BÉHAR, Pierre. Les langues occultes de la Renaissance: essai sur la crise intellectuelle de l’Europe au XVIe siècle. Paris: Desjonquères, 1996.
A concepção dos anjos em
Agrippa marca uma inflexão decisiva em relação à angelologia cabalística de
Reuchlin.
Agrippa não admite uma natureza puramente mística dos anjos.
O interesse pelas esferas superiores não visa a elevação espiritual desinteressada.
O conhecimento dos anjos orienta-se para a apropriação de seus poderes.
A angelologia assume um caráter funcional e instrumental.
A curiosidade de
Agrippa pelos espíritos superiores intensifica-se em contraste com a prudência de
Reuchlin.
Agrippa multiplica os sistemas angélicos.
Além das hierarquias tradicionais, incorpora anjos associados aos setenta e dois nomes.
Introduz correspondências entre anjos e regiões do mundo, ventos, direções e horas.
O sistema torna-se expansivo e potencialmente infinito.
Em
Agrippa, os anjos já não conduzem prioritariamente à contemplação do divino.
Eles se inserem numa economia do poder espiritual.
A magia torna-se o meio de acesso privilegiado às esferas superiores.
A angelologia culmina, assim, numa visão da linguagem e do rito como instrumentos de domínio do real.