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PERCEPÇÃO DE UM OUTRO CORPO
O Duplo
- Criação e organização do universo e do homem por sete Forças primordiais emanadas do Divino
- Definição do homem como reflexo microcósmico do macrocosmo
- Apresentação do homem como portador de duas polaridades: uma inferior (ego) e outra superior (Si)
- Caracterização da polaridade inferior como limitadora e geradora de egocentrismo
- Assimilação no domínio alquímico a um fenômeno de “petrificação”
- Definição da polaridade superior como o “Si-mesmo” ou Presença divina no ser
- Inacessibilidade devido à condição humana sujeita ao tempo e à degradação
- Incompatibilidade entre a condição humana perecível e o Si-mesmo imperecível
- Existência de modalidades intermediárias entre as duas polaridades
- Expressão das sete Forças criadoras compondo o que se pode denominar “alma”
- Pressuposição da alma como um segundo corpo de natureza imaterial ou matéria sutil
- Concepção do corpo “duplo” como comum a diversas tradições
- Referência aos textos tântricos da Índia sobre a fisiologia supra-sensível: corpo físico (sthûla çarira), corpo sutil (sukshma çarira) e corpo causal (karana çarira)
- Menção à ciência sagrada do Egito antigo sobre os múltiplos aspectos da alma: ba (alma pássaro) e ka (Duplo)
- Análise do ka egípcio por H. Frankfort como “força de vida” e “gêmeo sutil” do Faraó
- Representação do ka faraônico como silhueta com rosto traçado
- Representação anônima de dois braços levantados para outras pessoas
- Emprego da fórmula “O rei é meu ka” devido ao modelo hierático do Duplo real
- Acompanhamento do rei através da vida como um gênio protetor
- Relação entre as noções de ka e ba segundo Frankfort
- Caráter totalmente pessoal do ba como o próprio defunto sob certo aspecto
- Poder do ka como “força vital” emanante do criador
- Concepção idêntica na tradição do Mazdeísmo iraniano com a noção de Xvarnah (Luz de Glória)
- Definição por Henry Corbin como a potência que constitui o ser de luz e arquétipo eterno da individualidade terrestre
- Assunção dos traços de um Companheiro eterno de luz daimon paredros ou “corpo sutil”)
- Associação do Xvarnah à “força vital” percebida como poder que faz germinar plantas e iluminar inteligências
- Objetivo de estabelecer um conceito fundamental através de imagens de diversas tradições
- Escalonamento de diferentes aspectos da alma entre o corpo físico e o estado divino
- Gradual aumento de sutileza, natureza aérea, celeste, etérea e luminosa da alma
- Importância da utilização de imagens para tornar perceptível a fisiologia não carnal
- Expressão do ka como dois braços levantados sugerindo ação, no Egito
- Formula dedicada ao rei Unas evidenciando a potência activa do ka
- Carácter impersonal do ka como “força impessoal” segundo Frankfort
- Personalização apenas do ka faraônico como réplica do corpo físico
- Abolição da fronteira entre visível e invisível através das ações perfeitas do faraó
- Sistematização da noção de alma no mundo cristão com necessidade de figuração
- Representação da alma como pequeno personagem réplica do corpo físico na imaginária romana
- Exemplo do tema “A morte do avaro” no capitel da igreja da Madalena em Vézelay
- Associação da expiração do último suspiro à libertação do Duplo nas tradições indiana, grega e escandinava
- Referência ao “corpo de sopro” na tradição indiana
- Noção de pneuma na tradição grega
- Ensino escandinavo sobre Odin transmitindo “sopro e vida”
- Opção pela terminologia “corpo sutil” para evocar estados entre o corpo físico e o imperecível
- Base na terminologia indiana pela sua conveniência e precisão morfológica
A FORMA
- Associação da noção de corpo sutil à capacidade de transformação no antigo mundo celta
- Apresentação do termo delba (Forma específica de um personagem)
- Exemplo de Cuchulain na epopeia mítica irlandesa durante os acessos de fúria guerreira
- Metamorfose da aparência física com jorros de faíscas ou gotas de sangue na ponta dos cabelos
- Expressão da Forma na tradição escandinava pelo termo hamr
- Aplicação à aparência exterior e à alma de um ser
- Comparação da alma a uma vestimenta que se veste
- Existência de seres excepcionais capazes de mudar de hamr (aparência animal)
- Designação de “espírito protetor” pelo termo derivado hamingja
- Definição como uma das almas de um ser
- Noção quase sinônima de Fylgja (a “Acompanhante”)
- Descrição por R. Boyer como duplo de um indivíduo e espírito guardião
- Tradução posterior por “anjo da guarda” (fylgjuengill)
- Aplicação à imagem das valquírias como guerreiras sobrenaturais
- Interpretação das valquírias como equivalentes nórdicos da fravarti por Henry Corbin
- Aparição como uma Força ouraniana, cintilante e armada
- Nomes evocadores das figuras do esquadrão celestial: “Potência”, “Brilho”, “Vibrante”, “Batalha”, “Escudo”, etc.
- Relação com um dos múltiplos alcunhas de Odin: “Porta-elmo”
- Descrição do paraíso dos heróis germânicos (Valhöll) como um lugar solar
- Edificação com panóplias em vez de materiais de construção
- Iluminação por espadas prodigiosamente brilhantes
- Associação do corpo sutil a um vestuário e, pela relação com a luz, a armas e armaduras
- Transição para uma reflexão sobre o equipamento do cavaleiro
A ALMA E A ARMADURA
- Caracterização da armadura na época de Chrétien de Troyes
- Ausência do aspecto de estátua de ferro articulada
- Descrição do haubert como túnica de malhas até aos joelhos, com calças e elmo hemisférico
- Sugestão de uma segunda pele epidérmica metálica pelo haubert
- Abolição da silhueta humana sob o Duplo de ferro
- Expressão de um outro ser de natureza simbólica através das cores e cifras heráldicas
- Representação da “alma” de uma linhagem ancestral através do corpo metálico armoriado
- Função de suporte à especulação metafísica
- Exortação de São Paulo a revestir a “armadura de Deus”
- Enumeração das peças simbólicas: cinto de verdade, couraça de justiça, escudo da fé, elmo da salvação, espada do Espírito (v. Richer Armas Espirituais)
- Imaginação dos cristãos como “revestidos da fé e da caridade como de uma couraça”
- Caráter sagrado dos sinais e emblemas ornamentando as armas desde as idades arcaicas
- Transformação do combatente em titã ou semideus
- Exemplo da armação de Agamemnon na Ilíada de Homero
- Metamorfose completa do herói através do arsenal sagrado
- Vigilância de potências sobre as armas do príncipe
- Emanação de uma aura de sacralidade do corpo de metal
- Simbolismo do “arco-íris” como junção das sete Forças entre terra e céu
- Aparição como uma Presença olímpica constituindo-se entre os homens
- Abordagem de Elena Cassin entre o esplendor da armadura de Aquiles e a irradiação de Atena
- Comparação com a “Esplendor divino” ou “Luz da Glória” dos príncipes mesopotâmicos
- Identificação com o fenômeno do Xvarnah
- Compreensão do brilho das armas como resposta espectacular de um esplendor interior
- Investidura da alma por uma Força em circunstâncias especiais (menos ou fúria heroica)
- Manifestação da alma luminosa ou embravecida dos eleitos do céu
- Extensão deste fenômeno aos cavaleiros do ciclo arturiano
- Necessidade de retorno ao conceito de Forças primordiais
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