KRISTOFER SCHIPPER
KSCT
Cada vez mais, o Ocidente descobre a medicina chinesa e, em particular, a acupuntura. Mas esquece facilmente que essa ciência do corpo depende, por sua vez, de um pensamento específico e antigo: o taoísmo.
Pouco estudada, e essencialmente em publicações especializadas, permanecendo praticamente desconhecida do grande público, essa religião própria da China deve hoje ser redescoberta ali onde se tentou abolir: na vida cotidiana do povo.
Consequentemente, o presente livro trata do corpo social como do corpo físico, da liturgia como das práticas de “alimentar a vida”, da mitologia como da mística. Ele busca destacar os laços que o taoísmo estabelece entre os diferentes aspectos aparentemente contraditórios da existência humana.
Este tema abrange o conjunto das tradições taoístas. Tentar uma síntese, em um domínio tão vasto e tão pouco conhecido, é um desafio, e ninguém mais do que eu mesmo está ciente do caráter audacioso dessa empreitada.
Se, no entanto, tentei escrever uma obra geral sobre o taoísmo, foi, em primeiro lugar, porque me pareceu necessário, no contexto da sinologia atual, estabelecer a ligação entre os dados de campo e a organização litúrgica das comunidades locais, por um lado, e as fontes antigas e os textos do Cânone taoísta, por outro.
