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POEMAS HOMÉRICOS
ROHDE, Erwin. Psyche: the cult of souls and belief in immortality among the Greeks. London: K. Paul, Trench, Trubner, 1925.
Capítulo I — Crenças sobre a alma e o culto das almas nos poemas homéricos
I
§ 1
- Para a compreensão imediata da humanidade, nada parece tão evidente e tão pouco carente de explicação quanto o fenômeno da vida, ao passo que a cessação dessa existência provoca no ser humano um assombro sempre renovado.
- Povos primitivos tendem a considerar a morte uma abreviação arbitrária da vida, atribuída a forças invisíveis quando não há causas visíveis.
- Ao fim da reflexão, a própria vida começa a parecer tão misteriosa quanto a morte — e um poeta grego chegou a formular a pergunta: “Quem sabe, afinal, se a Vida não é Morte, e o que aqui chamamos de Morte não é chamado de Vida lá embaixo?”
- Os poemas homéricos, embora representem um estágio avançado da civilização grega, estão ainda distantes dessa sabedoria cansada.
- O poeta e seus heróis expressam com vivo sentimento as dores da vida, mas jamais cogitam abandoná-la por completo.
- Os deuses atribuíram aos homens uma vida de dor e miséria, enquanto permanecem livres de preocupações.
- O mundo homérico, destinado apenas aos fortes, prudentes e poderosos, afirma a vida e a existência terrena como condição indispensável para a obtenção de todos os bens particulares.
- Aquiles, dirigindo-se a Odisseu no Hades, declara: “Não tentes explicar a morte para mim.”
- Nada é tão odioso ao ser humano homérico quanto a morte e as portas do Hades, pois com ela cessa esta doce vida à luz do sol, qualquer que seja o que se segue.
§ 2
- Nenhuma passagem dos dois poemas homéricos — nem mesmo o silêncio do poeta — autoriza a atribuição da crença de que com a morte tudo se encerra, e que nada sobrevive.
- Toda vez que a morte é descrita, narra-se como o morto — ainda referido pelo nome — ou sua psique se apressa para a casa de Aides, o reino de Aides e de Perséfone.
- A psique desce para a escuridão sob a terra, para o Érebo, ou afunda vagamente na própria terra.
- Não é um mero nada que pode entrar nas profundezas sombrias, nem sobre o que não existe se poderia supor que o divino casal reina.
- A psique homérica, imperceptível durante a vida do corpo e observável apenas quando se “separa” dele, desliza para junto da multidão de seus semelhantes nas regiões sombrias do “Invisível” (Aides).
- O nome psique, como os nomes dados à “alma” em muitas línguas, indica algo aéreo e semelhante ao sopro, revelando sua presença na respiração do ser vivo.
- A psique escapa pela boca ou pela ferida aberta do moribundo e, liberta de sua prisão, torna-se uma “imagem” (eidolon).
- Nas fronteiras do Hades, Odisseu vê flutuando “as imagens dos que se afadigaram na terra.”
- Essas imagens imateriais se subtraem ao toque dos vivos como fumaça (Ilíada, XXIII, 100) ou como sombra (Odisseia, XI, 207; X, 495).
- Odisseu reconhece imediatamente sua mãe Antikleia, o recém-falecido Elpenor e seus companheiros de guerra de Troia.
- A psique de Patroklos, ao aparecer a Aquileu durante a noite, assemelha-se ao morto em estatura, aparência corporal e expressão.
- A natureza desse duplo sombrio da humanidade — que se separa do homem na morte — compreende-se melhor a partir do que a psique não possui.
- A psique da crença homérica não representa o que se costuma chamar de “espírito” em oposição ao “corpo”.
- Todas as faculdades do “espírito” humano — para as quais o poeta possui um vocabulário amplo e variado — são ativas e possíveis apenas enquanto o homem está vivo.
- Com a morte, a personalidade completa deixa de existir: o corpo torna-se mera “terra insensível” e se desfaz, enquanto a psique permanece intacta.
- A psique é descrita como desprovida de sentimento, abandonada pela mente e pelos órgãos da mente; todo poder de vontade, sensação e pensamento desaparece com a desintegração do indivíduo.
- Durante a união da psique e do corpo, todas as faculdades de vida e ação residem no império do corpo, do qual são funções.
- Sem a presença da psique, o corpo não pode perceber, sentir ou querer — mas não exercia essas faculdades por meio dela.
- Homero nunca atribui qualquer tal função à psique no ser vivo: ela só é mencionada quando sua separação do vivo é iminente ou já ocorreu.
- Homer apresenta respostas contraditórias à pergunta sobre qual — o corpo ou a psique — constitui o “homem real”.
- Nas primeiras linhas da Ilíada, o corpo material é contrastado como o “próprio homem” com a psique — que não pode ser, portanto, nenhum órgão ou componente do corpo vivo.
- Por outro lado, aquilo que parte na morte e corre para o Hades também é referido pelo nome próprio da pessoa como “ele mesmo” — o que investe a psique sombria com o valor da personalidade completa.
- Isso prova que tanto o homem visível quanto a psique que nele habita podiam ser descritos como o “eu” do homem.
- Segundo a visão homérica, os seres humanos existem duas vezes: uma como forma exterior e visível, e outra como “imagem” invisível que só ganha liberdade na morte — isso, e nada mais, é a Psique.
- A ideia de que a psique habita a personalidade viva e plenamente consciente como um estrangeiro — um duplo mais fraco do homem, seu “outro eu” — é algo que Herbert Spencer demonstrou ser crença difundida entre povos considerados “selvagens” em todo o mundo.
- Não é surpreendente, portanto, encontrar os gregos partilhando um modo de pensar tão próximo da mente primitiva.
- Não foram os fenômenos de sensação, vontade, percepção ou pensamento no homem desperto que levaram a essa conclusão.
- Foi a experiência de um aparente duplo do eu no sonho, no desmaio e no êxtase que deu origem à inferência de um princípio duplo de vida no homem.
§ 3 — (Capítulo I, seção sobre o destino da psique liberada)
- A lógica primitiva, comum em todo o mundo, conduziu às mesmas conclusões acerca da psique — mas a questão sobre para onde vai a psique libertada inaugura “o país não descoberto”, onde os caminhos se dividem completamente.
- Povos primitivos costumam atribuir poderes ilimitados à “alma” desencarnada — poderes tanto mais temíveis por não serem vistos — e dirigem a ela os mais ricos sacrifícios para garantir sua benevolência.
- Homero, ao contrário, nada sabe de qualquer influência exercida pela psique sobre o mundo visível e, consequentemente, quase nada de um culto da psique.
- Todas as psiques sem exceção estão reunidas no reino de Aides, longe dos vivos, separadas deles pelo Oceano e pelo Aqueronte, guardadas pelo próprio deus implacável.
- Apenas um herói lendário como Odisseu pode, talvez, alcançar vivo a entrada desse reino sombrio — as próprias almas, uma vez cruzado o rio, jamais retornam, como a alma de Patroklos assegura a seu amigo.
- Ao partir do corpo, a alma segue para o Hades — relutante e lamentando seu destino, mas sem resistir — e, após a destruição do corpo pelo fogo, desaparece para sempre nas profundezas do Érebo.
