Ver-se no estado de sono profundo
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Vamos prestar atenção a esta proposição…˜ “É absolutamente impossível que sejamos agora outros do que éramos quando o estado de nascimento ainda não estava conosco”…˜ Para compreender profundamente essa proposição…˜ vejamos se, em nosso estado de sono profundo, somos outros do que somos quando o estado de vigília está conosco…˜ Perguntemos a nós mesmos…˜ “Será que aquele que dorme profundamente é um, e esse ‘nós’ em quem surge a vigília é outro diferente?…˜ Serei eu, quando durmo profundamente, um…˜ e esse meu próprio eu, em quem surge a vigília deste universo, outro diferente?…˜ O que é que não está comigo…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ Em quem estou eu integralmente…˜ quando estou dormindo profundamente?… ˜ Em que consiste meu ser, aquilo que eu sou…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ Quem sabe onde estou?…˜ Que espacialidade me contém?…˜ Que temporalidade mede minha duração?… ˜ Como faço para que eu seja o que sou…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ O que é que não está comigo…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ Como sinto falta do estado de vigília quando estou dormindo profundamente?…˜ Como sinto falta deste mundo de vigília quando estou dormindo profundamente?…˜ Quanto anseio por acordar quando estou dormindo profundamente?… ˜ Em que conceito me vejo a mim mesmo como sendo…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ Onde está minha masculinidade ou minha feminilidade…˜ quando estou dormindo profundamente?…˜ Em que consistem minhas virtudes e meus vícios quando estou dormindo profundamente?…˜ Como posso dizer que sou algo ou tudo o que não está comigo em meu sono profundo?”…˜
Vamos nos aprofundar ainda mais em nós mesmos…˜ Aquele que dorme meu sono profundo é um…˜ e aquele que faz essas perguntas é outro?…˜ Quantos sou eu?…˜ Quantos eu era…˜ quando esse estado de nascimento não estava comigo?…˜
Vejamos que é absolutamente impossível que sejamos agora outro que não aquele que somos quando o estado de nascimento não existe…˜ Vejamos que o estado de nascimento é análogo ao estado de vigília…˜ Sabemos tudo o que não está conosco no estado de sono profundo…˜ No entanto…˜ não duvidamos de que nós…˜ o que realmente somos…˜ é integralmente o que somos no estado de sono… ˜ O fato de não haver nada do que não somos no estado de sono profundo…˜ não nos assusta…˜ Por que…˜ por que não nos assusta que não haja nada do que não somos no estado de sono profundo?…˜
Da mesma forma deve ser nossa visão de nós mesmos quando o estado de nascimento ainda não existia…˜ O fato de não haver nada do que não sejamos no estado em que o nascimento ainda não existia…˜ não pode nos assustar, a menos que tenhamos aceitado ser o que não somos…˜
O intolerável não é outra coisa senão ter aceitado que somos o que não estava conosco quando o estado de nascimento ainda não existia…˜
É absolutamente impossível que sejamos alguma vez o que não está conosco quando o estado de nascimento ainda não existia…˜ Esse homem ou essa mulher está conosco…˜ quando o estado de nascimento ainda não existia?…˜ Nós sabemos a resposta…˜ Não está…˜ Vemos isso com toda a clareza…˜ E, ao mesmo tempo em que estamos vendo isso…˜ estamos nos vendo a nós mesmos sem esse homem ou essa mulher…˜ O que há de inquietante em nos vermos assim, sem nascimento?… ˜ O que há de inquietante em nos vermos assim quando o estado de nascimento ainda não existia?…˜
É igualmente impossível que sejamos, em algum momento, aquilo que já não estará conosco quando esse estado de nascimento já não existir…˜ Por isso…˜ entrem assiduamente em seu próprio jardim…˜ quando o estado de nascimento ainda não existia…˜
