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ANJOS SEGUNDO REUCHLIN
BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.
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A doutrina dos anjos em Reuchlin ocupa um lugar estrutural na Cabala cristã, pois articula linguagem, cosmologia e mediação entre Deus e o mundo.
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Os anjos não são concebidos como seres secundários ou decorativos, mas como princípios ativos da ordem do real.
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Eles asseguram a continuidade entre o mundo divino, o mundo celeste e o mundo humano.
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Os anjos pertencem ao domínio do movimento e da mediação.
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Diferentemente de Deus, que é absolutamente imóvel, e do mundo material, submetido ao movimento passivo, os anjos realizam um movimento ativo.
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Esse movimento não é espacial, mas formal e espiritual.
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Trata-se do princípio pelo qual as influências divinas se transmitem à criação.
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A função dos anjos consiste em animar e governar o cosmos.
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Cada esfera celeste é presidida por uma inteligência angélica.
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Essas inteligências orientam os movimentos dos astros e, por seu intermédio, os efeitos no mundo sublunar.
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A ordem astral não é mecânica, mas espiritual e intencional.
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A hierarquia angélica reflete a estrutura do mundo.
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Existe uma correspondência rigorosa entre os graus do ser e os graus angélicos.
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O mundo intelectual, o mundo celeste e o mundo sensível encontram nos anjos seus mediadores próprios.
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Essa hierarquia garante a unidade do cosmos sem abolir sua diversidade.
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Os anjos são inteligências dotadas de linguagem.
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Eles participam da língua divina, ainda que de modo derivado.
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Sua ação está ligada aos nomes e às letras que estruturam a criação.
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A comunicação entre os níveis do ser realiza-se por meio dessa linguagem simbólica.
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A relação entre anjos e almas humanas é central.
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A alma humana ocupa uma posição intermediária, próxima da natureza angélica.
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Por meio do conhecimento, da oração e da contemplação, a alma pode elevar-se até a esfera angélica.
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A Cabala cristã interpreta essa elevação como um retorno à ordem originária da criação.
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A invocação dos anjos não constitui idolatria.
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Os anjos não são fins em si mesmos, mas ministros de Deus.
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Toda invocação legítima se ordena, em última instância, ao Criador.
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A eficácia da invocação depende da pureza da intenção e da conformidade com a ordem divina.
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A distinção entre bons e maus anjos é rigorosamente mantida.
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Os anjos bons participam da luz e da ordem.
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Os maus anjos resultam de uma queda e operam na desordem.
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A Cabala fornece critérios simbólicos para reconhecer essa diferença.
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A doutrina angélica fundamenta a prática cabalística.
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O conhecimento dos anjos é condição para compreender a estrutura do mundo.
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Ele permite articular corretamente linguagem, oração e operação simbólica.
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A Cabala aparece, assim, como ciência das mediações entre Deus, o cosmos e o homem.
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Em Reuchlin, a angelologia permanece essencialmente contemplativa.
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O saber dos anjos visa à elevação espiritual, não à dominação técnica do mundo.
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A função dos anjos é reconduzir o humano à ordem divina.
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A Cabala cristã conserva, desse modo, uma orientação teológica que será progressivamente enfraquecida em Agrippa.
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