De “Hermes”, deus grego (Thot no Egito, Mercúrio em Roma).
Ora, o hermetismo, a tradição hermética viva, guarda a alma comum da verdadeira cultura. Insisto em acrescentar: os hermetistas ouvem — e, às vezes, compreendem — o bater do coração da vida espiritual da humanidade. Eles só podem viver como guardiães da vida e da alma comum da religião, da ciência e da arte. Não têm nenhum privilégio em nenhum desses domínios; os santos, os verdadeiros sábios e os artistas de gênio são superiores a eles. Mas eles vivem para o mistério do coração comum que bate no fundo de todas as religiões, de todas as filosofias, de todas as artes e de todas as ciências passadas, presentes e futuras. E, inspirando-se no exemplo de João, o discípulo amado, não pretendem e jamais pretenderão exercer papel de direção na religião, na ciência, ia arte, na vida social ou na política; mas velam constantemente para ião perderem nenhuma ocasião de servir a religião, a filosofia, a ciência, a arte e a vida social e política da humanidade e para que lhes seja infundido o sopro da vida de sua alma comum — em analogia com a administração do Sacramento da Santa Comunhão. O hermetismo é — : é somente — um estimulante, um “fermento” ou uma “enzima” no organismo da vida espiritual da humanidade. Nesse sentido, ele é em si mesmo um Arcano, isto é, o antecedente do Mistério do segundo nascimento ou da Grande Iniciação. (Valentin Tomberg)