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TIMALSINA, Sthaneshwar. Seeing and Appearance: The Problem of Perception in Advaita Vedānta. Aachen: Shaker Verlag, 2006.

Dṛṣṭisṛṣṭi à luz das diferentes doutrinas advaitas

Organização do Advaita em múltiplos modelos

1. A unidade essencial de tudo o que existe, fundamentada nas Upaniṣads, deu origem a diferentes escolas vedânticas, cuja diversidade interpretativa impede reduzir seus ensinamentos a uma única orientação e exige reconhecer modelos distintos também no interior do Advaita de Śaṅkara.

2. A não dualidade pode ser defendida por diferentes modelos argumentativos, de modo que as divergências entre filósofos não decorrem apenas de posições pessoais, mas também das estruturas doutrinárias que orientam suas interpretações.

3. O desenvolvimento advaita do conceito védico de puruṣa, em contraste com a pluralidade defendida pelo Sāṃkhya, permite reconhecer uma orientação inicial favorável à singularidade do eu, fundamentada na concepção de um puruṣa cósmico único.

4. A singularidade ou pluralidade dos jīvas constitui uma divergência relativa à experiência fenomênica, sem alterar a identidade última entre eu e Brahman, sendo a doutrina do jīva único (Ekajīva) considerada por Madhusūdana um ensinamento principal e identificada com Dṛṣṭisṛṣṭi.

5. A explicação do mundo diante da realidade exclusiva de Brahman produz modelos distintos que atribuem sua origem à ignorância, ao Absoluto, ao Senhor, ao eu empírico ou à combinação desses princípios, variando também a relação entre māyā e avidyā.

6. O primeiro Advaita distingue predominantemente realidade absoluta e aparência, sem separar o convencional do ilusório, enquanto as escolas Bhāmatī e Vivaraṇa desenvolvem três graus de realidade, diferentemente de Dṛṣṭisṛṣṭi, que conserva uma estrutura de dois níveis.

7. A natureza do mundo empírico pode ser compreendida como ilusão, manifestação de poder divino, efeito da ignorância ou inexistência de entidades independentes, alternativas que produzem diferenças substantivas na compreensão da experiência e da realidade suprema.

8. As divergências internas ao Advaita aparecem desde Gauḍapāda, incluindo questões sobre a origem do mundo e a relação entre sonho e vigília, sem comprometer a identidade geral da tradição não dualista.

9. O diálogo com outras filosofias contribui para a formação de modelos distintos, enquanto Bhāmatī e Vivaraṇa divergem sobre Brahman, māyā, os meios imediatos de realização e as prescrições relativas à escuta védica, sobretudo quanto ao papel da ação na libertação.

10. A coexistência de modelos advaitas desde Śaṅkara pode ser compreendida mediante diferentes níveis de realização espiritual, aos quais Sarvajñātman associa explicações como transformação da consciência, aparência ilusória e experiência exclusiva de Brahman.

11. As posições incompatíveis sobre o substrato da ignorância e a quantidade de jīvas não podem ser reunidas num único modelo coerente, embora autores como Citsukha e Appayya tenham sistematizado sua coexistência dentro da mesma tradição.

12. O reconhecimento da diversidade interna preserva a complexidade do Advaita e permite situar historicamente Dṛṣṭisṛṣṭi mediante sua comparação com outras doutrinas, começando pelas aproximações com a não originação de Gauḍapāda.

Ajāti e Dṛṣṭisṛṣṭi

1. As semelhanças entre o ilusionismo de Gauḍapāda e Dṛṣṭisṛṣṭi favorecem sua aproximação, mas não autorizam identificá-los sem examinar os aspectos em que concordam e aqueles em que divergem.

2. A reconstrução histórica de Dṛṣṭisṛṣṭi exige examinar a distinção entre realidade e aparência nos textos antigos, compreendendo essa classificação como recurso pedagógico subordinado à afirmação da consciência única, em contraste com a posterior admissão de uma realidade convencional intermediária.

3. A comparação entre Gauḍapāda e Dṛṣṭisṛṣṭi apoia-se especialmente na distinção entre real e ilusório e na recusa da criação, elementos também relacionados à tradição Mahāyāna.

