III
Mitchell
If you overesteem great men,
people become powerless.
If you overvalue possessions,
people begin to steal.
The Master leads by emptying people's minds
and filling their cores,
by weakening their ambition
and toughening their resolve.
He helps people lose everything they know,
everything they desire,
and creates confusion
in those who think that they know.
Practice not-doing,
and everything will fall into place.
Haven
Não exaltar os homens de valor,
a fim de que o povo não rivalize.
Não estimar os bens difíceis de adquirir,
a fim de que o povo não roube.
Não exibir o que provoca a cobiça,
a fim de que o coração do povo não se conturbe.
Por isso o Santo-Homem tem por regra fazer o vazio nos corações
e encher os estômagos.
Enfraquece as vontades e fortalece os ossos.
Faz com que o povo seja sem saber e sem desejos,
de modo que os que sabem não ousem agir.
Pratica o Não-agir,
e assim nada há que não seja bem governado, certamente.
Waley
If we stop looking for “persons of superior morality” to put in power,
There will be no more jealousies among the people.
If we cease to set store by products that are hard to get,
There will be no more thieves.
If the people never see such things as excite desire,
Their hearts will remain placid and undisturbed.
Therefore the Sage rules
By emptying their hearts
And filling their hearts?
Weakening their intelligence
And toughening their sinews
Ever striving to make the people knowledgeless and desireless.
Indeed he sees to it that if there be any who have knowledge,
They dare not interfere.
Yet through his actionless activity all things are duly regulated.
Legge
Not to value and employ men of superior ability is the way to
keep the people from rivalry among themselves; not to prize articles
which are difficult to procure is the way to keep them from becoming
thieves; not to show them what is likely to excite their desires is
the way to keep their minds from disorder.
Therefore the sage, in the exercise of his government, empties
their minds, fills their bellies, weakens their wills, and strengthens
their bones.
He constantly keep them without knowledge and without
desire, and where there are those who have knowledge, to keep them
from presuming to act . When there is this abstinence from
action, good order is universal.
Ames
Not promoting those of superior character
Will save the common people from becoming contentious.
Not prizing property that is hard to come by
Will save them from becoming thieves.
Not making a show of what might be desired
Will save them from becoming disgruntled.
It is for this reason that in the proper governing by the sages:
They empty the hearts-and-minds of the people and fill their stomachs,
They weaken their aspirations and strengthen their bones,
Ever teaching the common people to be unprincipled in their knowing
And objectless in their desires ,
They keep the hawkers of knowledge at bay.
It is simply in doing things noncoercively 8
That everything is governed properly.
Wieger
A. Ne pas faire cas de l’habileté, aurait pour résultat que personne ne se pousserait plus. Ne pas priser les objets rares, aurait pour résultat que personne ne volerait plus. Ne rien montrer d’alléchant, aurait pour effet le repos des cœurs.
B. Aussi la politique des Sages consiste t elle à vider les esprits des hommes et à remplir leurs ventres, à affaiblir leur initiative et à fortifier leurs os. Leur soin constant, est de tenir le peuple dans l’ignorance et l’apathie.
C. Ils font que les habiles gens n’osent pas agir. Car il n’est rien qui ne s’arrange, par la pratique du non agir.
Toda emoção, toda perturbação, toda perversão da mente provém do fato de ela ter entrado em contato, por meio dos sentidos, com objetos externos atraentes e sedutores. A visão do luxo dos arrivistas cria os ambiciosos. A visão de objetos preciosos acumulados cria ladrões. Eliminem todos os objetos capazes de tentar, ou pelo menos o conhecimento deles, e o mundo desfrutará de uma paz perfeita. Transformem os homens em animais de trabalho produtivos e dóceis; certifiquem-se de que, bem alimentados, eles não pensem; impeçam toda iniciativa, suprimam todo empreendimento. Sem saber nada, os homens não terão invejas, não exigirão vigilância e renderão lucros ao Estado.
Duyvendak
En n’exaltant pas les hommes de talent, on obtient que le peuple ne lutte pas.
En ne prisant pas les biens d’acquisition difficile, on obtient que le peuple ne soit pas voleur.
En ne lui montrant pas ce qu’il pourrait convoiter, on obtient que le cœur du peuple ne soit pas troublé.
Voilà pourquoi le Saint, dans son gouvernement, vide le cœur et remplit leur ventre, affaiblit leur volonté et fortifie leurs os, de manière à obtenir constamment que le peuple soit sans savoir et sans désirs, et que ceux qui savent n’osent pas agir. Il pratique le Non agir, et alors il n’y a rien qui ne soit bien gouverné.
