir do quinto céu, Cristo deposita a luz da glória e se torna semelhante a cada classe inferior de anjos para não ser reconhecido, numa contradição flagrante entre a neutralidade dos anjos celestes em certos capítulos e seu caráter maligno em outros, revelando a superposição de um motivo tipicamente gnóstico sobre uma crença não dualista, sendo o escrito utilizado pelos gnósticos Arquônticos de Epifânio.
    • Cristo assume a aparência de cada classe inferior de anjos para passar incógnito.
    • O “deus de cada mundo”, se soubesse da presença de Cristo, estenderia a mão e o mataria.
    • Há contradição entre a neutralidade dos anjos em certos capítulos e seu caráter maligno em outros.
    • Um motivo tipicamente gnóstico se sobrepôs a uma crença não dualista.
    • Os gnósticos Arquônticos de Epifânio (Pan. XL 2,2) utilizavam esse escrito.
  • Jesus torna-se semelhante aos habitantes da terra, a voz de Deus ressoa até o sexto céu, e o Filho destruirá “o arconte e os anjos e os deuses que governam este mundo”, justificativa tipicamente gnóstica setiânica que alude ao orgulho aliado à ignorância do demiurgo gnóstico e de seus arcontes, devendo Jesus pronunciar a senha a cada porta dos céus e sendo a encarnação descrita segundo a doutrina doceta corrente nos meios gnósticos, com Jesus permanecendo 545 dias na terra após a ressurreição antes de subir ao sétimo céu.
    • A justificativa da destruição dos arcontes é: “Porque eles me mentiram e me disseram: Somente nós e ninguém além de nós.”
    • Essa frase alude ao orgulho e à ignorância do demiurgo gnóstico e de seus arcontes.
    • A cada porta dos céus, Jesus deve dar ao anjo guardião a senha para não ser reconhecido.
    • A encarnação é descrita segundo a doutrina doceta corrente nos meios gnósticos.
    • Após a ressurreição, Jesus permanece 545 dias na terra antes de subir ao sétimo céu.
  • O esquema da catábase-anábase do salvador entre os céus demonizados é idêntico ou quase idêntico na doutrina dos Ofitas de Ireneu, onde Sophia anuncia a vinda do éon Cristo, prepara o homem Jesus como receptáculo para a entidade pneumática Cristo, e este desce pelos sete céus assumindo a aparência dos filhos dos arcontes para esvaziá-los progressivamente de seu poder, numa descida proteiforme que garante o incógnito de Cristo tal como na Ascensão de Isaías.
    • Sophia prepara o homem Jesus para que a entidade pneumática Cristo encontre um receptáculo puro.
    • Jaldabaot é o aborto de Sophia e chefe dos arcontes maus.
    • Cristo desce pelos sete céus assemelhando-se aos filhos dos arcontes e esvaziando progressivamente seu poder.
    • A descida proteiforme garante o incógnito, como na Ascensão de Isaías.
    • A brecha aberta pelo salvator salvandus gnóstico nos céus demonizados representa o modelo da via pela qual poderá escapar a alma do adepto após a morte física.
  • Numerosos textos multiplicam os obstáculos da psicanodia, com a chamada “liturgia mitraica” fornecendo fórmulas mágicas como senhas para os guardiões das portas celestes, em quantidade muito modesta comparada aos “selos” dos escritos gnósticos (Pistis Sophia, os dois Livros de Ieû) ou da mística judaica, sendo as aventuras das almas entre os mataratas mandeanos comparativamente simples, e os textos herméticos utilizando um modelo cosmológico corrente em versão demonizada.
    • A “liturgia mitraica” fornece fórmulas mágicas como senhas para os guardiões das portas celestes.
    • Os escritos gnósticos (Pistis Sophia, os dois Livros de Ieû) contêm quantidade muito maior de “selos” (nomes e fórmulas).
    • A mística judaica também possui abundância de tais fórmulas.
    • As aventuras das almas entre os mataratas mandeanos são comparativamente simples.
    • Os textos herméticos utilizam um modelo cosmológico corrente em versão demonizada para a psicanodia.
  • O livro de Kroll (Gott und Hölle, 1932), valioso pela reunião de materiais sobre catabases e anabases arcaicas, reflete as ideias comuns da religionsgeschichtliche Schule que reencontra por toda parte crenças iranianas ou babilônico-iranizadas, ao passo que os próprios textos contradizem essa orientação unívoca, pois a catábase/anábase de uma entidade celeste ou a psicanodia repete os esquemas das descidas arcaicas aos infernos, com portas, guardiões terríveis, aduaneiros, pedágios, declarações, passaportes e senhas, despojos e revistas.
    • Kroll reúne quantidade valiosa de materiais sobre catabases e anabases arcaicas.
    • A teoria de Kroll reflete as ideias comuns da religionsgeschichtliche Schule.
    • Os textos contradizem a orientação unívoca que reencontra por toda parte crenças iranianas ou babilônico-iranizadas.
    • Os elementos recorrentes são: portas, guardiões terríveis, aduaneiros, pedágios, declarações, passaportes e senhas, despojos e revistas.
  • Não é necessário concluir por influências orientais, pois a escatologia celeste pôde se formar na Grécia independentemente do Oriente a partir de uma herança arcaica, e os motivos da psicanodia parecem ter-se desenvolvido a partir das catabases arcaicas, dos ensinamentos dos mistérios e das doutrinas dualistas órfico-pitagóricas combinadas com platonismo, estoicismo e astrologia popular, tendo essas crenças influenciado profundamente a literatura apocalíptica judaico-cristã e a mística judaica do Trono, mas o pré-dualismo judaico também deixou traços indeléveis nessas especulações, contribuindo decisivamente para a formação do dualismo gnóstico.
    • A escatologia celeste pôde se formar na Grécia independentemente do Oriente.
    • Os motivos da psicanodia derivam das catabases arcaicas, dos mistérios e das doutrinas dualistas órfico-pitagóricas combinadas com platonismo, estoicismo e astrologia popular.
    • Essas crenças influenciaram profundamente a literatura apocalíptica judaico-cristã e a mística judaica do Trono.
    • O pré-dualismo judaico deixou traços indeléveis nessas especulações e contribuiu decisivamente para a formação do dualismo gnóstico.
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