4. A distinção entre verdade real e aparência ilusória aproxima a terminologia de Gauḍapāda de formulações budistas, embora essa proximidade não implique identidade conceitual.

5. A não originação (ajāti) nega que qualquer criação efetiva ocorra, apresentando afinidades com a recusa mahāyāna do nascimento das entidades.

6. Para Gauḍapāda, o fenomênico é ilusório e nunca aconteceu realmente, enquanto a distinção mahāyāna entre verdade relativa e última corresponde, nessa comparação, a perspectivas que possuem validade própria.

7. A não originação vedântica associa a negação da criação à afirmação de uma realidade absoluta não nascida, ao passo que a formulação budista se restringe à negação do nascimento, impedindo identificar integralmente as duas doutrinas.

8. Madhusūdana e outros comentadores utilizam as Kārikās de Gauḍapāda como apoio a Ekajīva e Dṛṣṭisṛṣṭi, mas não atribuem explicitamente a Gauḍapāda a formulação dessa última doutrina.

9. A ausência de uma defesa explícita da consciência pura e do jīva único, a hierarquia dos estados de consciência e a centralidade da ilusão distinguem Gauḍapāda de Dṛṣṭisṛṣṭi, tornando insuficiente a analogia compartilhada do sonho para estabelecer sua identidade.

10. Dṛṣṭisṛṣṭi aproxima-se de Ajāti ao reduzir a criação à visão, seja entendida como aparência falsa, seja como consciência pura, pois ambas as interpretações recusam uma criação efetivamente distinta de seu fundamento.

11. Ajāti nega diretamente a criação, enquanto Dṛṣṭisṛṣṭi a redefine como consciência não dual ou experiência condicionada pela ignorância, utilizando o sonho para demonstrar a natureza consciente de tudo o que aparece.

12. O ilusionismo de Gauḍapāda influencia Dṛṣṭisṛṣṭi, mas a afirmação de que tudo o que é percebido é ilusão difere da afirmação de que tudo o que existe é consciência, cuja defesa se apoia sobretudo na análise da percepção e na impossibilidade de confirmar diferenças.

13. A recusa da realidade das experiências pode ser estendida aos sujeitos e aos objetos como sobreposições num único eu, mas Dṛṣṭisṛṣṭi também admite uma fundamentação pela identidade entre aquilo que aparece e a própria consciência.

14. As interpretações de māyā e avidyā variam quanto à unidade, multiplicidade e função da ignorância, sendo a identificação entre ambas comum a Gauḍapāda, Ābhāsa e Dṛṣṭisṛṣṭi, enquanto a passagem da ilusão à ignorância desloca a investigação da ontologia para a natureza do conhecimento.

15. A interpretação de Dṛṣṭisṛṣṭi como ensinamento superior reconhece apenas a consciência imediatamente experimentada e explica a experiência ordinária pela ignorância, distinguindo sua investigação da experiência da ênfase de Gauḍapāda nos fenômenos do mundo.

Quatro modelos de Advaita

1. A diversidade advaita decorre de diferentes argumentos destinados a estabelecer a mesma não dualidade e pode ser compreendida mediante modelos doutrinários, seguindo a sistematização de autores como Appayya e Madhusūdana.

2. Dṛṣṭisṛṣṭi constitui uma conclusão de debates mais amplos sobre ignorância, jīva, Senhor e graus de realidade, exigindo uma comparação dessas questões nos diferentes modelos advaitas.

Ābhāsavāda

1. A doutrina Ābhāsa articula sua explicação da individualidade, da divindade e da libertação mediante os condicionamentos aparentes da consciência.

2. Īśvara é o eu condicionado pela ignorância e identificado com ela.

3. O jīva é o eu condicionado pela cognição e identificado com ela, de modo que a multiplicidade das cognições faz uma consciência única parecer diferente em cada sujeito.

4. A servidão consiste na aparência da consciência pura, enquanto a retirada dessa aparência constitui a libertação.

5. A realização ocorre pela implicação que abandona o sentido falso (jahallakṣaṇā), assim como um príncipe deixa de considerar-se caçador, sem precisar produzir ou estabelecer sua verdadeira identidade.

Pratibimbavāda

Segundo Prakāśātman

1. Īśvara é a consciência original (bimbacaitanya) condicionada pela ignorância.

