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ORÁCULOS

GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermès. Paris: Arma Artis, 1984.

Hermes e o dom profético: o oráculo das Thrias e o oráculo cledonístico de Faras

  • O autor do hino demonstrou um sentimento muito vivo da realidade ao julgar necessário mencionar os oráculos entre as atribuições de Hermes, ou seja, entre os privilégios dos iniciados.
  • Ele se conforma à história ao indicar que o oráculo das Thrias, embora localizado “ao pé das gargantas do Parnaso”, não dependia de Apolo, mas estava nas mãos de três mulheres sagradas, chamadas Moirai (as Destinadas) ou as Veneráveis – reencontrando-se assim a tríade feminina neolítica, encarnação da tríade lunar.
  • Apolo não hesita em declarar que essas “três virgens orgulhosas” lhe ensinaram a própria arte divinatória, o que destaca a primazia local da vidência matriarcal.
  • Essas três irmãs têm “asas rápidas” e a cabeça “salpicada de um pó brilhante” – trata-se, portanto, de mulheres-abelhas, semelhantes à mulher alada (com abdômen de inseto) representada numa placa de ouro descoberta em Camiros (Jean Humbert: Homère, Hymnes 1936, p. 138, n° 1).
  • As mulheres-abelhas foram, junto com as mulheres-pombas, as sacerdotisas por excelência da antiguidade.

O oráculo cledonístico de Faras e Hermes Cledônio

  • Um detalhe bastaria para provar que Hermes não tinha nenhuma necessidade de Apolo para ser perito na arte divinatória: na Acaia, em Faras, onde seu culto era tão arcaico e vigoroso, Hermes possuía um oráculo muito antigo.
  • O funcionamento desse oráculo era o seguinte: o consulente fazia sua pergunta diretamente à pedra em que o deus se encarnava, depois tapava os ouvidos e se afastava.
  • Chegando a alguma distância, o consulente abaixava as mãos, e as primeiras palavras que ouvia continham a resposta desejada – bastava interpretá-las.
  • Os gregos chamavam isso de clédon (palavra) e os latinos de omen: uma exclamação ou frase era desviada de seu sentido e inserida, pelo ouvinte, num complexo mental totalmente ignorado por quem a pronunciava.
  • Por um reverso dinâmico insuspeitado, a palavra se integrava no sagrado; esse gênero de adivinhação, de extrema sutileza, pertencia principalmente a Hermes (Hermes Cledônio).
  • É Hermes (isto é, o mundo transcendente – suporte, essência e síntese unificadora dos seres físicos, o mundo a que a iniciação dava acesso) que provocava a emissão da palavra cledonística e infundia sua significação profunda no espírito do ouvinte.
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