9 Lusíadas
SOUSA, Eudoro de. Catábases: estudos sobre viagens aos infernos na antiguidade. São Paulo: Annablume, 2013.
O PROBLEMA DA MITOLOGIA NOS OITO PRIMEIROS CANTOS E A SOLUÇÃO DE ANTÔNIO SALGADO JÚNIOR
1. Por estas palavras enunciou António Salgado Júnior, em 1938, o problema da mitologia d'Os Lusíadas, perguntando como resolveu Camões, poeta em quem facilmente se descobre um pronunciado sentido das realidades, a irredutibilidade pelo menos aparente entre esse sentido e a interferência de deuses e deusas em quem não acreditava e de que a história da viagem não falava nem podia falar, estabelecendo o enunciado com admirável rigor e lucidez o início da sua própria viagem e demanda da solução mais verossímil, sendo de lastimar que a publicação da conferência tivesse passado a bem dizer despercebida.
2. Nem de outro modo se explicaria que a não mencionem em seus livros mais recentes os eruditos camonistas que são os Profs. Hernâni Cidade e Fidelino de Figueiredo, em tais circunstâncias sendo relevado o recurso ao próprio texto do opúsculo com uma frequência e pormenor que só pretende evitar o risco da infidelidade.
3. Épico: realismo naturalístico no cuidado com que são apontados os fenômenos naturais, a flora e a fauna das regiões recentemente descobertas, realismo geográfico na notação a certo respeito minuciosa da divisão física e política das terras conhecidas, realismo científico na precisão matemática das referências astronômicas ou atinentes a outros ramos diversos das ciências de então, realismo psicológico expresso num ou noutro desenho de caracteres, realismo histórico que consiste no respeito escrupuloso pelas informações que recebe dos cronistas e com fidelidade reproduz no seu poema.
4. Precisamente desse contínuo esforço do Poeta por evitar os grandíloquos relatos de ações fantásticas, fingidas, mentirosas, é que resultou uma característica da moderna erudição que se traduz em esgaravatar no conteúdo do poema para de novo o apresentar em triste prosa: a astronomia, a geografia, a zoologia, a botânica, a etnografia, a heráldica, a armaria, a medicina, etc., e por cima o calvário pedagógico dos estudos camonianos, valendo como exemplo celebrado as trezentas páginas de Luciano Pereira da Silva acerca da Astronomia dos Lusíadas, um dos mais brilhantes contributos para a história da difusão em Portugal das ideias científicas da Renascença mas destituídas de qualquer interesse para o estudo da origem, essência e valor da grande epopeia.
5. Segunda verificação, tão importante como a primeira, é esta: sem mitologia, ou melhor, sem o efeito de dois recursos artísticos perfeitamente antagônicos tais como o realismo e a mitologia, a obra camoniana não seria o que é: a única e autêntica epopeia do Renascimento.
6. A veracidade deste asserto só carece de esclarecimento quanto à motivação do recurso mitológico, sendo na opinião de Salgado Jr. que a mitologia entra n'Os Lusíadas pela porta que lhe abriu a poética renascentista, reconhecendo-se então que o poder deslumbrante de Homero e Vergílio estava precisamente nesse tom irreal, naquela intimidade do humano e do divino que faziam o encanto mágico das origens lendárias da Grécia e de Roma, podendo a explicação ser ampliada e aprofundada dizendo com o autor da Épica Portuguesa no Século XVI que a ambiência lendária dos Descobrimentos e da Conquista da Ásia clamava pelo poema épico que verificasse a tese de superação dos Antigos, esse pensamento fixo que era do ambiente e era de todos os portugueses doentes de febre heroica.
7. Por conseguinte, na própria concepção d'Os Lusíadas, Camões teve de resolver o problema estético que se lhe deparava na urgência de conciliar a verdade histórica com a ficção mitológica, sem o que não existiria poema épico no sentido das teorias literárias da Antiguidade e do Renascimento.
