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HERMES-PHALLOS

GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermes. Paris: Arma Artis, 1984.

  • Hermes-phallos exprime a especialização do mana sobrenatural em sentido masculino quando, após o enfraquecimento das concepções neolíticas, Hermes deixa de ser duplo e se identifica com o falo como órgão masculino da hierogamia.
    • O epíteto de Falos foi recebido por Hermes no contexto dessa identificação com o falo.
    • A grandeza das concepções neolíticas é apresentada como o horizonte anterior no qual o mana sobrenatural ainda não se encontrava reduzido a uma especialização masculina.
  • O Hermes-phallos notório revela, nas estelas com cabeça e sem corpo ou nas estelas apenas encimadas por bustos, a recusa de deixar o falo em relevo, embora as figuras itifálicas apareçam em diversos países como expressão ritual da energia transcendente.
    • As duas figuras itifálicas, isto é, de falo ereto, encontram-se em diversos países e remetem à especificação da energia transcendente contida nas pedras brutas de uma época mais remota.
    • Essas pedras, por sua forma, recordavam de modo mais ou menos vago o órgão masculino, ou seja, os betilos.
    • Para os ancestrais longínquos, o falo constituía uma realidade ritual eminente, e não um símbolo grosseiro.
    • O falo representava adequadamente a plenitude da energia transcendente e identificava-se completamente ao super-homem.
    • Na Índia, milhões de fiéis ainda contemplam Mahâdeva, isto é, o Grande Deus, ou Çiva, nos linga.
  • Entre os gregos da época clássica, os Hermes de falo ereto permaneciam objeto de veneração inconfundível, como indica o escândalo ocorrido em Atenas em 11 de maio de 415 a.C., quando foram encontrados mutilados.
    • A mutilação dos Hermes em Atenas foi considerada crime de Estado.
    • O processo subsequente foi chamado processo dos Hermocopidas, isto é, dos cortadores de Hermes.
    • O sacrilégio teria sido quase equivalente, em circunstância moderna análoga, à destruição de hóstias consagradas por jovens de boa família na Irlanda católica.
  • As diferentes indicações tornam evidente o parentesco entre Hermes e Eros, pois a Pedra-Deus de Téspias, especializada em Eros, equivalia rigorosamente aos hermas.
    • A equivalência explica-se pelo fato de a raiz de desejo passional, amor veemente, impulso e inclinação violenta estar em conexão com Hermes.
    • A conexão também se manifesta provavelmente na raiz que significa o ato de juntar, ligar e unir, bem como em palavras associadas a colar e colarinho.
    • Enquanto duplo, isto é, enquanto encarnava o sagrado sob o aspecto de indivisão primeira, o herma representava o amor absoluto e integralmente unificador.
  • O herma, como duplo, representa o amor absoluto e integralmente unificador que reina no domínio divino da irradiação eterna, mas, como figura simples, encarna o mana transcendente próprio do elemento masculino separado do elemento feminino.
    • A formulação atribuída ao herma como duplo afirma o amor absoluto, o amor integralmente unificador, tal como reina no domínio divino da eterna irradiação.
    • Como figura simples, o herma corresponde ao amor-desejo, ao amor-impulso e ao amor tal como se manifesta no universo fenomênico.
    • Esse amor impele o homem a fundir-se com a mulher para restaurar a unidade inicial, rompida pelo primeiro ancestral.
    • Essas noções articulam-se estreitamente com perspectivas iniciáticas vigentes na idade proto-histórica.
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