mitologia:kerenyi:mito-misterio:natureza
Deusa Natureza
KERÉNYI, Károly. Miti e misteri. Torino: Bollati Boringhieri, 2017.
- A distinção entre as noções clássica e romântica de natureza fundamenta-se na transição da ideia de uma artífice engenhosa para uma relação intrínseca com o sentimento humano.
- Klopstock — menção às premissas que delimitam os conceitos antigo e moderno.
- Goethe — citação de dez anos antes do fragmento A Natureza sobre a força que devora a força, o transitório e a arte como esforço de autoconservação.
- A inserção do conceito antigo de natureza na modernidade revela a persistência de uma forma definida apesar das contradições inerentes à visão europeia.
- Goethe — oposição entre natureza e arte e a nova correlação com o espírito.
- Walter F. Otto — observação sobre a exclusividade europeia desses conceitos em contraste com o Oriente.
- Oriente — caracterizado pela coesão com o mundo sensível e pela busca da redenção e libertação absoluta, sem um termo correspondente para natureza.
- O conceito de natureza comum a gregos e europeus define-se como uma forma que nasce do espírito a partir do elemento sensível.
- Walter F. Otto — reflexão sobre a natureza não existir sem o espírito e a origem grega da ciência e do mito natural.
- Luta entre natureza e espírito — fenômeno permanente para o herdeiro dos gregos, onde as partes dependem uma da outra para existir e ter forma.
- O dualismo grego entre o ser e o ser conhecido diferencia-se da interpretação moderna que introduz a ideia de combate entre os elementos.
- Zeus — o nous que reflete tudo e é onisciente.
- Goethe — oposição entre arte e força destruidora do universo.
- Hölderlin — citação do poema Natureza e Arte ou Saturno e Júpiter: E se queres permanecer, serve ao mais velho!
- Cristianismo — fator que moldou o dualismo europeu como uma luta entre a corporeidade sensível e um espírito desprendido de sua base materna.
- A negação do dualismo cristão em favor de um individualismo que atua como porta-voz da natureza mantém traços não antigos na modernidade.
- Nietzsche — menção ao segundo canto de dança de Zaratustra e à vida como grande companheira e adversária.
- Culto à natureza — caracterizado como o de uma grande cortesã e parturiente irresponsável.
- O fragmento A Natureza, embora incorporado por Goethe, possui origens que remetem ao círculo de teólogos e entusiastas de Zurique.
- Goethe — confissão de 1828 sobre não se recordar da autoria, embora as ideias correspondessem ao seu espírito da época.
- Christof Tobler — provável autor suíço do texto e tradutor dos Hinos de Orfeu.
- Lavater — ligação com o círculo de Zurique.
- Stein — menção ao quadro da natureza visível de muitos lados.
- Bernhard Huber — citação de um lema atribuído a Tobler sobre a inteligência reservada da natureza que nenhum homem pode copiar.
- A comparação entre o fragmento moderno e as fontes clássicas revela paralelos estruturais na descrição dos movimentos naturais.
- Cícero — obra Sobre a Natureza dos Deuses e a descrição da natureza que abrange e contém tudo em seu complexo.
- Cota — observação sobre a natureza arrastando tudo consigo.
- A imagem da dança na natureza diferencia-se entre a harmonia celeste antiga e a violência impetuosa moderna.
- Christof Tobler — tradução do epíteto sempre móvel no hino à deusa Physis.
- Hino à deusa Physis — versos sobre a condução das estrelas e o correr sem ruído sobre as pontas dos calcanhares.
- Zaratustra — relação entre a imagem da dançarina violenta e a heroína de Nietzsche.
- O caráter enigmático e lúdico da natureza no pensamento moderno afasta-se da solenidade religiosa dos hinos antigos.
- Bernhard Huber — carta a Lavater sobre a grande prestidigitadora e seu jogo tragicômico.