8. Ora, se é certo que os mitos e as personagens míticas da poesia grega e latina ainda podiam parecer histórias verídicas e entes reais no momento em que a epopeia nasce no Oriente, mais certo é que no século XVI irrompe do extremo ocidente da Europa aquela poesia em que os mitos claramente se revelam como pura ficção e os deuses se apresentam como fabulosos fingidos de mortal e cego engano só para fazer versos deleitosos servindo.
9. Se atendesse apenas à mitologia dos cantos I-VIII, Fidelino de Figueiredo não teria razão para se insurgir contra aquela tristíssima estância LXXXII do canto décimo, ainda que combinando-a com dizeres do simpático censor Frei Bartolomeu Ferreira se obtenha a confirmação de ela foi inegavelmente pedida pela censura ou quis prevenir tal exigência, acrescentando-se que na verdade esses versos da estância LXXXII não ressoam como a tuba sonora e belicosa da epopeia nem como a agreste avena ou frauta ruda do lirismo, mas tristíssima não é ela pois exprime sem possibilidade de equívoco o desígnio do poeta que mais habilmente separou a verdade histórica da ficção mítica sem prejudicar de modo algum a unidade estética da sua obra.
10. Como tal desígnio se cumpriu nos oito primeiros cantos d'Os Lusíadas, eis o que mostrou Salgado Júnior nas ótimas páginas do seu livrinho, proclamando a estância LXXXII do canto décimo que na ideia de Camões os deuses não têm existência, e simpático ou não jamais o censor teria acreditado na boa fé do Poeta se não verificasse o seu propósito de evitar todo o contato dos deuses com a realidade.
11. Assim, nos cantos I-VIII, far-se-á que o Gama ignore os deuses, lhes não reconheça as intervenções, não tenha com eles qualquer contato, e com ele os seus marinheiros, importando que nem uns nem outros os suspeitem, e quanto aos deuses far-se-á que se movam no plano invisível dos Olimpos ou que, junto dos homens, nunca deles se tornem visíveis, sendo aparecimentos de figuras da fábula aos personagens da realidade histórica afinal apenas estes: o dos rios a D. Manuel e o do Adamastor ao Gama.
12. Forçoso será porém que de algum modo o plano mitológico, necessário à estrutura do poema épico, intercepte o plano real da história que para Camões e todos os portugueses do século XVI é a única epopeia que conhecem e reconhecem, daí resultando para cada gênero de intervenção dos deuses um processo especial de a integrar na realidade: o processo do disfarce humano, reservado a todas as intervenções de Baco; o processo da interpretação do milagre, reservado às intervenções de Vênus e Júpiter; e o processo de preparação por ambiente realista, reservado a todos os casos de transferência dos dados histórico-lendários.
2. O PROBLEMA DA MITOLOGIA NOS CANTOS IX E X E A SOLUÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO
1. A persuasiva argumentação de António Salgado Júnior conclui pelo caráter verdadeiramente a-mítico da chamada mitologia dos Lusíadas nos oito primeiros cantos do poema, sendo muito menos convincente a sua explicação do contraste que do mesmo ponto de vista se nos oferece ao abordarmos a leitura dos dois últimos, nestes a mitologia excedendo amplamente a medida estética de qualquer engenhoso artifício de composição.
2. Para a solução do problema que nos propõem dos cantos IX e X tem-se que iniciar o caminho que nos abriu A Epopeia Portuguesa no Século XVI, da autoria do Prof. Fidelino de Figueiredo, obra publicada em volumoso tomo pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo e em especial o capítulo décimo nono da segunda parte intitulado A contemplação do Universo, não sendo exagerado reservar a essas páginas um lugar de absoluta distinção na vastíssima bibliografia camoniana se se considerar que constituem elas talvez a única tentativa para resolver um problema de importância capital: não o da astronomia dos Lusíadas ou qualquer outro congênere que se enuncie sobre o rigor científico ou o valor histórico-cultural de versos singulares ou estâncias isoladas, mas sim o de uma relação necessária entre a cosmologia do canto décimo, a estrutura geral do poema e a mensagem universal do poeta.
