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Hermenêutica dos Mistérios
KERÉNYI, Karl. Eleusis: archetypal image of mother and daughter. Princeton, N.J: Princeton University Press, 1991.
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A visio beatifica de Eleusis ocupa uma posição singular na história das religiões por ter sido repetida anualmente durante mais de mil anos diante de uma assembléia inteira de participantes, e essa unicidade é confirmada pelas fontes antigas, embora os estudiosos modernos tenham emitido sobre ela julgamentos contraditórios e inconciliáveis.
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Um extremo afirma que as ações sagradas realizadas no templo dos mistérios eram grosseiras e sem sentido, e que os homens de educação avançada as viam como engano sacerdotal e tolice infantil.
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O extremo oposto sustenta que a sublimidade do culto eleusino era tão inquestionável que o próprio Ésquilo a sentia com intensidade.
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A hipótese de que a cista mystica continha uma réplica de útero e de que com ela se realizava a ação mencionada na senha não pode ser confirmada nem excluída, pois não se sabe o que havia no grande cesto.
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A ligação entre os mistérios e a espiga de trigo, designada por uma fonte cristã como o grande e perfeito misterion epóptico de Eleusis, encontra paralelos em João 12,24, em Paulo em I Cor 15,35-37 e numa resposta do rabi Meir à rainha Cleópatra, mas parábolas isoladas nunca explicam a força vital de uma instituição religiosa que durou mil anos.
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A hermenêutica deve reconhecer a existência de uma experiência religiosa autêntica como fato e tomar esse fato como fundamento, distinguindo-o da mera parábola ou da doutrina filosófica secreta postulada desde o século XVIII.
A obra arqueológica mais significativa sobre os mistérios, de Mylonas, comete o erro de rejeitar todas as fontes cristãs por seus autores não serem iniciados, quando esses autores podiam perfeitamente ter consultado fontes pagãs que lhes comunicavam particularidades sem intenção de trair segredos.-
A confusão entre os termos anaktoron e megaron nas fontes e na arqueologia levou Mylonas a reconstruir erroneamente a epopteia como uma exposição de objetos sagrados pelo hierofante diante do Anactóron, sem nenhum texto que confirme tal interpretação.
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Uma inscrição atesesta a existência de um espaço chamado Megaron em Eleusis, para onde eram levados os emolumentos da sacerdotisa, o que o distingue do Anactóron, que era o sancta sanctorum.
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Três espaços entre os edifícios escavados em Eleusis podem ser identificados como possíveis candidatos ao Megaron: a Casa Sagrada, onde as sacerdotisas viviam, o templo de Plutão e a casa do tesouro próxima ao Telestérion.
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O caso de Alcibíades, que tentou mostrar os mistérios a seus amigos em Atenas em pelo menos três casas diferentes, prova de modo decisivo que a epopteia não dependia de objetos sagrados específicos trazidos de Eleusis.
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A própria conclusão de Mylonas, ao admitir que os mistérios não eram um assunto vazio e que possuíam substância e significado, recai na concepção setecentista de uma doutrina filosófica secreta, o que constitui uma regressão sem fundamento.
A evocação da visio beatifica em Eleusis era um empreendimento anual repetido por mais de mil anos, comparável ao funcionamento da Pítia em Delfos, e sua descontinuidade há quinze séculos torna irrecuperável a totalidade da experiência, a empeiria, embora seja possível compreender o que distinguia essa visão de um espetáculo cênico.-
Aristóteles investigou tanto o efeito da tragédia quanto a experiência eleusina; o espectador da tragédia era transportado ao que via sem esforço, alcançando a catarse no final por meio da piedade e do terror, enquanto o iniciado devia alcançar a passividade, o pathein kai diatethenai, muito antes da epopteia, pela purificação, pelo jejum, pelo kykeon e pela marcha procissional.
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Epicteto, provavelmente aludindo a Aristóteles, descreve o iniciando como prodiakeimenos, aquele preparado de antemão, e o estado seguinte é descrito com o termo eis phantasian, uma experiência de aparições.