- Um poeta posterior, ao dar os retoques finais à Odisseia, introduziu Hermes como o “Guia dos Mortos”, o que constitui uma inovação no círculo perfeitamente fechado da crença homérica.
- Surgiu a dúvida sobre se todas as almas devem necessariamente partir para o Invisível, e elas recebem um guia divino que, por seu chamado misteriosamente compulsório (Odisseia, XXIV, 1) e pelo poder de seu cajado mágico, as constrange a segui-lo.
- No sombrio submundo, as almas flutuam inconscientes — ou, no máximo, com uma semiconsciência crepuscular — lamentando-se com voz diminuta e estridente, desamparadas e indiferentes.
- Carne, ossos, nervos, o diafragma — sede de todas as faculdades da mente e da vontade — tudo isso se foi para sempre.
- Falar em “vida imortal” dessas almas é incorreto; mal se pode dizer que vivem, assim como a imagem refletida no espelho não vive.
- A psique pode sobreviver a seu companheiro visível, mas é desamparada sem ele.
- Um povo realista e materialmente orientado como os gregos não teria considerado imortal uma criatura incapaz de receber nutrição — seja no culto religioso ou de qualquer outra forma.
- O mundo diurno de Homero fica assim livre dos espectros da noite — pois mesmo em sonho a psique não é mais vista após o corpo ser cremado — e das essências intangíveis e fantasmagóricas ante cujas atividades sobrenaturais o supersticioso de todas as épocas treme.
- O mundo é governado apenas pelos deuses — não por fantasmas pálidos, mas por figuras palpáveis e plenamente materializadas, que agem poderosamente por toda parte e habitam nos luminosos cumes das montanhas.
- Uma parte do livro XX da Odisseia, acrescentada por mão posterior, narra como o adivinho clarividente avista as almas-fantasmas (eidola) flutuando em multidões e apressando-se para a escuridão sob a terra — com o sol escurecido no céu e uma névoa espessa cobrindo tudo.
- Esse terror diante dos fazeres do mundo dos espíritos é totalmente não homérico.
§ 4
- A questão de saber se os gregos foram sempre tão imperturbados pelo temor das almas dos mortos — e se jamais existiu um culto de espíritos desencarnados como o que era familiar aos indianos e aos persas — possui mais do que um interesse passageiro.
- Em tempos posteriores a Homero, encontra-se na própria Grécia um vivo culto de ancestrais e um culto geral dos mortos.
- Se fosse demonstrável que os gregos só nesse período tardio começaram a prestar culto religioso às almas dos mortos, isso apoiaria fortemente a teoria de que o culto dos mortos surgiu das ruínas de uma anterior adoração dos deuses.
- Os antropólogos costumam negar isso e considerar a adoração de almas desencarnadas uma das formas mais antigas — se não originalmente a única forma — de reverência às potências invisíveis.
- Os povos em cujas condições de vida e concepções mentais tais visões se baseiam possuem um longo passado, mas nenhuma história documentada.
- O desenvolvimento religioso grego pode ser rastreado a partir de Homero por um longo período, e nele se encontra o fato notável de que um culto dos mortos, desconhecido em Homero, só aparece mais tarde — não como precipitado de uma crença moribunda nos deuses, mas como um desenvolvimento colateral ao lado dessa piedade altamente desenvolvida.
- A afirmação de que o culto dos espíritos desencarnados era absolutamente desconhecido dos gregos pré-homéricos é contraditada por um estudo mais atento dos próprios poemas homéricos.
- Homero representa o estágio mais antigo da evolução da civilização grega do qual há evidência clara — mas os poemas não estão no início dessa evolução.
- Eles apenas estão no início da poesia épica grega, na medida em que esta nos foi transmitida, porque a grandeza natural e a ampla popularidade da Ilíada e da Odisseia asseguraram sua preservação escrita.
- Sua existência e seu grau de aprimoramento artístico obrigam a supor que por trás deles existe uma longa história de poesia heroica de “Saga”.
- As condições que descrevem e implicam apontam para um longo curso de desenvolvimento anterior — da vida nômade à vida citadina, do governo patriarcal à organização da pólis grega.
- É primeiramente impensável que, durante toda a extensão da evolução grega anterior a Homero, a religião — a relação entre o homem e o mundo invisível — tenha permanecido estacionária em qualquer ponto.
- Para o estudo do período remoto obscurecido pelos poemas homéricos, a única fonte completamente satisfatória é o próprio Homero.
- Conclui-se que houve mudanças em concepções e costumes quando, no mundo homérico de outro modo tão uniforme e fechado, se encontram ocorrências isoladas, costumes e formas de fala que contradizem a atmosfera normal de Homero.
§ 5
- Rudimentos de um outrora vigoroso culto da alma não são difíceis de encontrar em Homero, e o mais revelador é o que a Ilíada narra sobre o funeral de Patroklos.
- Na noite em que Hektor foi morto, Aquiles e seus Mirmidões cantam o lamento fúnebre para o amigo morto, circundando três vezes o corpo.
- Aquiles coloca suas “mãos assassinas” sobre o peito de Patroklos e declara: “Salve, Patroklos meu, mesmo na morada de Aides; o que te prometi antes está agora cumprido; Hektor jaz morto e é presa dos cães, e doze nobres jovens troianos imolarei em tua pira funeral.”
- Touros, ovelhas, cabras e porcos são mortos, e “em torno, em taças cheias, o sangue corria ao redor do cadáver.”
- Durante a noite, a alma de Patroklos aparece a Aquiles exigindo sepultura imediata.
- De manhã, o exército dos Mirmidões marcha em armas com o corpo no centro; os guerreiros depositam sobre ele mechas de seus próprios cabelos cortados para essa finalidade.
- Aquiles coloca seus próprios cabelos na mão do amigo — outrora consagrados por seu pai ao deus-rio Espequeios, mas Patroklos deve levá-los agora.
- Quatro cavalos são mortos, dois cães pertencentes a Patroklos e, por fim, doze jovens troianos capturados por Aquiles para esse propósito — todos queimados com o cadáver.
- Aquiles passa a noite toda derramando vinho escuro sobre a terra, invocando a psique de Patroklos.
- Ao amanhecer, o fogo é extinto com vinho; os ossos de Patroklos são recolhidos, depositados em uma urna de ouro e enterrados sob um túmulo.
- O quadro do funeral de um chefe, com sua solenidade e elaboração cerimonial, está em flagrante conflito com a concepção homérica normal da insignificância da alma após sua separação do corpo.
- Um sacrifício pleno e rico é aqui oferecido a tal alma — algo inexplicável se a alma imediatamente se dissipa insensível, desamparada e impotente, incapaz de fruir as oferendas.
- O que mais poderia ser esse fluxo de sangue ao redor do cadáver, o abate e a queima de gado, cavalos e cães, e finalmente de doze prisioneiros troianos na pira, senão um sacrifício — isto é, uma refeição oferecida para satisfazer as necessidades da pessoa honrada?
- Aquiles invoca duas vezes a alma de Patroklos com as palavras: “A ti ofereço o que antes te prometi” (Ilíada, XXIII, 20 ss., 180 ss.).
