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DEUSES E DEMÔNIOS

GORDON, P. L’image du monde dans l’Antiquité. Paris: Éd. Arma artis, 2005.

O polidemonismo, o politeísmo e a sua origem no sacerdócio neolítico

  • O polidemonismo e o politeísmo não representam um estágio primitivo da religião humana, mas sim o resultado de uma degradação, um triunfo do mecanismo sobre o dinamismo e da concrescência sobre a unidade da energia radiante.
    • O polidemonismo e o politeísmo marcam a aplicação, no domínio religioso, do princípio da degradação da energia que rege o universo do homem como monstro cósmico.
    • O sacerdócio neolítico esteve na origem do politeísmo e do polidemonismo ao sacralizar a natureza e ao aparecer ele mesmo como sacrossanto.
    • A santidade e o prestígio do sacerdócio neolítico situam-se no ponto de partida da degradação politeísta.
    • Os cismas que minaram o sacerdócio e a impossibilidade de manter a unidade da língua sagrada impediram que a humanidade fosse poupada da decadência politeísta.
    • O recuo da influência do sacerdócio neolítico impediu-o de tornar inofensiva a dualidade introduzida no domínio religioso pela Mãe Divina.
    • Quando a seiva espiritual deixou de circular plenamente e os correntes místicas se enfraqueceram, o processo fetichista começou a predominar, levando à esclerose do sagrado.
    • O politeísmo e o polidemonismo, com suas baixas latrias, são apenas o artritismo do sagrado, e crer que a religião humana começou por eles é inverter a evolução.
    • A fonte e o princípio que domina tudo, tanto a história da humanidade quanto a do cosmos, é a unidade dinâmica da energia radiante.
    • As grandes religiões da Índia nunca perderam de vista que o super-homem, repositório e fonte do sagrado, é por essência uno, apesar de não terem conseguido absorver o politeísmo.

Identidade primeira dos deuses e dos demônios.

  • Deus e demônios possuem uma identidade originária, sendo sua diferenciação um processo muito lento que variou conforme os povos.
    • Os demônios foram, sobretudo, os personagens sagrados tormentadores que submetiam os neófitos a provas (como os gigantes e ogros).
    • Os demônios também eram aqueles que conduziam os noviços ao mundo subterrâneo para ali morrerem ou que os “digeriam” quando ali estavam reclusos.
    • Esses personagens sagrados frequentemente estavam revestidos de peles de animais santificantes (posteriormente evoluídas para máscaras), o que os tornava personalidades híbridas assimiladas a animais.
    • Os demônios passaram a se comportar como bestas e a adotar sua linguagem, semeando pavor entre os não iniciados.
    • O cortejo ruidoso do Grande Caçador (a Mesnie Herlequin dos medievais), com latidos, miados, berros, uivos, grunhidos e rugidos, aterrorizava aqueles que as criaturas vinham buscar em casa para conduzir ao mundo subterrâneo.
    • Essas personalidades divinas de outrora tornaram-se, com o tempo, Espíritos, Fantasmas, Mortos-saídos-do-túmulo, Ancestrais ou Demônios, todas provenientes da mesma fonte ritual.
    • As numerosas espécies de demônios da antiga Caldeia ou da Índia tiveram existência autêntica e papel preciso nos usos sagrados ligados aos ritos iniciáticos.
  • Os deuses principais modelaram-se sobre a Ilha Santa e a Montanha, sobre o ritual de criação e sobre os personagens dirigentes das iniciações.
    • A Mãe Divina, proveniente do modelagem espiritual do matriarcado pela teocracia, completa a lista dos grandes deuses dos panteões antigos.
    • Essa elite divina não resultou de um processo lento de seleção sobre uma multidão de divindades inferiores, como admitem as teorias correntes.
    • A elite divina afirmou-se desde o início do politeísmo e do polidemonismo como a simples transposição, em linguagem degradada, das visões primordiais da teocracia sobre a organização terrestre do sagrado.
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