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Psellos chama de ellampsis, irrupção luminosa, e autopsia, visão de aparições divinas, o fenômeno para o qual o estado passivo prepara o iniciado.
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Pausânias relata que um curioso não iniciado entrou no abaton de um templo de Ísis perto do Parnaso, viu o espaço cheio de espíritos, divulgou o que vira e morreu imediatamente, testemunhando a fé grega em tais fenômenos.
A unicidade dos mistérios de Eleusis no mundo greco-romano é atestada negativamente pela tentativa ptolemaica de criar um Eleusis em Alexandria, tentativa que, segundo o papiro de Oxirrincos e a passagem de Epicteto, revelou ser impossível reproduzir a eficácia dos mistérios áticos fora do lugar, do tempo e das condições rituais consagradas.-
O teólogo Timoteu, da família dos Eumolpidas, foi enviado por Ptolomeu Lagos de Atenas para Alexandria a fim de guiar a vida religiosa do reino greco-egípcio, e sua atividade regulatória foi responsável tanto pelos aspectos positivos quanto negativos do Koreion alexandrino.
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No Koreion de Alexandria os ritos eleusinos foram substituídos por performances dramáticas, um drama mystikon em vários atos encenado em diferentes níveis, acima e abaixo da terra, o que era possível naquela estrutura mas impossível no Telestérion ático.
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Epifânio descreve um rito noturno de janeiro no Koreion, no qual uma estátua de madeira nua com selos dourados em forma de cruz era transportada em andor sete vezes ao redor do templo interior, e ao ser interrogado sobre o mistério o celebrante respondia que a Kore havia dado à luz o Aion.
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O bispo Astério de Amaseía e Tertuliano descrevem encontros na escuridão entre o hierofante e a sacerdotisa, mas esses relatos referem-se ao Koreion alexandrino, não ao santuário ático, cujo sigilo era tão rigoroso que dois jovens da Acarnânia, que por ignorância assistiram ao festival e fizeram perguntas, foram executados em 200 a.C.
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O charlatão Alexandre de Abonutico construiu mistérios fraudulentos com três dias de cenas genealógicas culminando numa hierogamia simulada entre ele e a bela Rutília, episódio que demonstra como o dispositivo artístico das performances alexandrinas podia ser imitado e desvirtuado.
Os mistérios de Eleusis mantinham com o grão de Deméter uma relação histórica de vínculo e disjunção, pois o grão pertencia à esfera pública da deusa e não ao aporrheton, enquanto a iniciação era o único dom essencial aos que visitavam Eleusis por razões religiosas.-
A fórmula das dittai doreai, os dois dons inseparáveis e equivalentes de Deméter e de Atenas à humanidade, aparece no Panegírico de Isócrates por volta de 380 a.C. e no discurso fúnebre atribuído a Aspásia entre os escritos platônicos, mas não era necessariamente de validade universal entre os próprios atenienses.
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Os atenienses realizavam aradas rituais em três lugares distintos onde a agricultura teria tido início: Esquiro, Buzígio e Rária, sendo apenas Rária terreno eleusino, o que mostra que a tradição da origem da agricultura em Eleusis só se impôs aos atenienses a partir do século IV a.C.
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O discurso do daduco Calias em Esparta, em 371 a.C., segundo Xenofonte, menciona Triptólemo como o primeiro a semear o grão no Campo Ráreo e como aquele que iniciou Héracles e os Dióscouros nos mistérios, o que é compatível com a fórmula dos dois dons.
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Os vasos do tipo Kerch, do século IV a.C., atestam a expansão da influência dos mistérios eleusinos num período de guerras e pestilências em que o segredo eleusino adquiriu novo poder, sendo enviados de Atenas provavelmente como mobiliário funerário para as colônias gregas do Ponto e do sul da Itália.
Triptólemo, cujo nome pode remeter ao campo três vezes arado ou ao guerreiro tríplice domesticado pela agricultura, ocupava em Eleusis um lugar preciso como primeiro iniciado e enviado de Deméter, mas seu culto era distinto dos grandes mistérios e situado fora do recinto sagrado, diante do templo de Ártemis.-
As pinturas em vasos mostram Triptólemo em seu trono fantástico com rodas aladas e ornado de serpentes desde o século VI a.C., assim como o representa Sófocles no palco, provavelmente em 468 a.C.