- Toda a série de oferendas corresponde precisamente ao mais antigo tipo de ritual sacrificial, encontrado frequentemente na religião grega posterior no culto das divindades infernais.
- As oferendas sacrificiais são completamente queimadas em honra do Daímon e não partilhadas entre os presentes, como em outras oferendas — os chamados “holocaustos.”
- A oferta de vinho, óleo e mel é normal nos rituais sacrificiais de épocas posteriores.
- A mecha de cabelo depositada sobre o corpo morto ou colocada em sua mão fria é uma conhecida tributo sacrificial, e simboliza um sacrifício mais valioso por meio de um objeto menos importante.
- Esse costume simbólico testemunha a longa duração e o desenvolvimento passado do culto em que ocorre — neste caso, o culto dos mortos em tempos pré-homéricos.
- A narrativa pressupõe a ideia de que, pelo derramamento de sangue, por oferendas de vinho e sacrifícios queimados de seres humanos e gado, a psique de um recém-falecido pode ser revigorada e seu ressentimento apaziguado.
- A alma é assim pensada como acessível às preces humanas e como permanecendo por algum tempo nas proximidades do sacrifício que lhe é feito — o que contradiz o que se esperaria de Homero.
- Para tornar esse desempenho incomum plausível a um público que já não estava familiarizado com a ideia, o poeta faz a psique de Patroklos aparecer à noite a Aquiles, e Aquiles saudá-la repetidamente como se estivesse presente.
- A brevidade — nada característica de Homero — com que a parte mais chocante da história, o massacre de seres humanos junto com cavalos e cães, é apressadamente narrada, indica que o escritor tinha certas hesitações sobre o assunto.
- O poeta certamente não está criando tais circunstâncias pela primeira vez de sua própria imaginação — esse quadro épico do culto dos mortos foi adotado por Homero de uma fonte anterior, seja ela qual for, e não inventado por ele.
- Homero faz o episódio servir a seu propósito especial: fornecer um clímax satisfatório à série de cenas vividas e emocionais que começam com a morte trágica de Patroklos e terminam com a morte e a desonra do campeão de Troia.
- É como se uma selvageria primitiva e há muito suprimida houvesse irrompido novamente em um último esforço; só quando tudo acabou é que a alma de Aquiles encontra repouso na resignação melancólica.
- A seleção dos jogos atléticos como conclusão adequada do funeral de um chefe só pode ser plenamente compreendida como a sobrevivência de um antigo e outrora vigoroso culto dos mortos.
- Tais concursos atléticos em honra dos grandes imediatamente após sua morte são frequentemente referidos por Homero; de fato, um funeral é a única ocasião reconhecida por ele como adequada para a exibição de competições atléticas com prêmios.
- Em tempos pós-homéricos, tornou-se habitual marcar os festivais dos Heróis e, mais tarde, dos deuses também, com Jogos que gradualmente se tornaram realizações regularmente repetidas.
- Varro declarou que os mortos em cuja honra se celebram jogos funerários foram originalmente considerados, se não como deuses, ao menos como espíritos muito poderosos.
- O caráter religioso dos jogos poderia facilmente ser despido de seu significado real — e por essa mesma razão permaneceu por mais tempo do que outras práticas semelhantes em uso geral.
- Da seriedade das tentativas de agradar ao espírito desencarnado de Patroklos, deduz-se o vigor original da concepção — quão vívida deve ter sido a impressão de sensibilidade duradoura e poder formidável possuído por uma alma a quem tal culto era oferecido.
- O culto dos mortos, como qualquer outro costume sacrificial, perpetua-se unicamente pela esperança de evitar danos e obter assistência das mãos do Invisível.
- Uma geração que não mais antecipasse nem ajuda nem dano das “Almas” poderia realizar últimas honras ao corpo abandonado por pura piedade, mas isso testemunharia antes o luto dos que ficaram do que qualquer reverência especial pelo falecido — e este é majoritariamente o caso em Homero.
- O que explica a exagerada plenitude das oferendas funerárias no enterro de Patroklos não é a piedade, mas a desconfiança de um “fantasma” tornado poderoso por sua separação do corpo.
- Dado que a psique de Patroklos, uma vez concluída a cremação do corpo, parte para o Hades para nunca mais retornar, não há motivo para qualquer culto permanente da alma.
- A contradição entre a crença homérica e a prática homérica nessa ocasião é completa e demonstra decisivamente que a visão tradicional — de ver nessa descrição um esforço por ideias novas sobre a vida após a morte — está certamente errada.
- O rito geralmente sobrevive tanto ao estado de espírito quanto à crença que originalmente lhe deram origem.
§ 6
- Nem a Ilíada nem a Odisseia contêm nada que iguale as cenas do funeral de Patroklos como evidência de um primitivo culto dos mortos, mas mesmo as formas ordinárias de inumação dos mortos não estão inteiramente desprovidas de traços “vestigiais”.
- Os olhos e a boca do morto são fechados, o corpo é lavado e ungido, envolto em pano de linho limpo e posto sobre uma maca, iniciando-se o lamento fúnebre.
- Os ossos são recolhidos em uma urna ou cofre e enterrados sob um túmulo, com uma estela para marcar o local como “monte sepulcral.”
- O corpo de Elpenor, conforme a ordem de sua psique a Odisseu (Odisseia, XI, 74), é queimado junto com suas armas (Odisseia, XII, 13).
- Aquiles queima as armas de seu inimigo abatido junto com seu corpo na pira (Ilíada, VI, 418) — sobrevivências de uma crença antiga de que a alma podia de alguma forma misteriosa fazer uso desses objetos queimados junto com seu invólucro corporal descartado.
- A completude de um sepultamento exige a queima das posses do morto junto com o corpo.
- A obrigação de oferecer ao morto todas as suas posses — dever originalmente interpretado de forma bastante literal — havia na época homérica chegado a ser interpretada em sentido simbólico, processo cujo estágio mais baixo foi o costume de apresentar um óbolo “para o Barqueiro dos Mortos”.
- O “banquete fúnebre” oferecido pelo rei ao povo enlutado — seja após o funeral de um chefe (Ilíada, XXIV, 802, 665) ou antes da cremação de seu corpo (Ilíada, XXIII, 29 ss.) — só podia derivar seu pleno significado de uma crença antiga de que a alma da pessoa honrada poderia participar do festim.
- No banquete em honra de Patroklos, ao morto é dada uma porção definida — o sangue dos animais sacrificados derramado ao redor de seu corpo (Ilíada, XXIII, 34).
- Mesmo Orestes, após matar Egisto, o assassino de seu pai, oferece-lhe um banquete fúnebre (Odisseia, III, 309) — certamente não num estado de simples “piedade.”
- O costume de banquetes funerários é muito mais próximo das grandes cenae ferales que acompanhavam as silicernia em Roma do que dos banquetes funerários partilhados pelos parentes do morto posteriores.
- Entre os resquícios do culto antigo da alma encontrados no mundo homérico, a atenção continuada aos espíritos dos mortos além do tempo do funeral era impedida pela convicção arraigada de que, após a cremação do corpo, a psique era recebida no mundo inacessível do Invisível.
- Para assegurar essa partida completa da alma, é necessário que o corpo seja queimado.