3. Em nossa opinião, e o Prof. Fidelino de Figueiredo expressamente o reconhece, o problema não ficou resolvido naquele capítulo de seu livro, mas o verdadeiro mérito e o incomparável valor do estudo resulta principalmente do seu enunciado, e esse não há falsa solução que o comprometa.
4. Por que, para que, como teria surgido em Camões a ideia de pôr em verso heroico uma cosmologia quase no termo do poema, quando já havia cantado de princípio a fim as viagens, perigos e guerras que largamente provaram o peito ilustre lusitano?
5. A pergunta admite muitas respostas, mas é evidente que só uma há de corresponder ao desígnio do poeta, e a do Prof. Fidelino de Figueiredo tem de ser lida e meditada por quem quer que ouse afrontar a questão, ouvindo-se antes porém a resposta de Salgado Júnior.
6. Nas páginas que fecham o seu trabalho, atribuindo um valor simbólico a toda a efabulação da viagem de regresso, o autor de Os Lusíadas e a Viagem do Gama talvez tenha querido dizer que os dois últimos cantos são aqueles em que a mitologia irrompe sem os entraves impostos pelo sentido da realidade histórica, sendo as derradeiras linhas do opúsculo aquelas em que se afirma que a maior recompensa reservada ao Gama foi um gozo de espírito: subir-se, alçar-se à compreensão da disposição da Máquina do Mundo, encontrando assim Camões correspondente à divinização do estilo antigo, sendo o Gama subido, exalçado, posto ao par de mistérios altos reservados a deuses, tocado pelo próprio de qualquer essência imortal, e é nesta simbólica clara que Camões acaba por conferir-lhe o que os antigos começam por conferir aos seus heróis: o parentesco divino, casando-o com Tétis e ligando-o à mesma árvore genealógica onde Hércules, Jasão, Ulisses e Enéas andavam já ligados aos deuses.
7. A resposta de Salgado Júnior à questão acima formulada seria por conseguinte que a cosmologia do canto décimo é um dos momentos em que se articula uma apoteose do Gama, consentindo e concordando Fidelino de Figueiredo, que escreve que na Ilha Namorada, com o amor que em toda a viagem provavelmente lhes faltou, os nautas lusitanos receberam outra forma superior de prêmio, recompensa puramente intelectual: a contemplação do universo ou o exame direto da Máquina do Mundo.
8. Mas logo trata de investigar as origens históricas daquelas estâncias que outrora lhe pareceram superfetação didática na estrutura da obra, e guiado por Soldati, crítico e editor de Pontano, através dos meandros da poesia astrológica da Antiguidade e do Renascimento, o autor da Épica Portuguesa adverte-nos de que no patrimônio cultural da Renascença há uma forma de poesia sábia sobre o céu e as relações dos homens com ele, poesia de longa e nobre tradição que direta ou indiretamente poderia ter influído em Camões no momento da gestação do canto décimo, não se sabendo ao certo se a hipótese se confirma.
3. UMA “CATÁBASE” NOS CANTOS IX E X DOS LUSÍADAS?
1. Se não o fascinasse a hipótese de uma direta ou indireta influência de escritos renascentistas na gênese da cosmologia do canto décimo, estamos certos de que o Prof. Fidelino de Figueiredo teria nomeado a obra que mais estranhamos nunca ser mencionada no seu livro: o Comentário de Macróbio ao Somnium Scipionis.
2. O texto do gramático latino não foi descoberto ou recuperado pelos filólogos do Renascimento, pois se num século, desde 1472, ano em que foi impressa em Veneza a edição príncipe, até 1574, ano chegando à presumível data em que morreu Camões, o comentário foi reimpresso umas trinta vezes e depois em três séculos, isto é, de 1574 a 1893, só mais quinze vezes, o fato pode significar a persistência no mundo moderno do enorme interesse que o mundo medieval manifestou por essa obra que em parte fora compêndio de astronomia e em parte um dos raros compêndios de filosofia platônica, ou a promoção das tendências astrológicas e astronômicas peculiares ao Renascimento que precedem o triunfo definitivo de Copérnico sobre Ptolomeu.