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Em um vaso do século VI, Triptólemo em sua quadriga, precedido por Hermes, tem como contraparte Dioniso em quadriga alada acompanhado de um Sileno com ânfora de vinho e kantharos, sugerindo que o vinho, como o grão, era enviado de Eleusis após a conclusão dos mistérios como dom do Dioniso subterrâneo.
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Os três mandamentos atribuídos a Triptólemo, honrar os pais, honrar os deuses com frutos e poupar os animais, parecem de origem mais pitagórica do que eleusina e jamais poderiam ter fornecido o sentido e o conteúdo da religião eleusina.
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No Hino homérico a Deméter, Triptólemo é apenas um dos reis de Eleusis a quem a deusa revelou os ritos sagrados, mencionado sem destaque, o que confirma que a unicidade religiosa dos mistérios seria concebível sem ele.
A romã é a planta mais explícita e exclusivamente decisiva para o destino de Perséfone na mitologia grega, e sua relação com a rainha do mundo inferior, com a morte cruenta e com a vida subterrânea é primordial e anterior à sua redução moderna a mero símbolo de fertilidade.-
O Hino homérico narra que o deus do mundo inferior deu a Perséfone uma única semente doce de romã e que a partir desse momento ela ficou em seu poder para sempre, mas a narrativa desse episódio em voz alta prova que o segredo não residia no ato de comer a semente, e sim na relação íntima entre a rainha do mundo inferior e a romãzeira.
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Em Pausânias (IX 25 1) a romã aberta é associada à cor do sangue e à morte; em Polícleto a estátua de Hera em Argos segura uma romã sobre a qual Pausânias (II 17 4) declara não poder falar por ser um aporrhetoteros logos, um relato sujeito a estrito silêncio.
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A proibição de comer romãs e maçãs em certas festas em Eleusis e Atenas, entre elas os próprios mistérios e a Haloa, e a proibição correspondente nos mistérios de Cibele e Atis, baseava-se num mystikos logos, uma lenda sagrada secreta, pois Atis se identificava com a romãzeira e a deusa-mãe Agdistis, ao ser castrada, deu origem à romãzeira com o sangue derramado.
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O mito de Hainuwele na ilha indonésia de Ceram, cuja heroína nasceu das gotas de sangue do pai caídas numa flor de palmeira e de cujo corpo morto brotaram tubérculos, é o paralelo etnológico mais próximo do mito de Perséfone, corroborando a antiguidade e a universalidade do arquétipo de uma donzela sacrificada cujo corpo morto gera alimento.
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O motivo da morte cruenta pela comunidade está presente no surgimento de uma romãzeira no túmulo de Menoceu, em Tebas, que se matou voluntariamente para salvar a cidade, e no túmulo dos irmãos Etéocles e Polinice, que se mataram mutuamente; Side, nome tanto de uma mulher enviada ao mundo inferior quanto de várias cidades, é também o nome grego da romãzeira na Beócia.
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Elementos da lenda sagrada da sedução de Perséfone, proibida de ser narrada diretamente, apontam para o derramamento de sangue nupcial no momento em que a Kore deixava a terra para o reino do Dioniso subterrâneo, de onde provêm todos os seres vivos e seu alimento.
A proibição eleusina do vinho corresponde e complementa a proibição das romãs e maçãs, e a última cerimônia dos grandes mistérios, o rito das Plemochoai, consistia em derramar o conteúdo de dois vasos circulares instáveis numa fenda na terra, enquanto uma fórmula mística era recitada.-
O estudioso cristão Hipólito transmite a fórmula como o segredo grande e inefável dos mistérios de Eleusis: o grito Hye kye, Flui, Concebe, dirigido ao deus no alto com olhar para o céu e à terra com olhar para o solo.
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Proclo, neoplatônico que viveu tarde demais para testemunhar os mistérios ainda em funcionamento, interpreta as duas palavras como invocações das origens paterna e materna.