- Quando se lê na Ilíada ou na Odisseia que “a psique partiu para o Hades” imediatamente após a morte e antes da cremação do corpo, as palavras não devem ser tomadas muito literalmente — a alma certamente voa imediatamente em direção ao Hades, mas paira entre os reinos dos vivos e dos mortos até ser recebida definitivamente depois da cremação.
- A psique de Patroklos, ao aparecer à noite a Aquiles, declara isso; roga sepultura imediata para que possa passar pela porta do Hades — até então, as outras criaturas sombrias impedem sua entrada e barram sua passagem pelo rio, de modo que ela tem de vagar inquieta ao redor da casa de Aides de amplas portas (Ilíada, XXIII, 71 ss.).
- Da mesma forma, é dito de Elpenor que “sua alma desceu ao Hades” (Odisseia, X, 560), mas essa alma se encontra com seu amigo mais tarde, na entrada do Mundo das Sombras, ainda não privada de seus sentidos como os demais habitantes.
- Somente pelo fogo são as almas dos mortos “apaziguadas” (Ilíada, VII, 410); enquanto a psique retém algum vestígio de “terreno”, possui ainda algum sentimento.
- Uma vez destruído o corpo pelo fogo, a psique é relegada ao Hades; nenhum retorno à terra lhe é permitido, e nenhum sopro deste mundo pode penetrá-la lá; ela não pode sequer retornar no pensamento.
§ 7
- A própria prática da cremação pode fornecer uma última evidência de que houve um tempo em que, entre os gregos, existia a ideia de uma longa permanência do espírito desencarnado no reino dos vivos e de seu poder de influenciar os sobreviventes.
- Homero não conhece nenhum outro tipo de funeral que não seja o do fogo — reis e líderes são queimados em piras com o mais solene ritual; os do povo comum caídos em guerra são entregues às chamas com menos cerimônia; nenhum é sepultado.
- Sugeriu-se que o costume da cremação, como observado por persas, germanos, eslavos e outros povos, é herdado de um período nômade.
- Os gregos asiáticos — e em particular os jônios, cujas crenças e costumes populares são, em linhas gerais, reproduzidos em Homero — haviam abandonado uma morada estabelecida para fundar outra; a cremação estava tão permanentemente estabelecida entre eles que nunca lhes ocorreu buscar outro método para tratar de seus mortos.
- Na Ilíada, Eetion, em sua própria casa, recebe uma pira funeral de Aquiles (Ilíada, VI, 418); Heitor é queimado no meio de Troia; as cinzas de Patroklos, Aquiles, Antiloco e Ájax repousam em solo estrangeiro (Odisseia, III, 109 ss.; XXIV, 76 ss.).
- Não há intenção por parte dos vivos de levar consigo os restos dos mortos no retorno ao lar, portanto esta não pode ser a finalidade da cremação.
- Jakob Grimm sugeriu que a cremação poderia ter sido intendida como uma oferenda do morto aos deuses — mas entre os gregos isso só poderia significar os deuses do mundo inferior, e nada na crença ou no ritual grego sugere tal intenção.
- A destruição do corpo pelo fogo é supostamente destinada a resultar na separação completa do espírito da terra dos vivos — e, portanto, o banimento completo da psique de uma vez por todas para o outro mundo constitui o propósito real e a ocasião original da prática da cremação.
- Quando os indianos substituíram o costume de sepultar seus mortos pelo de cremá-los, foram movidos, ao que parece, pela ideia de que quanto mais rápida e completamente a alma fosse liberta do corpo e de suas limitações, mais facilmente alcançaria o Paraíso dos Justos.
- Os gregos da era homérica, alheios a qualquer noção “catártica”, pensavam apenas nos poderes destrutivos desse elemento a que confiavam o corpo de seus mortos e no benefício que conferiam à alma ao libertá-la pelo fogo do corpo inerte.
- A cremação destina-se, portanto, a beneficiar os mortos — cuja alma não mais vaga sem encontrar repouso — mas ainda mais os vivos, pois estes não serão perturbados por fantasmas que estão seguramente confinados nas profundezas da terra.
- Quando a prática do funeral de fogo foi adotada pela primeira vez, o que se queria evitar no futuro pela destruição do corpo com o fogo deve ter sido uma causa real de temor — as almas que eram tão ansiosamente relegadas ao outro mundo do Invisível devem ter sido temidas como terríveis habitantes deste mundo.
§ 8
- As escavações realizadas nas últimas décadas na cidadela e na cidade baixa de Micenas e em outros sítios do Peloponeso revelaram túmulos — sepulturas de fosso, câmaras funerárias e abóbadas abauladas elaboradamente construídas — do período anterior à invasão dórica.
- Esses túmulos provam que a “Era da Cremação” grega foi precedida — como no caso dos persas, indianos e germanos — por um período em que os mortos eram sepultados intactos na terra.
- Os senhores e senhoras de Micenas dourada, e também as pessoas comuns, eram sepultados quando morriam; chefes levam consigo ao túmulo uma rica parafernália de mobília e ornamentos suntuosos.
- Traços de fumaça e restos de cinzas e madeira carbonizada atestam que os mortos eram depostos sobre o local onde o “sacrifício pelos mortos” já havia sido feito — sobre a lareira onde as oferendas haviam sido anteriormente queimadas no interior da câmara do túmulo.
- Restos de animais sacrificiais queimados (ovelhas e cabras) foram encontrados também nos túmulos de Náuplia e em outros locais.
- As concepções então mantidas sobre a natureza e os poderes dos espíritos desencarnados devem ter diferido amplamente das do mundo homérico.
- Sobre a câmara funerária central de quatro sepulturas de fosso encontradas na cidadela de Micenas erguia-se um altar que só pode ter sido colocado ali após o fechamento e o selamento do túmulo.
- É um altar redondo, oco por dentro e não fechado na parte inferior — uma espécie de funil assentado diretamente sobre a terra.
- O sangue da vítima, misturado às diversas libações, escorria para baixo na terra, chegando ao morto ali depositado.
- Não é um altar propriamente dito (bomos), como o que estava em uso no culto dos deuses do alto, mas uma lareira sacrificial (eschara) para o culto dos habitantes do submundo.
- Essa estrutura corresponde estreitamente à descrição das lareiras sobre as quais se faziam oferendas, em épocas posteriores, aos “Heróis” — ou seja, às almas de seres humanos transfigurados.
- Trata-se de um dispositivo para o culto permanente e repetido dos mortos — a oferta fúnebre aos mortos já havia sido concluída dentro da câmara do túmulo.
- Os túmulos em “colmeia” de Micenas, com suas câmaras abauladas principais ao lado das quais o cadáver repousava em uma câmara menor, evidentemente se destinavam a permitir que sacrifícios fossem feitos em seu interior — e não apenas uma vez.
- A evidência arqueológica consegue estabelecer a verdade do que só com dificuldade se podia depreender dos poemas homéricos.
- Houve um tempo em que os gregos também acreditavam que, após a separação do corpo e da alma, a psique não cessava inteiramente de ter intercâmbio com o mundo superior.
