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CONTRA-GÊNESE
BOUTANG, Pierre. William Blake, manichéen et visionnaire. Paris: La Différence, 1990
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A ignorância contemporânea acerca de conceitos fundamentais como a Gênese aprofunda o espessamento do mundo moderno em detrimento da compreensão do destino humano, conforme a observação de Michel Chrestien sobre o declínio do conhecimento metafísico perante a vulgarização científica.
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Milhões de homens desconhecem o significado e a função do conceito de Gênese na figuração de seus destinos.
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A difusão de termos como bang inicial ou buracos negros substitui a profundidade teológica por uma superficialidade materialista.
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Michel Chrestien identifica o progresso da ignorância como a única evolução real da modernidade.
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O livro do Gênese constitui uma barreira intransponível para a compreensão comum, fato que despertaria o júbilo do maniqueísta William Blake em virtude de sua aversão profunda ao Antigo Testamento e à história dos judeus.
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O horror de William Blake pelas escrituras vetero-testamentárias é uma característica central de sua posição doutrinária.
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A rejeição ao texto sagrado estende-se à própria linhagem histórica mencionada na tradição bíblica.
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O dogma fundamental de William Blake nega a criação ex nihilo do mundo e do homem em favor de uma gênese puramente imaginária, resultando na exclusão absoluta da figura do Pai em alinhamento com os posicionamentos heréticos de Faustus, Félix e Adimante citados por Augustin.
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A aceitação de uma criação externa é interpretada como um insulto à dignidade do ser humano.
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O conceito de ser possui validade ontológica apenas quando aplicado ao homem, conforme as discussões de Rousseau e Bonald sobre o vocábulo est.
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Barruel associa a centralidade humana absoluta aos meios maniqueístas e maçônicos de sua convivência.
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O ateísmo de William Blake fundamenta-se na regeneração incessante do homem universal em oposição aos dogmas da Trindade e da maternidade de Maria.
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O poema Nobodaddy ridiculariza a figura do Pai como uma entidade invisível, silenciosa e ciumenta.
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A entidade Nobodaddy é identificada como um não-ser que coincide com o demônio Urizen e com o Satã criador do Antigo Testamento, operando sob uma racionalidade pura que rejeita o coração e a sexualidade.
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William Blake projeta sua própria misoginia e agressividade contra a vontade feminina em suas obras visuais.
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Ellis e Yeats observam que os heróis das gravuras de William Blake funcionam como projeções do próprio autor no exercício de punições corporais.
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Urizen emana imaginariamente do homem universal como uma representação da razão impiedosa.
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A subversão mítica estabelece a coincidência entre a figura de Cristo e a serpente das escrituras.
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O poema de Urizen descreve a ascensão de uma sombra de horror desconhecida e estéril que divide o tempo e o espaço em um vazio abominável através de uma ação silenciosa e solitária.
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A divindade racionalista oculta-se em pensamentos secretos e gera montanhas desoladas em meio a tormentas negras.
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A atividade de Urizen consiste na contemplação de si mesmo e na execução de trabalhos monumentais e invisíveis.
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Os Eternos testemunham a petrificação do caos e a formação de florestas imensas por essa potência cernada de abismos.
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A mitologia maniqueísta de William Blake utiliza a ideia da criação como um erro e uma ilusão para promover a humilhação do Pai eterno por meio de seus demônios originais.
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O texto de Urizen representa uma transição estética entre as músicas da infância e as estruturas complexas de Vala e Jerusalém.
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A narrativa poética serve para consolidar a transposição de conceitos teológicos para o plano da parateologia mítica.
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A negação da paternidade divina aproxima William Blake da profecia da Epístola a Timóteo sobre os demônios da errância, resultando na criação de uma simulação do ato criador no segundo livro de Milton.
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Os seres são definidos como instâncias e combinações de indivíduos, não como singularidades isoladas.
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Satã e o espectro de Albion são responsabilizados pela destruição da forma humano-divina original.