- Goethe — comentário de 1828 sobre o panteísmo, o ser imperscrutável e o jogo não isento de uma amarga seriedade.
- Soret — citação de 1831 comparando a natureza a uma jovem coquete que atrai e se esquiva.
- A noção de um caminho predeterminado e desconhecido para as criaturas encontra raízes no pensamento estoico e heraclítico.
- Heráclito — origem da ideia do homem que desconhece seu caminho.
- Marco Aurélio — citação da ideia estoica.
- Cícero — exposição da doutrina de Zenão sobre a natureza como artista providente, consultora e criadora da beleza e dos sexos.
- Cota — crítica vulgar à natureza como alcoviteira de si mesma.
- O tom das relações entre natureza e amor no fragmento moderno distancia-se tanto da vulgaridade acadêmica quanto da elevação religiosa latina.
- Lucrécio — hino à deusa Natureza no proêmio a Vênus.
- Christof Tobler — erro de tradução do adjetivo referente a ajudantes de parto e reflexão romântica sobre o amor como coroamento da natureza.
- Espinozismo — subordinação do coração à natureza.
- Sábio estoico — apelo à divindade para ser conduzido.
- A concepção moderna de Mãe Natureza potencializa a contradição e o sofrimento em uma unidade que premia e pune a si mesma.
- Diferença fundamental — contraste entre a existência de volúpia e tormentos moderna e a deusa Physis do hino órfico, definida como domadora de tudo e indivisivelmente única.
- A palavra Physis atua como um termo primordial que domina o pensamento filosófico por meio de seu conteúdo conceitual intrínseco.
- Pensador moderno — confissão sobre ser dominado pela linguagem e a gravidez de ideias como uma graça que exige exatidão.
- Logos — termo que, junto a Physis, possuía uma medida insuperável de influência sobre os filósofos arcaicos.
- O surgimento da palavra Physis na literatura grega ocorre de forma simbólica através da revelação divina de uma qualidade essencial.
- Homero — na Odisseia, o deus Hermes mostra a Ulisses a natureza da erva mágica moly.
- Significado original — a qualidade ou o gênero do existente, identificável por quem possui o saber.
- A etimologia de Physis vincula-se ao crescimento orgânico, mas estabelece o ser como um estado permanente e dominador do devir.
- Aristóteles — derivação do significado de nascimento ou origem, embora observe a necessidade da vogal longa para o sentido de tornar-se.
- Língua latina — raiz correspondente ao significado de ter sido ou ser definitivo.
- Filolau — menção à natureza do número como guia e mestre, sem rastro de devir.
- O conceito de Physis ocupa o lado do ser no dualismo grego, representando aquilo que é efetivamente e sempre será.
- Heráclito — fragmento sobre a natureza que ama esconder-se.
- Homem divino — aquele que possui o olhar penetrante necessário para distinguir cada coisa segundo sua natureza.
- A simplicidade espontânea do termo Physis permitiu sua transformação de palavra primordial em conceito científico e slogan sofístico.
- Filósofos arcaicos — uso do termo para designar o que é sem causa humana.
- Antítese entre Physis e Nomos — contraposição entre o verdadeiro ser e a pura aparência humana.
- Platão e Aristóteles sistematizaram as contradições de Physis como gênese das coisas primeiras e essência permanente.
- Aristóteles — definição de natureza como via para o ser, matéria primordial, forma ou síntese.
- Platão — definição como gênese das coisas primeiras, incluindo a alma.
- Leucipo e Demócrito — os átomos como natureza.
- Epicuro — definição de natureza como corpos, vácuo e seus acidentes.
- Empédocles — negação da natureza e da morte para os mortais por considerar apenas os quatro elementos como realidades primordiais.
- Parmênides abordou a Physis como o problema do ser, situando-a entre a revelação da unidade e a descrição dos fenômenos celestes.