- Tal crença naturalmente suscitou um culto da alma que perdurou mesmo quando o método de sepultamento do corpo havia mudado — sobrevivendo até os tempos homéricos, quando, com a prevalência de outras crenças, tais práticas deixaram de ter qualquer significado.
II
- Homero assume consistentemente a partida da alma para uma terra inacessível dos mortos, onde existe em uma meia-vida inconsciente, sem clara autoconsciência e, consequentemente, sem desejos nem vontade.
- A alma não exerce influência sobre o mundo superior e, consequentemente, não recebe mais nenhuma parcela do culto dos vivos.
- Os mortos estão além do alcance de qualquer sentimento, seja de temor ou amor.
- Homero nada sabe de necromancia ou de oráculos dos mortos — ambos comuns na vida grega posterior.
- Os deuses entram nos poemas e participam da ação da história; as almas dos mortos jamais o fazem.
- Os sucessores imediatos de Homero na tradição épica pensam de modo bem diferente sobre este ponto; mas para Homero a alma, uma vez relegada ao Hades, não tem mais importância.
- A comparação entre o que deve ter sido antes de Homero e o que certamente foi depois dele suscita surpresa diante de tamanha liberdade de superstições nesse domínio onde a superstição geralmente está mais profundamente enraizada.
- Nos poemas homéricos, o que está em jogo é, direta e imediatamente, ao menos, apenas o poeta e seu círculo.
- O Epos homérico só pode ser chamado de “poesia popular” no sentido de que foi adaptado à aceitação de todo o grupo de povos de língua grega que o acolheu com entusiasmo.
- Muitas mãos contribuíram para a composição do poema, mas apenas seguiram a direção geral dada não pelo “Povo” ou pela tradição da “Saga”, mas pela autoridade do maior gênio poético que os gregos — ou mesmo a humanidade — já conheceu.
- A tradição uma vez formada foi transmitida por uma corporação fechada de poetas-mestres e seus discípulos — os Homeridai — que preservaram, difundiram, continuaram e imitaram a obra do grande poeta original.
- A liberdade de pensamento com que todo acontecimento possível no mundo é contemplado nesses poemas jamais pode ter sido característica de todo um povo ou raça.
- A forma exterior que os dois poemas épicos conferem ao mundo ideal que rodeia e governa o mundo dos homens é obra do poeta — não foi nenhuma teologia sacerdotal que lhe deu sua imagem dos deuses.
- As crenças populares da época, cada uma peculiar a determinado campo, cantão ou cidade, se deixadas a si mesmas, teriam se fragmentado em variedades de pensamento ainda mais contraditórias.
- O poeta foi o responsável pela concepção e execução consistente do quadro de um mundo de deuses único e unificado — confinado a uma companhia seleta de seres celestiais nitidamente caracterizados, agrupados de maneiras bem reconhecidas e habitando juntos em um único lugar de residência acima da terra.
- Se déssemos ouvidos apenas a Homero, deveríamos supor que os inumeráveis cultos locais da Grécia, com seus deuses estreitamente ligados ao solo, mal existiam.
- Em seu quadro dos deuses, Homero cumpriu de modo mais completo sua tarefa poética especial de reduzir a confusão e o supérfluo à uniformidade e simetria de desenho — a própria tarefa que o idealismo grego na arte continuamente se propôs.
- Na realidade, nenhuma tal uniformidade existia — os traços gerais do pan-helenismo estavam certamente presentes, mas apenas o gênio do poeta pode tê-los combinado e fundido em um todo puramente imaginário.
- No reino do submundo homérico, único e governado por um único casal de divindades e removido tão longe do mundo dos homens quanto o Olimpo em direção oposta — é impossível dizer em que medida Homero representa a crença popular ingênua nessas matérias.
- O Olimpo como ponto de encontro de todos os deuses que governam à luz do dia; o reino de Hades que mantém em seu domínio os espíritos invisíveis que deixaram esta vida para trás — o paralelismo é demasiado evidente para dever-se a qualquer coisa que não seja o mesmo espírito simplificador e coordenador em um caso como no outro.
§ 2 (do segmento II)
- Seria igualmente equivocado supor que a relação de Homero com as crenças populares de seu tempo fosse de oposição ou que ele houvesse adotado uma atitude semelhante à de Píndaro ou dos trágicos áticos em relação às opiniões convencionais de seu tempo.
- Esses poetas posteriores muitas vezes deixam ver claramente o afastamento intencional da opinião normal representado por suas concepções mais avançadas.
- Homero, ao contrário, está tão livre de controvérsia quanto de dogma — não oferece seus quadros de Deus, do mundo e do destino como algo peculiar a si mesmo.
- O poeta não assumiu todo o corpo de crenças populares, mas o que diz deve ter pertencido à crença popular.
- A seleção e combinação desse material em um todo consistente foi o verdadeiro trabalho do poeta.
- Nesse sentido restrito, pode-se dizer verdadeiramente que os poemas de Homero representam a crença popular de seu tempo — não a crença de toda a Grécia, mas apenas das cidades jônicas das costas e ilhas da Ásia Menor onde o poeta e suas canções estavam em casa.
- A vida descrita na Ilíada e na Odisseia deve ter diferido em muitos aspectos da “civilização micênica”, e as razões dessa diferença devem ser buscadas nas longas perturbações que marcaram os séculos que separam Homero da era de Micenas — especialmente nas migrações gregas.
- A invasão violenta de povos gregos do norte na Grécia central e no Peloponeso, a destruição de antigos impérios e sua civilização, a fundação de novos estados dóricos por direito de conquista, as grandes migrações para as costas asiáticas e o estabelecimento de uma nova vida em solo estrangeiro — tudo isso deve ter desferido um golpe severo contra todo o tecido dessa civilização e cultura.
- Do mesmo modo, o culto das Almas e a concepção do destino dos espíritos defuntos que governava esse culto não permaneceram em Jônia o que haviam sido no apogeu do período micênico.
- A visão lúcida de Homero, que transcende os limites dos deuses, das fés e dos cultos da cidade e até dos grupos étnicos, dificilmente seria explicável sem a liberdade de movimento além das fronteiras do país e o conhecimento ampliado de todas as condições da vida estrangeira.
- Os jônios da Ásia Menor levaram consigo para suas novas moradas muitas de suas práticas religiosas, mas as migrações não preservaram a conexão entre as antigas e as novas terras com a proximidade que marcou a colonização posterior.
- Quando os colonos deixaram o solo familiar para trás, os cultos locais ligados a esse solo muitas vezes tiveram de ser abandonados também.
- O culto dos ancestrais, ligado que estava aos túmulos efetivos desses ancestrais, era essencialmente um culto local.
- A lembrança dos grandes do passado podia sobreviver ao transplante, mas não seu culto religioso, que só podia ser oferecido no único lugar onde seus corpos jaziam sepultados.
- Assim, a forma mais altamente desenvolvida do culto das Almas — o culto dos ancestrais — foi se extinguindo.
- A prática recém-introduzida de queimar os corpos dos mortos impediu o culto dos que morreram na nova terra de alcançar força e desenvolvimento similares, cortando a raiz da crença na presença próxima dos mortos e no dever de realizar as observâncias religiosas que lhes eram devidas.
