Constant, Alphonse (1810-1875). Auteur du texte. Dictionnaire de littérature chrétienne / par A.-L. Constant… ; publié par M. l'abbé Migne,…. 1851.
FAUSTO (JOÃO). – Como inventor da imprensa e por ter publicado e difundido na Europa as primeiras edições da Bíblia, Jean Fausto merece ser mencionado no Dicionário de Literatura Religiosa. Seu nome pertence, aliás, à poesia lendária e foi popularizado pelo drama alegórico de Goethe. Na época em que vivemos, ainda é permitido duvidar se a invenção da imprensa foi um benefício ou um flagelo para a humanidade: o fato é que, por meio dessa arte, a árvore do conhecimento do bem e do mal sacudiu suas folhas sobre o mundo e já fez as nações provarem seus frutos mais amargos. É, portanto, com grande razão que a tradição popular das lendas, sempre tão verdadeira em seus símbolos e tão poética em suas alegorias, supôs que, na pessoa de Fausto, o orgulho humano havia feito aliança com o espírito soberbo que nega Deus. Na lenda de Fausto escrita por Widmann, que apresentaremos a seguir neste artigo, não se fala da imprensa, mas descrevem-se os seus efeitos nas condições do pacto que Fausto faz com Mefistófeles: assim, o demônio compromete-se a assumir todas as formas e a obedecer ao doutor, mesmo as formas do gênio, mesmo as da beleza; compromete-se a vir quando for chamado, a ir para onde for enviado; ora, não é isso tudo o que o espírito do mal pode fazer por meio da imprensa? Por meio dessa aliança, o espírito do homem pode evocar os mortos de seus túmulos e viver na sociedade dos antigos, como vemos na lenda em que Fausto evocou o fantasma da bela Helena e viveu com ela nos laços de um amor fantástico e criminoso. Essa explicação lança uma nova luz sobre a lenda de Fausto, que não será relida aqui sem interesse, e que pode ser considerada uma das mais belas ficções do gênio popular que preside às alegorias maravilhosas e às lendas fantásticas.
Lenda de Fausto por Widmann, traduzida para o francês no século XVI por Palma Cayet.