- Poema de Parmênides — menção à natureza do éter, do sol, da lua e do céu que limita as estrelas sob o comando da Necessidade ou Ananke.
- A cosmogonia parmenidiana introduz uma figura divina central que governa a mistura e o nascimento.
- Teofrasto — provável fonte do comentário sobre o fundamento do movimento e da gênese.
- Deusa governante — entidade que preside o parto doloroso e a mistura dos sexos.
- A identificação da divindade governante ocorre através de suas múltiplas denominações na poesia filosófica e religiosa.
- Simplício — comentário sobre a deusa da renascimento.
- Deméter e Reia Cibele — possíveis equivalências à grande mãe das almas pitagórica.
- Justiça e Necessidade — outros nomes para a senhora da mistura.
- A figura mitológica próxima ao conceito de Physis associa-se a divindades primordiais e seus descendentes simbólicos.
- Parmênides — invenção de Eros como o primeiro dos deuses.
- Hesíodo — filhos da Noite, incluindo Guerra, Morte, Sono e Esquecimento.
- Aristófanes — paródia da cosmogonia órfica com Eros filho da Noite.
- Afrodite — identificada por Plutarco na descrição de Parmenides.
- Empédocles descreve a ação de uma senhora da mistura que atua como potência de união na esfera dos elementos.
- Philotes ou Philia — o amor como princípio de união contraposto ao Neikos ou Discórdia.
- Alegria e Afrodite — nomes humanos para a potência de união.
- Harmonia — nome mitológico e filosófico.
- Sphairos — o núcleo cósmico esférico e alegre em sua solidão.
- Lucrécio integra a tradição filosófico-mitológica em seu proêmio dedicado a Vênus como regente da natureza.
- Vênus — celebrada como prazer de homens e deuses e guia da natureza das coisas.
- Epicuro — mestre cuja doutrina de tranquilidade divina o poeta parece tensionar ao pedir auxílio à deusa.
- A celebração de Vênus como genetrix em Lucrécio corresponde à divindade governante da tradição grega.
- Virgílio — menção à primavera como época do surgimento do mundo.
- Natureza governante — expressão que substitui Vênus na condução do universo.
- Fortuna governante — outra denominação para a potência complexa da natureza.
- Epicuro expressa gratidão à natureza por equilibrar as necessidades humanas e a facilidade de seu provimento.
- Graças à beata Physis por tornar fácil o necessário e difícil o desnecessário.
- Natureza — concebida simultaneamente como acaso cego e necessidade inexorável.
- Tyche e Ananke — elementos pertencentes à natureza daquela que doa sem ser solicitada.
- Orações mágicas da antiguidade tardia evidenciam a equivalência entre Vênus, Afrodite, Physis e a Lua.
- Incantamento evocador — Afrodite invocada como Physis mãe universal e indomável.
- Lecanomancia — invocação da Physis biforme e indivisível identificada com a luz da lua.
- Textos mágicos e filosóficos tardios vinculam a origem da natureza a figuras femininas da fertilidade e do céu noturno.
- Selene — invocada como mãe universal da natureza, geradora de tudo e mãe do amor.
- A grande oração a Selene descreve uma divindade trifronte que governa o cosmos, o destino e o tempo.
- Atributos de Selene — ornamento da noite, portadora de luz, rainha sentada sobre touros, Dike, Cloto, Láquesis e Átropo.
- Domadora — epíteto gravado por Cronos no cetro da deusa para garantir a permanência de todas as coisas.
- A busca pela deusa Physis original aponta para uma figura mitológica que compartilha traços com Afrodite e a divindade lunar.
- Mesomedes — músico e poeta do século II d.C. autor de hinos atribuídos a Pitágoras.
- O hino de Mesomedes celebra uma mãe do mundo identificada com a noite, a luz e o silêncio.
- Reia — mencionada como a gloriosa guarda que acolhe os discursos e ações dos homens.