2. O jīva é a consciência refletida na ignorância, sendo esta determinada pelo órgão interno e pelas impressões mentais.

Segundo Sarvajñātman

1. Īśvara é a consciência refletida na ignorância.

2. O jīva é a consciência refletida na cognição.

3. A consciência original não condicionada pela ignorância permanece pura.

Pontos de concordância

1. A diversidade das cognições fundamenta a multiplicidade dos jīvas.

2. Os enunciados destinados à realização do eu empregam uma implicação que abandona certos sentidos e conserva outros (jahadajahallakṣaṇā).

3. O substrato e o objeto da ignorância coincidem.

4. A ignorância primordial é única.

5. A mente não constitui um órgão sensorial.

6. A ignorância localiza-se na consciência pura.

Avacchedavāda

1. Īśvara é apresentado por Madhusūdana como consciência tornada objeto da ignorância, enquanto outra explicação o distingue do jīva por transcender o fator limitante que condiciona a consciência individual.

2. O jīva é a consciência que sustenta a ignorância, e sua pluralidade corresponde à multiplicidade das ignorâncias.

3. Cada jīva possui um mundo próprio porque o eu individual condicionado pela ignorância constitui sua causa material.

4. A causalidade do mundo é atribuída a Īśvara por ser o fundamento da ignorância, dos jīvas e do próprio mundo.

5. A mente é considerada um órgão sensorial.

6. Nenhuma entidade existe fora do domínio do conhecimento.

Dṛṣṭisṛṣṭivāda

Modelo 1

1. Īśvara é a consciência original condicionada pela ignorância.

2. O jīva é a consciência refletida na ignorância.

Modelo 2

1. Īśvara é a consciência pura não condicionada pela ignorância.

2. O jīva é a consciência condicionada pela ignorância.

Elementos comuns aos modelos 1 e 2

1. O próprio jīva constitui tanto a causa material quanto a causa instrumental do mundo.

2. Tudo o que é percebido possui apenas a condição de aparência.

3. A pluralidade dos corpos produz a percepção equivocada de uma pluralidade de jīvas.

4. A servidão e a libertação são apenas imaginadas.

5. A formulação de Dṛṣṭisṛṣṭi apresentada por Madhusūdana aproxima-se de Pratibimba na definição de Īśvara e jīva e de Avaccheda na causalidade individual, mas encontra em Ābhāsa a maior parte de seus elementos doutrinários.

6. A singularidade da experiência de si também aparece na escola Vivaraṇa, mas a combinação de pluralidade dos jīvas, ignorância localizada nos indivíduos e três graus de realidade torna o modelo de Maṇḍana e Vācaspati incompatível com a identidade estrita entre criação e visão.

7. A autoconsciência, admitida por todos os advaitas, permite aos defensores de Dṛṣṭisṛṣṭi concluir que somente a consciência pode ser confirmada, embora os termos que a designam assumam sentidos diferentes nos diversos modelos da doutrina.

Sṛṣṭidṛṣṭi e Dṛṣṭisṛṣṭi

1. A sistematização posterior a Madhusūdana reúne diferentes orientações advaitas em Sṛṣṭidṛṣṭi, que admite entidades independentes da percepção, e Dṛṣṭisṛṣṭi, que faz sua existência depender da consciência perceptiva, embora essa distinção não esgote todos os usos históricos da segunda doutrina.

2. Os dois modelos organizam argumentos dispersos na tradição, recebendo de Dharmadatta Śarmā uma síntese sistemática que os apresenta como polos contrastantes da filosofia advaita.

Princípios centrais de Sṛṣṭidṛṣṭi

1. O mundo é uma transformação da ignorância constituída por três qualidades, tendo a vontade divina como causa instrumental e os fatores cármicos não percebidos como condições auxiliares.

2. Sṛṣṭidṛṣṭi consiste no conhecimento ou visão que ocorre quando uma criação já existe independentemente dele.

3. As entidades produzidas pela ignorância conservam existência fenomênica mesmo quando não são conhecidas.

4. A permanência das entidades permite seu reconhecimento em diferentes momentos e sua percepção por vários sujeitos.

5. A realidade absoluta, a realidade empírica e a aparência ilusória constituem três graus distintos, sendo sonhos e erros perceptivos exemplos do último.