§ 3 (do segmento II)
- O povo jônico da era homérica foi conduzido — pelos eventos de sua própria história e pela alteração nos costumes funerários — a adotar aquela visão da alma que o estudo de seus próprios poetas demonstrou ser a deles.
- Essa visão mal pode ter retido mais do que alguns vestígios dispersos do antigo culto dos mortos.
- A consciência religiosa dos gregos entre os quais Homero cantava havia se desenvolvido em uma direção que não permitia muito espaço à crença em fantasmas e espíritos dos mortos.
- Os gregos homéricos tinham a mais profunda consciência da natureza finita do homem, de sua dependência de forças que lhe eram externas — e a forma própria de piedade era lembrar-se disso e contentar-se com seu quinhão.
- Sobre o homem reinam os deuses, exercendo um poder sobrenatural — não raramente um poder equivocado e caprichoso — mas uma concepção de uma ordem mundial geral começa a se impor, de um plano subjacente aos propósitos cruzados da vida individual e coletiva, desenvolvendo-se de acordo com o quinhão medido e determinado (moira).
- O poder arbitrário dos daimones individuais fica assim limitado — e limitado ainda pelo quinhão do mais alto dos deuses.
- A crença vai crescendo de que o mundo é, de fato, um cosmos, uma organização perfeita.
- No mundo homérico, que vive pela razão, seus deuses são plenamente inteligíveis às mentes gregas, e quanto mais distintamente eram representados, mais os fantasmas espirituais desvaneciam em sombras vazias.
- Ninguém poderia ter interesse na preservação e extensão do lado supersticioso da religião; não havia em particular nenhum sacerdócio com monopólio de instrução ou conhecimento exclusivo dos detalhes do ritual.
- O monopólio do ensinamento pertencia, nessa era em que todas as faculdades mais elevadas do espírito encontravam expressão na poesia, ao poeta e ao cantor.
- Esses homens de mente muito clara, pertencentes ao mesmo estoque que, em época posterior, “inventou” — se é que se pode assim dizer — a ciência e a filosofia, já exibiam uma atitude mental que ameaçava distantemente todo o sistema de representação plástica das coisas espirituais que a mais antiga Antiguidade havia laboriosamente construído.
- A mais antiga visão sustentada pelo ser humano primitivo acerca das atividades de querer, sentir ou pensar as considera simplesmente como manifestações de algo que vive e quer dentro do homem visível.
- Os poemas homéricos dão o nome de “diafragma” à maioria dos fenômenos da vontade ou do sentimento e até aos do intelecto.
- O “coração” é também o nome de uma variedade de sentimentos considerados localizados no coração e até identificados com ele.
- Esse modo de expressão já havia se tornado para Homero mera fórmula; as palavras do poeta muitas vezes mostram que, de fato, ele pensava essas funções e emoções como incorpóreas, embora ainda nomeadas após partes do corpo.
- Ao lado do “diafragma” — e em estreita conjunção com ele — encontra-se o thymos, nome que não é tirado de nenhum órgão corporal e já indica que é pensado como uma função imaterial.
- Muitas outras palavras dessa natureza (noos-noein-noema, boule, menos, metis) são usadas para descrever faculdades e atividades da vontade, do sentido ou do pensamento — independentes, livres e incorpóreas.
- A tendência dos cantores homéricos já se encaminhava na direção oposta — a mitologia do “homem interior” estava se desintegrando completamente.
- Bastavam alguns passos adiante na mesma direção para dispensar a psique também.
- A crença na existência da psique era a mais antiga e primitiva hipótese adotada pela humanidade para explicar os fenômenos dos sonhos, desmaios e visões extáticas — mas Homero tem pouco interesse em presságios e estados extáticos.
- A prova final da ideia de que a psique deve ter habitado o homem é o fato de que ela se separa dele na morte.
- Alguém que se habituou à ideia de poderes incorpóreos operando dentro do homem tenderá a supor que o que causa a morte de um homem não é uma coisa física que sai dele, mas um poder — uma qualidade — que cessa de agir; nada mais do que sua “vida.”
- Homero nunca chegou a tanto; para ele, na maior parte, a psique é e sempre permanece uma “coisa” real — o segundo eu do homem.
- Que já havia começado a trilhar o caminho escorregadio no qual a psique se transforma em um “conceito” abstrato de vida é mostrado pelo fato de que ele usa várias vezes, de modo inconfundível, a palavra “psique” quando diríamos “vida.”
- É essencialmente o mesmo modo de pensar que o leva a dizer “diafragma” quando não mais quer dizer o diafragma físico, mas o conceito abstrato de vontade ou intelecto.
- A separação da terra dos antepassados, o hábito da cremação, a nova direção tomada pelo pensamento religioso, a tendência a transformar as forças outrora materiais da vida interior do homem em abstrações — tudo isso contribuiu para enfraquecer a crença em uma vida poderosa e significativa da alma desencarnada e sua conexão com os assuntos deste mundo, provocando ao mesmo tempo o declínio do culto das Almas.
- As razões mais profundas e fundamentais para esse declínio tanto da crença quanto do culto podem escapar à busca, assim como é impossível saber com certeza até que ponto, em detalhes, os poemas homéricos refletem as crenças do povo que primeiro os ouviu.
- A combinação dos vários elementos de crença em um todo — que, embora longe de ser um sistema dogmaticamente fechado, pode ser chamado com justiça de Teologia Homérica — é, com maior probabilidade, obra do poeta.
- O poeta tem mão livre na imagem que oferece dos deuses e jamais entra em conflito com qualquer doutrina popular, porque a religião grega de então, como sempre, consistia essencialmente na justa honra aos deuses do país, e não em qualquer conjunto particular de dogmas.
- Que a mente popular absorveu por completo o quadro do mundo dos deuses dado pelos poemas homéricos é demonstrado por todo o desenvolvimento futuro da cultura e da religião gregas.
III
- Um caso de teste da uniformidade e consistência abrangentes da concepção homérica da natureza e circunstâncias das almas dos mortos é fornecido, dentro dos próprios limites dos poemas, pela história da Viagem de Odisseu ao Hades.
- O desafio era como o poeta, ao descrever as relações de um herói vivo com os habitantes do mundo das sombras, preservaria o caráter imaterial e onírico das “Almas” homénicas e manteria o quadro da alma como algo que se mantém resolutamente distante e parece evitar todo o intercâmbio ativo com outrem.
- A questão torna-se mais inteligível assim que se percebe de que modo a narrativa surgiu e como, por meio de adições contínuas de mãos posteriores, foi gradualmente assumindo uma forma bastante diferente de si mesma.
§ 1 (do segmento III)
- É tido como um dos poucos resultados certos da análise crítica dos poemas homéricos que a narrativa da Descida de Odisseu ao Submundo não fazia parte do plano original da Odisseia.
- Circe ordena a Odisseu que empreenda a viagem ao Hades para ver Tirésias e ser informado do “caminho e do meio de seu retorno e como pode atingir sua casa através do mar cheio de peixes” (Odisseia, X, 530 s.).
- Tirésias, porém, uma vez encontrado no reino das sombras, cumpre esse requisito apenas muito parcial e superficialmente — e a própria Circe fornece ao Odisseu que retornou um relato muito mais completo e preciso dos perigos que o aguardam em sua viagem de volta.