A expressão “exaltar os homens de talento” é provavelmente uma alusão aos capítulos 8, 9 e 10 de Mo Ti, que levam esse título. Também na escola confucionista esse tema é frequente.
As honras geram ambição, a riqueza gera ganância: essas duas paixões conduzem a esforços e atividades que não se coadunam com o Caminho. Em sua aplicação política, o taoísmo é, portanto, anticultural; foi esse aspecto que encontrou um desenvolvimento prático na Escola Legalista. Ver também XII e Chuang-tzu, XXIII (Legge, II, pp. 67–77). O termo “Santo”, também empregado pela escola confucionista, designa o homem sábio e perfeito que compreende o Caminho e o segue. Prefiro traduzir por “Santo” em vez de “Sábio”, para destacar a ideia da força mágica própria de tal “Santo”.
Ma Siu-louen propõe eliminar as palavras: “Ele pratica o Não-agir”, porque essa ideia é desenvolvida em XXXVII. Tal correção, no entanto, deixa o restante da frase, começando por “então”, completamente sem sentido. Não a considero desejável, e ela não é necessária, pois a ideia de não-agir está implícita em todo o capítulo. Quanto à expressão “os bens de difícil aquisição”, ver XII e LXIV.
Matgioi
N'exalter pas les Sages, (c'est) vouloir que les hommes ne luttent pas.
Sans richesses, il est très difficile de s'enrichir : (c'est) vouloir que les hommes ne s'occupent pas d'intérêts.
Ne pas regarder ce qui invite à sentir et à désirer, les hommes (ont) ainsi le cœur tranquille.
Voici que l'homme parfait commande :
Cœur vide : beaux dehors.
Faible apparence : corps vigoureux.
(C'est) vouloir que les hommes ne comprennent-pas, ne désirent pas.
(C'est) vouloir connaître agir, et ne pas aller jusqu'à agir.
Agir (consiste aussi à) ne pas agir. Ainsi, jamais on n'est sans agir.
III. — Não exaltar os sábios é querer que os homens não lutem; sem riqueza, e com a dificuldade de enriquecer, é querer que os homens não combatam por seus interesses; não olhar para as coisas do desejo e do sentimento é querer que os homens tenham o coração tranquilo. Eis o que o homem perfeito ordena: coração vazio, belos exteriores; aparências fracas, corpo vigoroso. É querer que os homens não saibam nem desejem. É querer conhecer agir, e não ir até agir. Agir consiste também em não agir. Assim, nunca se está sem agir.
Eis aqui o meio de atenuar as consequências da ação e o sentimento dualista provocado pela ação na consciência humana. O Mestre apreende a ação e suas consequências nos três mundos: no material, é a riqueza; no sentimental, é o desejo; no intelectual, é a sabedoria. Ora, a visão da riqueza conduz à luta aqueles que não a possuem; a apetência do desejo conduz à paixão os homens que não têm o coração tranquilo; a exaltação dos sábios conduz à revolta aqueles que não possuem a sabedoria.
Luta material, paixão sentimental, revolta intelectual: tais são os três deploráveis estados criados pela ação, mesmo julgada boa pela consciência, e pela repetição da ação. Se, pois, se está no estado humano de consciência, é necessário atenuar as consequências: é necessário não possuir riquezas, é necessário desprezar as coisas do desejo, é necessário não colocar os sábios em evidência. Assim, e apesar da ação, poderá conservar-se a paz, ocultando ao povo as consequências sempre fatais da ação. Portanto, o mandamento do homem perfeito e a regra de sua conduta é possuir o coração isento de paixão e vazio de sentimento sob um espírito afável e sob uma inteligência vasta; é também possuir, com um temperamento vigoroso e com um caráter forte, o mínimo de paixões possível.
Todas as riquezas, morais como materiais, permanecem assim ocultas sob «belos exteriores». O povo, que não as conhece, não as deseja, e assim seu coração permanece tranquilo.
Entretanto, que faz o homem sábio, dotado em segredo de toda a vontade e de todo o poder? Aplica-se a não agir. E, ao querer não agir, age na realidade; por isso, sua não-ação não é uma inação, mas uma ação verdadeira. Ao mesmo tempo, age e não age. E assim é semelhante à Via, que produziu os seres sem participar de seus movimentos. A vontade de ser não-agente, tal é a soma de todas as ações; a vontade de ser imóvel, tal é a soma de todos os movimentos; a vontade de ser sem paixão, tal é a soma de todos os desejos. E assim, o homem dotado possui, no total e na realidade, todas as coisas das quais não quis, em aparência e em particular.