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A divina Humanidade e a Piedade conferem a forma humana às instâncias como uma resposta à simulação satânica.
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A queda na teologia de William Blake não se refere ao Éden bíblico, mas à perda da imaginação divina que mergulha Albion no sono da morte sob o domínio da racionalidade endurecida de Urizen.
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O termo instâncias designa os produtos da imaginação do homem universal e eterno.
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Los atua como o demiurgo privilegiado e quase plenamente divino encarregado de despertar Albion.
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A ilusão de uma criação externa é o mecanismo que conduz o homem ao sono eterno e à morte.
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A regeneração do homem universal por meio de Los exige a articulação dos dogmas das instâncias e da guerra intelectual, cujos combates possuem caráter abstrato e conceitual semelhantes à estrutura da Divine Comédie.
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As guerras mitológicas de William Blake são analogias espirituais e divisões de conceitos.
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A hierarquia das instâncias assemelha-se à angelologia católica onde cada entidade constitui sua própria espécie.
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Swedenborg é evocado para ilustrar a conjunção espiritual de entidades ideais em oposição à singularidade empírica.
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As emanações nos mitos de William Blake possuem parentesco com os anjos da guarda católicos, enquanto Los se apresenta como um salvador operário que atua nas fornalhas estelares para reanimar Albion e integrar os quatro Zoas.
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Os Zoas representam a transposição das faculdades da alma: Urizen para a razão, Luvah para o desejo e Tharmas para a sexualidade.
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Los não é uma emanação, mas uma projeção ou fidelidade imaginária do homem universal no processo de regeneração.
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O título tardio Os Quatro Zoas substitui a denominação original da obra Vala.
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A função de Los consiste em assegurar a existência total na regeneração através do domínio da linguagem e da reconstrução do homem universal, opondo-se ao Deus da Gênese por meio de uma ação mais despótica e primordial.
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A maestria do idioma é subordinada à necessidade da guerra contra os deuses que mantêm Albion adormecido.
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Los institui fonemas rudes para a recriação de Albion em um estágio ontológico anterior ao Éden.
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O poema Jerusalém define a queda como a submissão a um mundo inferior de vingança e lei moral.
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Los atua como um demiurgo substituto que se contrapõe ao criador racional nobodaddy, o qual é associado a figuras da racionalidade científica como Locke e Newton.
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O poema Milton critica o raciocinador que despreza o homem da imaginação e recorre ao assassinato e à calúnia.
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A figura do Pai eterno é reduzida a uma criatura limitada pelas regras da razão pura e da mediocridade intelectual.
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O diálogo entre um dos sete anjos e Milton estabelece que os indivíduos são compostos por instâncias mutáveis criadas na liberdade ou na tirania de Satã, permitindo o triunfo sobre a morte por meio da aniquilação eterna.
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Os anjos da presença divina e os druidas de Annandale foram compelidos por Satã a tomar forma material.
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A santidade matemática de Satã é rejeitada como um blasfêmia contra as qualidades próprias da humanidade.
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Satã e Adão são definidos como instâncias situadas dentro das vinte e sete igrejas.
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Os viventes triunfam sobre o inferno e o túmulo ao ingressarem no estado de aniquilamento criativo.
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As instâncias definem-se por uma carência de essência ontológica, apresentando-se apenas sob a forma da aparência na economia do imaginário poético.
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O estatuto das instâncias é puramente fenomenal e dependente da visão.
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A aparência substitui o ser na configuração do universo mítico e teológico.
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A situação ontológica de Los é marcada por sua natureza composta e pela capacidade de transmutar-se em outras instâncias como Luvah ou manifestar-se como Urthona no plano terrestre.
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Los usurpa o lugar de Cristo sem possuir a dualidade cristã tradicional de alma e corpo.
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A estrutura de Los inclui prolongamentos como emanação, sombra e espectro que geram complexidades superiores às do dogma das duas naturezas.
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