6. A admissão exclusiva de uma consciência sem forma impediria distinguir objetos e explicar sua eficácia causal, pois qualquer ação poderia decorrer indistintamente de qualquer conhecimento.

7. Todas as entidades são sobrepostas ao Brahman não dual, cuja natureza consciente as permeia.

8. A distinção entre realidade empírica e sonho procura separar Sṛṣṭidṛṣṭi das interpretações budistas que equiparam os fenômenos a aparências ilusórias, impedindo classificar o mundo ordinário como simplesmente fictício.

9. O erro perceptivo conserva uma dimensão de apreensão direta porque um objeto é conhecido, embora seja interpretado como outro, como ocorre quando uma concha aparece como prata.

10. A percepção de um objeto corresponde à identidade entre a consciência delimitada por esse objeto e a consciência do conhecedor condicionada pela modificação mental correspondente.

Princípios centrais de Dṛṣṭisṛṣṭi

1. A doutrina dirige-se aos indivíduos dotados de uma mente plenamente purificada e de elevada capacidade de compreensão.

2. Os objetos dos sonhos e dos erros diferem da inexistência absoluta porque aparecem antes de serem invalidados, e o mundo empírico possui esse mesmo grau de realidade aparente.

3. Dṛṣṭi significa manifestação ou aparência consciente (pratīti).

4. Assim como a prata aparente não existe antes da percepção equivocada da concha, não há fundamento para confirmar a existência de entidades desconhecidas, cuja manifestação depende das modificações cognitivas produzidas sob a ignorância de Brahman.

5. Dṛṣṭisṛṣṭi define-se pela dependência de cada entidade em relação ao conhecimento que dela se possui ou pela impossibilidade de sua existência na ausência desse conhecimento.

6. O reconhecimento de um objeto surge no próprio momento em que ocorre, assim como o objeto aparece no momento em que é conhecido.

7. A destruição e as demais alterações das entidades também pertencem ao domínio da aparência.

8. A diferença em relação às doutrinas budistas reside no reconhecimento de Brahman como fundamento da ignorância e das aparências, sendo a percepção do mundo uma apresentação equivocada da realidade consciente, em vez de uma ilusão sem fundamento.

9. Seis categorias são admitidas como sem começo e exteriores ao âmbito de Dṛṣṭisṛṣṭi: jīva, Īśvara, consciência pura, diferença entre jīva e Senhor, ignorância e relação entre ignorância e consciência.

10. O âmbito de Dṛṣṭisṛṣṭi restringe-se aos objetos sensorialmente perceptíveis, sem abranger impressões mentais e fatores cármicos não percebidos.

11. Todo conhecimento distinto do conhecimento de Brahman possui caráter equivocado.

12. As passagens sobre a criação do espaço e dos demais elementos possuem validade semelhante à dos enunciados que descrevem entidades oníricas.

13. A manifestação dos mundos e das forças vitais a partir do eu que desperta do sono profundo oferece um fundamento upaniṣádico para Dṛṣṭisṛṣṭi, também relacionado por Dharmadatta à visão final de Sarvajñātman e à origem das entidades na ignorância.

14. A interpretação de Dharmadatta retoma grande parte da exposição de Madhusūdana, mas aproxima dṛṣṭi de uma visão momentânea e enfatiza a natureza fictícia da existência, mostrando como orientações centradas no perceber e no percebido podem convergir na não dualidade.

Dṛṣṭisṛṣṭi: um modelo com modelos internos

1. Dṛṣṭisṛṣṭi reúne concepções diversas que não podem ser excluídas apenas para produzir uma definição uniforme, pois a compreensão histórica da doutrina exige conservar os modelos reconhecidos como seus por filósofos como Madhusūdana.

2. A identificação das entidades com sua experiência conduz à definição de Dṛṣṭisṛṣṭi como existência exclusiva daquilo que está no domínio do conhecimento ou inexistência daquilo que não é conhecido.

3. A expressão Dṛṣṭisṛṣṭi pode significar tanto criação idêntica à visão quanto criação contemporânea à visão, produzindo estruturas doutrinárias distintas a partir de diferentes análises do composto.