- A viagem à terra dos mortos era, portanto, desnecessária, e é evidente que originalmente não tinha lugar no poema.
- O compositor dessa aventura apenas usou a (supérflua) consulta a Tirésias como pretexto que oferecia um motivo mais ou menos plausível para a introdução da narrativa no corpo do poema.
- O inventor da visita de Odisseu aos mortos tinha um objetivo bastante diferente em vista — não era de modo algum um Dante grego.
- O núcleo original que permanece, uma vez despido das múltiplas adições posteriores, não é senão uma série de conversas entre Odisseu e as almas dos mortos com quem ele havia mantido estreitas relações pessoais.
- Além de Tirésias, ele fala com seu velho companheiro de navio Elpenor, que acabara de morrer, com sua mãe Antikleia, com Agamêmnon e Aquiles; e tenta em vão uma reconciliação com o implacável Ájax.
- Essas conversas no Hades são, para o avanço geral da história das andanças e do retorno de Odisseu, inteiramente supérfluas, e servem apenas em grau mínimo e incidentalmente para dar informação sobre as condições do inescrutável mundo além do túmulo.
- As perguntas e respostas ali trocadas se confinam inteiramente aos assuntos do mundo superior.
- Sua mãe o informa sobre o estado perturbado de Ítaca; Agamêmnon, sobre o ato traiçoeiro de Egisto realizado com a ajuda de Clitemnestra; Odisseu é capaz de consolar Aquiles com um relato dos feitos heroicos de seu filho, ainda vivo à luz do dia; com Ájax, ressentido mesmo no Hades, não consegue chegar a um entendimento.
- O instinto criativo natural da poesia lendária também inspirou o poeta da “Viagem ao Hades”, que concebeu a ideia de trazer mais uma vez, pela última vez, o chefe famoso em conselho e em guerra para a comunicação com o rei mais poderoso e o herói mais nobre daquela famosa expedição.
- Para isso, tinha de levá-lo ao reino das sombras que os havia há muito contido — e não podia evitar o tom de pathos natural a essa entrevista nas fronteiras do reino do nada ao qual todo o desejo e toda a força da vida hão de eventualmente chegar.
- A consulta a Tirésias é apenas o pretexto do poeta para confrontar Odisseu com sua mãe e seus antigos companheiros — esse encontro era seu principal motivo.
- Provavelmente esse dispositivo particular foi sugerido pela lembrança da história que Menelaos conta de seu encontro com Proteu, o Velho do Mar (Odisseia, IV, 351 ss.), onde a consulta ao adivinho sobre os meios de voltar para casa é também mero pretexto para a narração das aventuras do Retorno — as de Ájax, Agamêmnon e Odisseu.
§ 2 (do segmento III)
- A intenção desse poeta certamente não podia ser simplesmente a descrição do submundo por si mesmo — mesmo o cenário dessas incidências misteriosas é dado apenas em breves alusões.
- O navio navega sobre o Oceano até o povo dos Cimérios, que nunca vê o sol, e alcança por fim a “costa árida” e o “Bosque de Perséfone”, com seus álamos negros e salgueiros chorosos.
- Odisseu com dois companheiros avança até a entrada do Érebo, onde Piríflegetão e Cocito, um ramo do Estige, desaguam no Aqueronte.
- Ali ele escava sua vala sacrificial para a qual as almas sobem do Érebo sobre os prados de asfódelos.
- É o mesmo submundo nas entranhas da terra pressuposto na Ilíada como habitação dos mortos — apenas descrito com mais precisão e realizado mais plenamente.
- O nome “Estige” foi tomado da Ilíada; o mesmo pode ser suposto dos outros rios, cujos nomes derivam claramente de palavras que significam cremação, lamentação e pesar.
- As Almas se assemelham a imagens de sombras ou de sonhos — impalpáveis ao toque humano; estão sem consciência quando aparecem.
- Elpenor, cujo corpo ainda jaz não cremado, por essa mesma razão reteve seus sentidos e exibe até mesmo uma forma de consciência elevada que se aproxima da profecia — semelhante, nesse aspecto, a Patroklos e Heitor no momento em que a psique se separa do corpo; mas isso deve abandoná-lo assim que seu cadáver for destruído.
- Tirésias, o profeta mais famoso da lenda tebana, preservou sua consciência e visão profética mesmo no Mundo das Sombras pela benevolência de Perséfone — mas isso é uma exceção que apenas estabelece a regra.
- O que Antikleia diz a seu filho sobre a impotência e imaterialidade da alma após a cremação do corpo soa quase como uma confirmação oficial da visão ortodoxa homérica.
§ 3 (do segmento III)
- O poeta aventura-se a ir além de Homero em um ponto importante: sugere que a condição das coisas no Hades pode, pelo mais breve momento, ser interrompida — o sangue bebido pelas almas lhes devolve por um instante a consciência e o recelo do mundo superior.
- Não há dúvida de que o poeta, para quem essa suposição é indispensável à sua história, não pretendia com isso formular uma doutrina inteiramente nova.
- Para acrescentar a seu efeito poético, foi levado a incluir em sua história alguns toques que, sem significado no círculo de suas próprias crenças, apontavam para alhures — e, de fato, para trás, para crenças mais antigas e moldadas de modo bastante diferente.
- Odisseu, seguindo o conselho de Circe, escava uma vala à entrada do Hades para derramar uma libação solene “a todos os mortos”, consistindo primeiro de uma mistura de leite e mel, depois vinho e água, sobre os quais farinha branca é finamente polvilhada; em seguida, imola um carneiro e uma ovelha negra, inclinando suas cabeças para baixo na vala.
- Os corpos dos animais são queimados, e ao redor do sangue se reúnem todas as almas, que sobre ele adejam, mantidas à distância pela espada de Odisseu até que Tirésias tenha bebido primeiro.
- As libações constituem indubitavelmente uma oferenda sacrificial devotada aos mortos e vertida para sua satisfação — mas isso, vê-se claramente, é uma ficção do poeta; o que aqui descreve é em todo detalhe um sacrifício aos mortos.
- O aroma do sangue evoca os espíritos; sua saciedade com sangue (aimakouria) é o propósito essencial de tais oferendas.
- O que aqui se tem também é um vestígio “fossilizado” e já não inteligível de uma prática outrora enraizada na crença — uma relíquia privada de seu significado original e adaptada pelo poeta para os fins especiais de sua narrativa.
- O ritual sacrificial usado para atrair as almas nessa ocasião se assemelha notavelmente ao ritual utilizado em épocas posteriores para conjurar as almas dos mortos nos lugares que se supunha darem entrada ao mundo espectral sob a terra.
- Ao aderir à estrita doutrina homérica sobre o assunto, o poeta suprime todo pensamento de que as almas possam possivelmente continuar nas proximidades dos vivos e de lá ser conjuradas à luz do dia — ele conhece apenas um reino dos Mortos, distante no sombrio Oeste, além dos limites do mar e do oceano.
- As oferendas votivas que o poeta faz Odisseu prometer a todos os mortos, e em particular a Tirésias, no retorno ao lar (Odisseia, X, 521-6; XI, 29-33) contradizem, porém, de modo flagrante tudo o que precede.