- A parte final da oração de Mesomedes solicita virtude para a alma e saúde para o corpo físico.
- Súplica — por uma linha reta para a alma e uma mobilidade sem mentira para a língua.
- A conexão entre a deusa natureza e o deus solar é uma constante na poesia religiosa e filosófica da época.
- Aion, Paian e Titan — nomes para invocar o Sol.
- Homem em grilhões — autodescrição do suplicante que professa fé órfica ou pitagórica.
- Claudiano descreve a natureza como guardiã de uma gruta eterna onde o tempo é processado.
- Stilicho — protetor do poeta no ano 400 d.C.
- Aion — personificação do tempo infinito.
- Cibele e Reia — identidades da deusa que guarda a entrada da gruta.
- A gruta do tempo em Claudiano é cercada pela serpente da eternidade e habitada por almas aladas.
- Ouroboros — o serpente que devora a própria cauda simbolizando o eterno retorno.
- Natureza — descrita como uma guardiã longeva de belo rosto.
- A fusão de elementos orientais e gregos caracteriza a cena mitológica da saudação entre a Natureza e o Sol.
- Encontro — a Natureza potente e idosa inclina sua cãs diante dos raios do Sol.
- A fonte comum para a conexão entre Physis e Hélios reside no mitologema órfico da gruta da noite.
- Identificação — Aion como criança recém-nascida na gruta, semelhante a Zeus no monte Ida.
- A cosmogonia órfica situa a origem de todo existente em uma obscuridade primordiale habitada por divindades noturnas.
- Nix — a Noite, por vezes triplicada, habitante da gruta.
- Fanes — o princípio da luz que surge da escuridão.
- Aristóteles — discussão na Metafísica sobre os teólogos que derivam tudo da Noite.
- Adrasteia atua como a legisladora e guardiã que domina a entrada da gruta e a vida dos homens.
- Mãe Idaia e Adrasteia — formas da grande mãe Reia Cibele.
- Inelutável — significado do nome Adrasteia, a senhora do destino e das leis da mortalidade.
- Platão — conceito da lei de Adrasteia sobre a predeterminação da alma.
- A pesquisa revela que Reia Cibele personifica a inelutabilidade das leis da existência psicofísica humana.
- Monumentos — representação como deusa lunar.
- Átis — ligação com o ciclo da Afrodite oriental.
- Ananke — identificada com Physis e Adrasteia na cosmogonia de Hierônimo e Helânico.
- Crisipo e Zenão — identificação da lei do destino com a providência e a natureza.
- O hino órfico à natureza sintetiza influências estoicas e órficas em uma figura divina multifacetada.
- Christof Tobler — preparador da versão alemã do hino.
- Estrutura — imagem cósmica filosófica mesclada com figuras divinas delineadas.
- O texto do hino atribui à natureza funções de governante, criadora e destino universal.
- Atributos — mãe de tudo, deusa de muitos recursos, rainha, domadora de tudo, indomável, governante, luz total, soberana absoluta.
- Características — imortal, primogênita, antiga, ilustre, noturna, portadora de brilho, pura, ordenadora dos deuses, fim sem fim.
- Dualidade — pai e mãe, nutrição e dissolução, doce para os obedientes e amarga para os maus.
- Movimento — portadora do movimento, gira o fluxo rápido em um turbilhão eterno, circular, de formas variadas.
- Súplica final — por paz, saúde e crescimento de todas as coisas em tempos prósperos.
- A natureza como artífice de invenções evolui de um conceito estoico para uma imagem purificada da Grande Mãe.
- Polymechanos — conceito de artífice engenhosa legado pelos estoicos.
- Kyberneteira — a demone governante de Parmenides e Lucrécio.
- Síntese — a Physis como imagem da mãe definida, distinta tanto da passividade da terra quanto do desespero das mães sofredoras.
mitologia/kerenyi/mito-misterio/natureza.txt · Last modified: by 127.0.0.1