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O nome Hyes, ligado ao verbo grego fluir, foi usado pelos atenienses para invocar Zeus pedindo chuva sobre campos e prados, mas também designava o deus do vinho como senhor de todos os líquidos vivificantes.
A trilogia divina de Deméter, Core e Dioniso, que presidia à Haloa e era celebrada com coros nos festivais dionisíacos em Eleusis, chegou a Roma pelo caminho da Sicília e da Magna Grécia como a tríade Ceres, Liber e Líbera.-
As pinturas em vasos apulianos representam espiguetas ou papoulas num pequeno santuário sobre túmulos, com figuras em estado transcendente visíveis num plano superior, ilustrando a crença de que quem suportava a morte do ser mítico em forma de cerimônia estava assegurado de continuar vivendo após a morte de modo divino e vegetal.
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Dioniso e Perséfone rompem com a tendência geral das narrativas de transformação em plantas, pois neles a forma vegetal da zoë, da vida indestrutível, aparece dotada de um rosto divino e humano.
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Uma estatueta de terracota do final do período clássico mostra uma jovem ajoelhada sobre uma metade de romã, com um pequeno Eros sobre seu ombro, configurando uma epifania de Perséfone reaparecida.
A epopteia de Eleusis era uma imitatio Cereris em que homens e mulheres igualmente assumiam o papel da deusa em busca de sua filha, e não uma representação teatral com atores e máscaras, e a separação de Mãe e Filha deve ser entendida como característica da existência humana indivisa, não apenas feminina.-
Não há qualquer indício, nem direto nem indireto, de que alguém representou o papel de Perséfone no Telestérion no momento culminante dos mistérios, o que distingue radicalmente a epopteia de um espetáculo cênico.
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No teatro, as personae apareciam ao público em máscaras como espíritos do mundo inferior; no Telestérion, os próprios iniciados eram personae em seu drama, vestidos como na procissão e portanto em certo sentido disfarçados.
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A hipótese de que a epopteia era originalmente exclusiva das mulheres num período matriarcal é refutada pelo fato de que a imitatio da deusa buscadora conduzia homens e mulheres ao mesmo telos, à mesma visio beatifica.
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A visão eleusina não era a theoria no sentido original de visita a estátuas divinas, pois nenhuma estátua é atestada, sugerida ou sequer provável na epopteia, ao contrário dos mistérios egípcios, onde estátuas eram mostradas e isso não podia ser mantido em segredo.
A visio beatifica da epopteia era uma visão com olhos corporais abertos, como atestam o vocabulário da palavra epopteia, os relatos de cura de um cego em Eleusis, e a tábua votiva pintada de Eucrates com dois olhos recortados e a cabeça de uma deusa circundada de raios vermelhos sugerindo a luz em que a deusa apareceu.-
Sócrates no Fedro (250 BC) descreve uma visio beatifica filosófica superior à eleusina usando os termos telete, myesis, epopteia e phasmata felizes, confirmando que visões eram vistas no Telestérion ao mesmo tempo em que as rebaixa por não serem perfeitas, simples e estáveis o suficiente.
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Escritores posteriores ousaram empregar a palavra phasma diretamente para as visões eleusinas, chamando-as de phasmata inefáveis e sagrados, terminologia derivada da formulação platônica.
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O episódio de Augusto e do brâmane Zarmaros, em 20 a.C., em que o indiano assistiu à epopteia e em seguida se lançou rindo ao fogo como sacrificium beatificum superior à visão grega, ilustra uma avaliação não-grega da visio beatifica eleusina e é confirmado pelo monumento funerário erguido em Eleusis para o brâmane.
A dualidade de Deméter e Perséfone, Mãe e Filha inseparáveis que se separam e se reencontram, irradia-se por toda a mitologia eleusina como uma série de duplicações dos personagens divinos que não se deve a especulação teológica, mas à espontânea atividade mítica dos gregos, a mythologia.-
A duplicação de Perséfone em Kore e Thea, e a do deus subterrâneo em Plouton e Theos, estão representadas no relevo votivo de Lisimáquides do século IV a.C., que mostra dois altares separados com dois pares de divindades, nenhum presente para o outro.
