(NFIE)
O ponto simples é que a literatura pertence ao mundo que o homem constrói, e não ao mundo que ele vê; pertence ao seu lar, e não ao seu ambiente. O mundo literário é um mundo humano concreto de experiência imediata. O poeta usa muito mais imagens, objetos e sensações do que ideias abstratas; o romancista se preocupa em contar histórias, não em estruturar argumentos. O mundo da literatura é humano em sua forma: é um mundo onde o sol nasce a leste e se põe a oeste por sobre a borda de uma terra plana em três dimensões; onde as realidades primárias não são átomos ou elétrons, mas corpos, e as forças primárias não são energia ou gravidade, mas amor, morte, paixão e alegria. Não espanta que os escritores costumem ser gente bastante simples, e não aquilo que imaginamos como intelectuais, e decerto nem um pouco mais livres da tolice e da perversão que qualquer outra pessoa. O que nos concerne é o que produzem, não quem são; e a poesia, segundo Milton, que entendia do riscado, é “mais simples, sensual e passional” que a filosofia ou a ciência.