3. Em todo o caso não é menos verossímil que Camões tenha lido o Macróbio divulgado pelas escolas medievais do que o Pontano ou qualquer outro escritor recomendado e espalhado pela moda italiana, sendo certo que o reinado de D. João II marca o início das disciplinas clássicas em Portugal mas não menos certo que a oposição peninsular à Reforma contrariou quanto pôde a difusão do humanismo, e por isso é tão verossímil que a fonte de Camões tenha sido o Pontano moderno como o Macróbio medieval, e se uma hipótese é mais provável do que a outra, em caso de ser necessário excluir uma delas, inclinar-nos-íamos decididamente para eliminar a primeira.
4. Alguns manuscritos medievais do Comentário de Macróbio incluem o texto original de Cícero, e antes de 1531 Duarte de Rezende traduziu-o em vernáculo, pois desse ano data a primeira impressão na oficina de Germão Galhardo em Coimbra do fragmento da República, sendo a tradução de Rezende mais um indício da grande estima de que teria desfrutado em Portugal a obra de Macróbio, estima corrigida ou disciplinada agora pelo gosto que inclinou o erudito lusitano a verter o comentado e não o comentador.
5. Mais um passo no caminho para as fontes do Canto Décimo conduzirá a apreciar a vantagem da hipótese Cícero sobre a hipótese Pontano, pois até hoje não se conseguiu obter um exemplar do poema de Pontano, mas depreende-se do exposto pelo Prof. Fidelino de Figueiredo que se trata de um segmento italiano da linha tradicional representada por Arato em língua grega e por Manílio em língua latina, e na maior parte desenvolveria metricamente proposições de ciência astronômica da sua época, ora o fragmento de Cícero e o comentário de Macróbio abrangem uma temática bastante mais vasta, e acontece que o excedente nesses textos latinos corresponde de certo modo ao excedente nos versos portugueses, e em ambos os casos tal excedente da astronomia é uma escatologia.
6. Nas páginas de Salgado Júnior e Fidelino de Figueiredo precedentemente referidas não faltam sinais de que os ilustres professores não andavam longe de admitir que a cosmologia do canto décimo, fazendo parte desse quadro mais amplo que é a apoteose do Gama, poderia revestir-se efetivamente do significado escatológico que se tenta assinalar, testemunhando-o as últimas linhas citadas de Os Lusíadas e a Viagem do Gama, algumas já transcritas de A Épica Portuguesa no Século XVI e outras da mesma obra cuja menção é vedada pelo tão breve espaço concedido a uma comunicação.
7. A estância LXXXII, que tanto surpreende a crítica moderna, encontra-se precisamente onde devia estar se na realidade Camões teve o intuito de influir no juízo da mesa censória, pois até o fim do canto VIII pode dar-se como certo que os deuses apenas serviram os desígnios artificiosos do poeta que se propusera verter a história em epopeia, mas no canto X é que urgia um expediente advocacial, nem que fosse ao preço de escandalizar as mesas censórias da posteridade, pois o mito, em vez de ficar à porta da realidade como acontecera nos primeiros cantos, nela se precipitava agora por larga brecha que ele próprio recortava à medida da sua estatura no sobrevivente tecido da poesia antiga.
8. A irrealidade de Baco, Vênus e Júpiter tinha de ser manifestamente expressa para desviar a atenção da realidade de Tétis e das Ninfas, e não se ousará afirmar peremptoriamente que muito verso do Canto IX não dissimule no seu inocente erotismo as míticas dimensões da Ilha Namorada, pois de quanto mais colorido, aroma e sabor da terra se revestissem os amores, tanto mais longe da imaginação do leitor permaneceria a suspeita de que todos aqueles versos finais, como muitos das antiquíssimas epopeias grega e latina, também compunham uma catábase.