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O relevo de Mondragone apresenta o panteão eleusino completo com Triptólemo, Deméter, uma Perséfone duplicada em Kore com tochas e Thea na atitude de Hera, o Theos entronizado, Iakchos reconhecível pelos seus botins de caçador e Eubouleu.
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O relevo de Lacratides, de 97 a.C., mostra dois grupos divinos distintos: o público, formado por Deméter, Kore e Triptólemo, e o mais secreto, formado por Plouton, Theos, Thea e Eubouleu, sendo este último culto administrado especialmente por Lacratides de Icária, a mais antiga localidade dionisíaca da Ática.
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A duplicação do deus misterioso em sua forma de Theos nos mistérios de Samotracia e no Cabirion tebano, cujo caráter dionisíaco era expresso abertamente pelos numerosos vestígios de vasos de vinho nos recintos interiores do culto, tem elementos em comum com os mistérios de Eleusis, e iniciados do culto cabírico encontravam figuras familiares em Eleusis.
O duplo aspecto temporal de Perséfone, simultaneamente rainha do mundo inferior e filha que retorna à mãe, era necessário para a coerência religiosa do calendário eleusino e foi representado nos vasos com plena consciência da dualidade de palcos e papéis.-
O Hino homérico usa a divisão do ano para mediar entre os dois papéis, mas na religião de Perséfone o trono do mundo inferior jamais poderia ter permanecido vazio por dois terços do ano, pois os viajantes ao mundo inferior como Orfeu, Héracles, Teseu e Pirítoo precisavam encontrar a rainha em seu trono.
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A tábua votiva de Niínion representa Deméter recebendo a procissão enquanto Perséfone, pintada em cores escuras, está entronizada ao fundo, sugerindo o segundo palco simultâneo onde a deusa permanece rainha do mundo inferior.
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A aclamação transmitida como proferida nos mistérios, Atravessa a ponte, ó Core, antes de começar a arada tríplice, confirma que o tempo de Triptólemo vinha depois dos mistérios, quando era possível beber vinho, e que a partida da Core para o mundo inferior era ao mesmo tempo abertura do caminho para os mortos e condição para a fertilidade da terra.
Eubouleu é a figura mais misteriosa entre os deuses que aparecem nos hinos órficos, representando o “bom conselho” pelo qual Perséfone foi a primeira a tomar o caminho do mundo inferior, e sua identidade oscila entre a duplicação jovial de Plouton, o servo do deus mistério e um personagem com função própria na lenda sagrada.-
O Hino Homérico a Deméter atribui o rapto de Perséfone à boulê de Zeus, mas nas fontes cultuais Zeus Bouleus ou Zeus Eubouleus é mencionado em conexão com Deméter e Core em contextos subterrâneos, onde a referência não é ao deus celeste mas ao Zeus subterrâneo, e é afirmado expressamente que Plouton é Eubouleu.
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A versão em que Eubouleu era um porqueiro que assistiu à abertura da terra e ao desaparecimento de suas porcas junto com as deusas explica por que ele podia servir depois de guia a Deméter, mas essa versão não é a lenda sagrada eleusina.
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A estátua de Eubouleu, atribuída a Praxíteles e encontrada no Plutônio de Eleusis, representa um jovem ao mesmo tempo radiante e de estranha escuridão interior, que é Plouton em sua forma jovem, duplo e servo do deus, comparável ao Hermes ou Pais junto ao Cabiro ou Theos.
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Lâminas de ouro encontradas em túmulos do sul da Itália e em Roma, dos séculos IV e III a.C., dirigem saudações à rainha e ao rei dos mortos, aqui chamado Eucles ou Euclos, e a Eubouleu, mostrando que na Magna Grécia a atividade do terceiro deus não estava velada por segredo misterioso.
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Relevos votivos de terracota do templo de Perséfone em Locros Epizefírios representam uma cena única: a jovem divina é conduzida por um deus mais jovem ao carro do deus barbudo do mundo inferior, revelando que o serviço secreto de Eubouleu era prestar o “bom conselho” que consumou o matrimônio de Perséfone e assim fixou a ordem da vida na terra.
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