- De que serviria aos mortos receber a oferenda de “uma vaca estéril”, de “tesouros” queimados na pira fúnebre; ou como poderia Tirésias fruir o abate de uma ovelha negra longe em Ítaca — quando todos estão confinados ao Érebo e não poderiam provar as oferendas feitas a eles?
- Este é o mais notável e importante de todos os vestígios de um antigo culto dos mortos — prova indubitavelmente que em tempos pré-homéricos prevalecia a crença de que, mesmo após o funeral do corpo, a alma não é eternamente banida para a terra inacessível das sombras, mas é capaz de se aproximar do sacrificante e de fruir os sacrifícios oferecidos a ela, tanto quanto os deuses podem.
- Uma única obscura alusão na Ilíada sugere o que aqui se revela de modo muito mais claro e quase ingênuo — a saber, que mesmo no tempo em que a visão homérica da insignificância das almas para sempre separadas de seus corpos reinava soberana, o costume de fazer oferendas aos mortos após o funeral ainda não havia sido inteiramente esquecido.
§ 4 (do segmento III)
- As contradições em que o poeta é traído pela introdução de tal intercâmbio entre vivos e mortos provam que o empreendimento era bastante ousado para um poeta homérico de visões estritamente ortodoxas.
- Gerações posteriores de leitores e ouvintes poeticamente inclinados acharam a narrativa do poeta lacunosa exatamente no ponto em que ele mais se havia mantido no caminho homérico normal — o encontro com sua mãe e seus antigos companheiros.
- Eles fizeram acréscimos à sua história e introduziram as multidões dos mortos de todas as idades; os guerreiros com feridas ainda visíveis e em armaduras manchadas de sangue.
- Mais à maneira de um catálogo hesiódico, pintaram toda uma multidão de mães — os ilustres ancestrais de grandes famílias — passando diante de Odisseu, sem qualquer reivindicação particular à sua simpatia.
- Odisseu lança um olhar para os recessos internos do submundo — o que dificilmente seria possível para ele, considerando que estava ao seu extremo portal — e vê ali as figuras heroicas dos que, como verdadeiras “imagens” (eidola) dos vivos, ainda continuam as atividades de suas vidas anteriores: Minos dando julgamento entre os mortos, Órion caçando, Héracles ainda com o arco na mão e a flecha pronta na corda, “como se estivesse sempre prestes a atirar.”
- Três versos foram ousadamente inseridos para informar que o “próprio” Héracles, o real, habita entre os deuses — o que Odisseu viu no Hades era apenas seu simulacro — prática teológica original de quem os escreveu.
- Tal contraste entre um “eu” plenamente animado, possuindo ainda o corpo e a alma do homem original unidos, e um simulacro de si mesmo relegado ao Hades, é inteiramente estranho tanto a Homero quanto ao pensamento grego de épocas posteriores.
- O episódio dos três “penitentes” em punição — Títio, Tântalo e Sísifo — ultrapassa definitivamente os limites da concepção homérica.
- Títio, cujo gigantesco corpo é devorado por dois abutres, é visto em seguida; depois Tântalo, que no meio de um lago definha de sede e não consegue alcançar os ramos carregados de frutas sobre sua cabeça; e por último Sísifo, condenado a rolar morro acima a pedra que sempre rola de volta.
- As almas desses três infelizes são dotadas de consciência completa e contínua — sem ela, sua punição não seria sentida e não teria sido infligida.
- Esses exemplos de punição após a morte não foram inventados pela primeira vez pelo compositor dessas linhas — não podem ter sido oferecidos como uma novidade ousada, mas antes foram brevemente evocados à recordação dos ouvintes.
- Porém, esses três não refutam a regra, pois são, e só se pretendem ser, exceções a ela.
- O poder onipotente dos deuses é capaz, em casos especiais, de preservar para almas individuais sua consciência — no caso de Tirésias, como recompensa; no caso dos três objetos do ódio dos deuses, para que sejam capazes de sentir sua punição.
- A ofensa real pela qual são punidos é em cada caso um grave delito cometido contra os próprios deuses — o crime de Tântalo pode ser inferido por outras fontes; a exata falta de Sísifo é menos fácil de descobrir.
- O episódio da viagem de Odisseu ao Hades não sugere qualquer familiaridade com qualquer classe geral de pecadores que recebem punição naquele lugar.
- Na Ilíada, as Erínias são invocadas como testemunhas de juramentos solenes — pois punem sob a terra os que violam seus juramentos — e isso indica que a concepção homérica da meia-vida fantasmal das almas sob a terra, sem sentimento ou consciência, não era uma crença popular geral.
- A crença da época homérica sobre a punição dos perjuros no reino das sombras não pode ter sido muito vital, pois foi totalmente incapaz de impedir o sucesso da crença incompatível na insignificância inconsciente dos espíritos desencarnados.
- Uma fórmula de juramento solene (muito do que é primitivo persistindo, mesmo após tornar-se letra morta, nas fórmulas) preservou uma referência àquela crença antiga, tornada estranha aos ouvidos homéricos — um vestígio de um ponto de vista já superado.
- A quebra do juramento não era punida como uma falha moral especialmente ultrajante; o perjuro, mais do que qualquer outro pecador particular, era a vítima especial das terríveis deusas pelo simples motivo de que, ao jurar, o perjuro invocou contra si mesmo, se não cumprir sua palavra, o destino mais terrível de todos — sofrer tormento no reino do Hades de onde não há escape.
- A crença no poder sobrenatural de tais imprecações — e não qualquer importância moral especial atribuída à veracidade, ideia inteiramente estranha à Antiguidade mais arcaica — deu ao juramento seus terrores peculiares.
§ 5 (do segmento III)
- Um exemplo final da tenacidade com que o costume pode sobreviver à crença na qual está fundado é proporcionado pela história de Odisseu: ao fugir da terra dos Cicônios, ele não a deixou sem antes ter invocado três vezes os companheiros caídos na batalha com os Cicônios (Odisseia, IX, 65-6).
- As almas dos mortos que caíram em terras estrangeiras devem ser “chamadas” — elas seguirão então o que as chama até sua distante casa, onde um “túmulo vazio” as aguarda.
- Esse dever é regularmente cumprido em Homero em benefício daqueles cujos corpos é impossível recuperar e sepultar adequadamente.
- Uma invocação dos mortos e a ereção de tais receptáculos vazios — destinados a quem senão às almas que devem então ser acessíveis à devoção de seus parentes — era natural para quem acreditava na possibilidade da permanência da alma nas proximidades de seus amigos vivos; não era admissível para os adeptos da crença homérica.
- Aqui também a crença que havia dado origem ao costume estava extinta.
- Segundo o poeta homérico, um montículo é erguido sobre o túmulo do morto e uma lápide nele colocada para que sua fama permaneça imperecível entre os homens e as gerações futuras não ignorem sua história.
- Quando um homem morre, sua alma parte para um reino de vida crepuscular onírica; seu corpo, o homem visível, perece.
- Apenas seu glorioso nome, de fato, vive — seus louvores falam às épocas posteriores a partir do monumento em sua honra no túmulo, e na canção do bardo.
- Um poeta naturalmente tenderia a pensar tais coisas.
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