9. Catábase, no étimo sentido da palavra, é uma descida, e descida aos infernos é o canto XI da Odisseia e o canto VI da Eneida, não havendo dúvida que Vergílio imitou Homero, e perguntando-se se teria Camões imitado Vergílio nos cantos IX e X d'Os Lusíadas, ao primeiro exame a questão parecendo decidir-se sensatamente pela negativa, mas se nos recolhermos à memória do que foi, não esta ou aquela descida aos infernos mas toda a antiga literatura das catábases, já não se afigura tão fácil nem tão sensata a negação.
10. Com efeito, além de um gênero poético cujas espécies se representam gloriosamente pelos cantos XI da Odisseia e VI da Eneida, há um gênero filosófico cujos espécimes mais conhecidos são o mito de Er do livro X da República de Platão e o Somnium Scipionis que termina a República de Cícero, não havendo dúvida de que Cícero imitou Platão como Vergílio imitou Homero, e perguntando-se se teria Camões imitado Cícero nos cantos IX e X d'Os Lusíadas, também neste caso a questão se decidiria pela negativa se o confronto da catábase cicerônica com a catábase camoniana demasiado se demorasse no pormenor.
11. Imitar não é copiar, pois se o fosse não teria existido uma literatura latina, e Vergílio imitou Homero mas o descensus da Eneida não é a Nekyía da Odisseia, Cícero imitou Platão mas a reminiscência do Panfílio não é a aparição onírica do Africano, podendo Camões ter imitado Vergílio ou Cícero ou ambos os escritores, mas a Ilha Namorada não será por isso Inferno ou Elísio.
12. Para além das singularidades da imaginação poética ou da conceptualização filosófica que distinguem umas das outras as catábases de Homero, Vergílio, Platão, Cícero e Camões, há um traço que é característica comum a todo esse gênero de composições: a experiência única e excepcionalíssima do herói, pois a Ulisses, Eneias, Er, Scipião e Gama sucede o que a bem poucos terá sucedido, e quando sucede, uma só vez na vida.
13. Outro traço não menos característico é este: a grande aventura, única e excepcional, compreende como momento culminante uma visão do futuro, pois Ulisses saberá por Tirésias do seu regresso à Ítaca, Eneias ouvirá de Anquises a história de Roma, Er da Panfília regressa do Além com a revelação da Grande Justiça que o espera depois da morte, Scipião Emiliano escutará do primeiro Africano o relato comovente das glórias e misérias que lhe cabem em sorte na vida terrena, e o Gama ficará ciente de que a viagem à Índia abriu o caminho do Império.
14. Experiência única e culminando em uma visão do futuro, se tal é a essência das catábases, catábase é decerto o final d'Os Lusíadas, e os traços comuns justificam pelo menos um paralelo que se agrupa naturalmente com os do Adamastor-Polifemo, sonho de D. Manuel-sonho de Eneias, e todos os demais que a análise comparativa já estabeleceu ou venha a estabelecer entre a epopeia portuguesa e as epopeias clássicas.
15. Admitindo hipoteticamente que Camões, imitando Cícero, ao passo em que concebia um final d'Os Lusíadas semelhante ao final da República, no mesmo passo intentou extrair todas as consequências da imitação, e nesse caso não seria de admitir igualmente que Os Lusíadas devem ser relidos e reinterpretados como se fossem a República de Camões?
16. Inversamente: se a análise literária pudesse mostrar que Os Lusíadas representam em forma de epopeia um verdadeiro tratado ético-político, não ficaria demonstrado também que a autêntica fonte da cosmologia do Canto X é o Somnium Scipionis?
17. Eis a hipótese que se submete à apreciação dos ilustres e esclarecidos mestres de Literatura Portuguesa e Brasileira, com o firme propósito de escutar, na mesma disponibilidade de espírito, os argumentos que a defendam ou refutem.
