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esoterismo:baader:intuicao-conhecimento

VISÃO CRISTÃ DO MUNDO

FRIESEN, J. Glenn. Neo-Calvinism and Christian theosophy: Franz von Baader, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd. Calgary: Aevum Books, 2015.

  • O ser humano, como Deus, possui três modos de relacionar-se com sua natureza e com as coisas em outras regiões do tempo.
  • O viver-através (Durchwohnung) ocorre quando se penetra da região supratemporal para a temporal, experimentando os seres temporais de modo meramente sensorial e usando-os como objetos ou instrumentos, em um conhecimento puramente periférico, mecânico e exterior que depende do uso da força.
    • Referência: WERKE 1, 284.
    • Trata-se de um conhecimento que não relaciona os seres temporais ao Centro.
  • O habitar-dentro (Inwohnung) ocorre quando, por um ato da vontade, se entra na região temporal para reintegrar os seres dessa região em uma região superior do tempo, em uma relação de amor que constitui uma kenosis análoga à encarnação de Cristo.
    • É um modo interior de conhecimento, que relaciona os seres ao Centro, e também dinâmico e orgânico, alternando repouso e movimento, Centro e periferia.
    • É um modo recíproco de conhecimento, ao contrário do viver-através, que é unilateral: WERKE 1, 283.
    • O agente superior toma forma no interior do inferior e dá forma aos seres que lá estão, em uma in-form-ação: WERKE 1, 44-45; 2, 20.
    • O habitar-dentro pressupõe um habitar-junto anterior: WERKE 9, 177fn.
  • O habitar-junto (Beiwohnen) ocorre quando, na imaginação intuitiva, se veem as coisas em sua verdadeira relação com o Centro e se antecipa seu ser verdadeiro, exigindo que a imaginação da forma ou figura de uma coisa preceda a entrada na realidade inferior.
    • A intuição que torna isso possível provém da ipseidade central do ser humano.
    • O Beiwohnen se aplica também à relação com outros seres humanos, que não devem ser tratados como objetos de modo mecânico.
    • A relação com outros humanos é orgânica, de membros à cabeça, de periferia ao Centro, pois todos estão coordenados na mesma região e subordinados a um Centro em uma região superior.
  • Ao contrário da intuição meramente sensorial de Kant, Baader enfatiza um ver interior não mediado pelos sentidos externos, afirmando, em convergência com Malebranche, que tudo deve ser visto em Deus pelo olho divino que pode ser reaberto.
    • A abertura do olho celestial abre também a intuição interior.
    • Kant, ao limitar a experiência à intuição sensorial, torna impossível a experiência de Deus, da liberdade e da imortalidade.
    • Se a imortalidade implica uma transição para uma vida sensorial diferente, ela pode ser experimentada já nesta vida.
    • A intuição interior consiste em ver a revelação de Deus e intuir o que existe: Anschauen dessen, was da ist, WERKE 11: 151, 381.
  • A ideia baaderiana de intuição como Anschauen central influenciou Dooyeweerd, que concordou com Baader no ponto de que todo conhecimento depende tanto de uma percepção empírica periférica (Empfindung) quanto de uma intuição central (Anschauung), sendo a cognição a coincidência de ambas.
    • Todo conhecimento busca o periférico correspondente para a intuição central, e vice-versa: WERKE 14, 73.
    • Tanto materialistas quanto espiritualistas erram ao separar interior e exterior.
    • Os espiritualistas pensam equivocadamente que o mundo exterior desaparece na experiência mística; na verdade, ele é libertado de sua pretensa independência.
    • Os materialistas creem erroneamente que toda intuição e percepção é do mundo exterior e que esse mundo existe em si mesmo: WERKE 8, 349ff.
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