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MESOPOTÂMIA

BOTTÉRO, Jean. Mésopotamie: l’écriture, la raison et les dieux. Paris: Gallimard, 1998.

Para designar o cenário da história aqui abordada (os antigos habitantes costumavam dizer «o País», kalam em sumério e mâtuen em acádio), o termo mais adequado é Mesopotâmia: literalmente “Entre os rios”, que, embora outrora tivesse um sentido mais restrito, abrange hoje, aproximadamente, o território do atual Iraque. Encontrá-lo-emos, neste livro, repetido com demasiada frequência, por necessidade: não conheço nenhum outro tão pertinente. Cheguei a substituí-lo por Babilônia, uma vez que, a partir de cerca de 1750, essa cidade tornou-se a capital política e, posteriormente, a metrópole cultural do país; mas não seria possível, sem anacronismo, utilizá-lo para o longo período anterior. Babilônia designa comumente, desde meados do II milênio, apenas a metade meridional do território mesopotâmico. A Assíria, metade norte, qualquer que tenha sido seu destino político posterior, a partir dessa mesma época, com suas capitais sucessivas: Assur*, Kalhu* e Nínive, sempre se encontrou culturalmente dependente da Babilônia. E, nesse aspecto, unir os dois nomes em Assírio-Babilônia, como se fez às vezes, é, portanto, mais enganador do que conveniente. Evitei ao máximo o nome Sumer: antigamente, ele se referia, como tal, apenas à parte sul da Baixa Mesopotâmia (a outra, ao norte, levava então o nome de Akkad) e não, como uma moda ingênua e simplista deixou acreditar por muito tempo e ainda deixa acreditar, a uma cultura suméria independente e isolável como tal. Sua existência — garantida pelo uso da língua suméria — não suscita a menor dúvida, mas é pré-histórica — pelo menos fora de nossa documentação. Essas fontes conhecem, mesmo considerando as mais antigas, apenas uma civilização coerente, embora evidentemente formada por duas correntes inicialmente sem qualquer relação mútua: os sumérios*, de um lado, e os semitas* «acadianos», por outro — sem mencionar terceiras etnias e culturas, igualmente pré-históricas e das quais praticamente nada sabemos. Abstenho-me, portanto, deliberadamente, de falar, como historiador, dos sumérios, da cultura, do pensamento, da religião sumérios e até mesmo da literatura suméria. Não existe, de forma devidamente verificável, na antiga Mesopotâmia, senão uma cultura, composta, é verdade: um pensamento, uma religião, entre os quais é possível, por meio de análise, comparação e conjectura, detectar traços de origem provavelmente suméria, outros, provavelmente semítica; e uma literatura, escrita, ora na língua suméria, ora na língua acádia, tendo as proporções mudado com o tempo. A rigor, poderíamos falar de um mundo sumério-acádico, mas, por minha parte, não tenho grande apreço por esse binômio pesado…


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