ISHA
Isha Schwaller de Lubicz (Jeanne Germain, 1885–1963)
Escritora, egiptóloga heterodoxa e pesquisadora das tradições sapienciais do Egito faraônico, Isha Schwaller de Lubicz (nascida Jeanne Germain) foi colaboradora intelectual, companheira e esposa do filósofo, alquimista e matemático alsaciano René Adolphe Schwaller de Lubicz (Aor). Ao longo dos doze anos (1938–1950) em que o casal e sua filha, Lucie Lamy, residiram em Luxor para documentar e decifrar a arquitetura monumental e os relevos do Templo de Amon-Mut-Khonsu, Isha dedicou-se a traduzir para uma narrativa iniciática viva o método simbólico e teológico desenvolvido pelo grupo, reconstituindo o itinerário de formação da inteligência do coração (a mentalidade sagrada dos Neteru) através da célebre narrativa em dois volumes de Her-Bak.
1. Obras Monográficas Fundamentais (O Ciclo de Her-Bak)
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak “Pois Chiche”: Visage vivant de l'Ancienne Égypte. Illustrations de Lucie Lamy. Paris: Prosveta, 1954. (Reedição: Paris: Flammarion, 1955; Paris: Le Courrier du Livre, 1978).
- Foco: Primeiro volume da jornada iniciática de Her-Bak (apelidado “Pois Chiche” ou grão-de-bico, símbolo do germe da consciência); aborda a fase de aprendizagem elementar na natureza, o trabalho agrícola, o artesanato tradicional, a botânica sagrada, os ciclos animais e o despertar dos sentidos guiado por um mestre do povo.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak Disciple: De la sagesse égyptienne. Illustrations de Lucie Lamy. Paris: Flammarion, 1956. (Reedição: Paris: Le Courrier du Livre, 1979).
- Foco: Segundo volume e ápice da formação; a admissão de Her-Bak como discípulo formal no Templo de Luxor, onde ele é submetido ao aprendizado da geometria sagrada, da astronomia dos decanatos, da alquimia dos metais, da fisiologia dos órgãos e da metafísica dos Neteru (as forças divinas cósmicas).
2. Ensaios Teológicos, Herméticos e Filosóficos
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. La Lumière du Chemin: Méditations sur la doctrine de sagesse hermétique. Paris: La Colombe / Éditions du Vieux Colombier, 1960. (Reedição: Paris: Le Courrier du Livre, 1976).
- Foco: Exposição puramente doutrinária e aforística dos princípios metafísicos do hermetismo egípcio, examinando a transmutação ontológica da consciência individual e a reintegração na Realidade Una.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. L'Ouverture du Chemin. Paris: Éditions Dervy-Livres, 1957. (Coleção “Mystiques et Religions”).
- Foco: Guia reflexivo sobre os obstáculos psicológicos e espirituais no limiar do discipulado e a exigência de uma purificação ética integral para aceder à percepção sagrada.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. “Aor”: Sa vie, son œuvre. Paris: La Colombe, 1963.
- Foco: Memória biográfica, espiritual e intelectual sobre a trajetória, as descobertas matemáticas e os últimos anos de René Adolphe Schwaller de Lubicz.
3. Traduções Principais em Línguas Ibéricas e Inglesa
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak “Guisante de Pollo”: Rostro vivo del antiguo Egipto. Traducción de Joaquín Rovira; ilustraciones de Lucie Lamy. Madrid: Editorial Sirio, 1989. (Reedição: Girona: Ediciones Atalanta, 2012).
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak discípulo: De la sabiduría egipcia. Traducción de Jorge Viñes; ilustraciones de Lucie Lamy. Madrid: Editorial Sirio, 1990. (Reedição: Girona: Ediciones Atalanta, 2013).
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. La apertura del camino. Traducción de Emilio García. Barcelona: Editorial Humanitas, 1992.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. La luz del camino. Barcelona: Editorial Índigo, 1998.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak: The Living Face of Ancient Egypt. Translated by Charles E. Sprague. New York: Inner Traditions International, 1978.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak, “Chick-Pea”: The Living Face of Ancient Egypt. Rochester, VT: Inner Traditions, 1979.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. Her-Bak: Egyptian Initiate. Translated by Ronald Fraser. Rochester, VT: Inner Traditions, 1978.
- SCHWALLER DE LUBICZ, Isha. The Opening of the Way: A Practical Guide to the Wisdom of Ancient Egypt. Rochester, VT: Inner Traditions, 1981.
4. Eixos Hermenêuticos e Significado da Abordagem de Isha
- A Inteligência do Coração (Mentalidade Simbólica): Isha demonstrou através de suas obras narrativas que a cosmovisão do Egito antigo não operava pela lógica analítica e discursiva abstrata (cérebro e linguagem linear), mas pela inteligência do coração (o Ab egípcio), capaz de apreender simultaneamente a forma sensível, o número formativo e o princípio divino imanente em cada ser criado.
- O Neter como Função Cósmica e Arquetípica: Afastando-se das leituras do orientalismo do século XIX que acusavam a religião egípcia de zoolatria ingênua e politeísmo infantil, Isha explicou que os deuses zoomórficos (os Neteru) eram a personificação de funções biológicas, telúricas e cósmicas precisas. O animal consagrado a determinado Neter manifesta com pureza orgânica irrepreensível o poder daquela função específica na natureza.
- O Templo como Arquitetura do Homem Cósmico: Enquanto seu marido R. A. Schwaller de Lubicz demonstrava matematicamente em “Le Temple de l'Homme” as proporções antropocósmicas do Templo de Luxor, Isha traduziu essa mesma realidade na vivência interna do discípulo Her-Bak. O templo físico de pedra é o mapa do corpo humano divinizado e a liturgia de travessia dos pátios e salas hipostilas reflete as estações de transmutação dos centros vitais da consciência.
- Recusa do Ocultismo Especulativo em Favor da Observação da Natureza: O discipulado narrado por Isha não se assenta em fórmulas mágicas obscuras ou dogmas verbais, mas na escuta paciente das leis da natureza. Para conhecer o invisível, o aspirante deve primeiro dominar perfeitamente as leis do visível (o barro, o lótus, o crocodilo, o trigo e o movimento das estrelas).