4. A raridade do termo e a diversidade de seus sentidos entre os séculos VIII e XVI impedem tratá-lo como um conceito fixo, exigindo acompanhar sua transformação histórica, linguística e filosófica.

5. Madhusūdana considera Dṛṣṭisṛṣṭi a doutrina superior do Advaita e defende quatro interpretações possíveis, que não coincidem integralmente com o modelo de Prakāśānanda.

6. A reconstrução de Dṛṣṭisṛṣṭi depende de argumentos distribuídos por diferentes textos e autores, sem uma obra única que reúna sua diversidade de formulações e controvérsias.

7. A classificação posterior entre Dṛṣṭisṛṣṭi e Sṛṣṭidṛṣṭi sistematiza argumentos antigos mediante a distinção entre dois graus de realidade, real e ilusório, ou três graus, real, convencional e ilusório.

8. A consciência admitida por Dṛṣṭisṛṣṭi distingue-se da consciência momentânea do Yogācāra e da consciência dotada de agência e poder intrínseco do Trika Śaiva, embora essas tradições compartilhem parte do vocabulário.

9. Maṇḍana, Sureśvara e Vivaraṇa explicam diferentemente o sujeito da experiência ilusória, atribuindo a ignorância aos indivíduos, ao próprio Brahman ou a níveis de condicionamento que distinguem consciência pura, Senhor e sujeitos empíricos.

10. A concepção de Maṇḍana aproxima-se dos modelos que admitem categorias sem começo e um mundo projetado coletivamente, mas sua defesa da pluralidade dos jīvas, da ignorância individual e da distinção entre empírico e aparente separa-a de Dṛṣṭisṛṣṭi identificada com Ekajīva.

11. No Yogavāsiṣṭha e no Mokṣopāya, imaginar pertence à natureza da consciência e não equivale necessariamente a representar falsamente, enquanto a ignorância consiste em conhecer a consciência de modo diferente daquilo que ela realmente é.

12. A criação como visão admite tanto um modelo de sujeitos múltiplos com experiências relacionadas pelo carma quanto um modelo no qual Brahman imagina sujeito e mundo, sendo o primeiro próximo de Maṇḍana e o segundo de Sureśvara.

13. A simultaneidade entre percepção e criação permite explicar experiências de sujeitos múltiplos sem exigir um objeto idêntico compartilhado, mas é contestada por Vimuktātman e Prakāśānanda, enquanto Madhusūdana associa Dṛṣṭisṛṣṭi à singularidade do sujeito.

14. A história da doutrina exige investigar seus conceitos mesmo quando sua denominação não aparece, distinguindo os sentidos de criação como processo ou produto e os diversos significados de dṛṣṭi desenvolvidos desde as Upaniṣads.

15. A identificação entre criação e visão enfrenta a questão de saber se a própria visão é construída e, portanto, falsa, ou se constitui a realidade, caso em que não há construção efetiva nem servidão em qualquer tempo.

16. A interpretação posterior de dṛṣṭi como modificação mental aproxima-a de uma imagem cognitiva, sendo a mente descrita como assumindo a forma dos objetos e a visão definida por Madhusūdana como consciência condicionada por essa modificação.

17. A fundamentação de Dṛṣṭisṛṣṭi parte da experiência como critério de confirmação da existência e privilegia o eu imediatamente conhecido, embora alguns modelos admitam sujeitos múltiplos e não possam ser identificados com Ekajīva.

18. A ausência da denominação Dṛṣṭisṛṣṭi nas Upaniṣads não implica ausência de seus elementos conceituais, assim como sua falta na obra de Prakāśānanda não impede reconhecê-la como uma formulação central dessa doutrina.

19. A compreensão da visão em si exige examinar a impossibilidade de demonstrar logicamente objetos de conhecimento e, em seguida, esclarecer como a consciência se estabelece por si mesma, sem assumir a dualidade entre sujeito e objeto.

20. A confirmação das entidades pressupõe conhecimento, enquanto a autoconsciência independe delas, de modo que o mundo e as hierarquias entre sujeitos e divindade são modificações aparentes da consciência, reconhecidas como consciência mesma quando a ignorância é superada.

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