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ETERNIDADE EM PLOTINO

Jorge Luis Borges — HISTÓRIA DA ETERNIDADE. Tradução em português de Carmen Cirne Lima

  • A investigação da natureza do tempo exige o conhecimento prévio da eternidade como seu arquétipo, conceito definido no Timeu de Platão como uma imagem móvel e discutido nas Enéadas de Plotino como o modelo necessário para a compreensão do fluxo temporal.
    • A tese de que a eternidade constitui o fundamento e o modelo indispensável para qualquer definição acerca do tempo.
    • O contraste entre a vitalidade do problema temporal para a metafísica e a percepção da eternidade como um jogo ou esperança exaurida.
    • A caracterização da eternidade como uma imagem feita de substância de tempo e enriquecida pelas discórdias humanas ao longo da história.
  • O mistério metafísico do tempo precede a construção humana da eternidade e manifesta-se inicialmente na incerteza sobre sua direção, coexistindo a crença no fluxo para o futuro com a perspectiva de Miguel de Unamuno sobre um rio que emana de um amanhã eterno.
    • A inversão do método de Plotino como estratégia para abordar as obscuridades inerentes à natureza temporal.
    • A possibilidade lógica de o tempo fluir do futuro para o passado em oposição à crença comum.
    • A afinidade entre a ideia de Unamuno e a noção escolástica da fluência do potencial no atual mencionada nas observações de Whitehead sobre os objetos eternos.
  • A verossimilhança das direções temporais permanece inverificável, levando Bradley a propor a redução do atual à agonia do presente que se desintegra no passado, enquanto certas escolas da Índia negam a própria existência do presente por considerá-lo um instante inapreensível.
    • A negação das direções convencionais do tempo por Bradley em favor de uma regressão temporal associada a estados de declínio.
    • A tese indiana que considera a percepção do agora impossível, restando apenas o estado iminente ou o ocorrido.
    • O exemplo da queda da laranja como demonstração da invisibilidade do momento presente para os sentidos.
  • O tempo apresenta complexidades na sincronização entre a percepção mental individual e a métrica matemática, além de enfrentar os paradoxos dos eleatas que buscam refutar o movimento através da divisibilidade infinita, argumento rebatido por Russell.
    • O desafio de compartilhar um processo mental entre diferentes indivíduos dentro de um tempo geral.
    • A impossibilidade do transcurso de prazos finitos segundo a lógica da subdivisão infinita defendida pelos eleatas.
    • A afirmação de Russell sobre a realidade dos números infinitos como uma antecipação da definição de eternidade que recusa a enumeração de partes.
  • A eternidade planejada por pensadores como Irineu de Lião e Platão consiste na simultaneidade mágica dos tempos sob uma Inteligência Divina que abarca o passado e o futuro em um presente absoluto e imutável.
    • A rejeição da eternidade como uma mera agregação mecânica ou sucessiva de períodos temporais.
    • A visão de um mundo onde todas as coisas persistem quietas e em plena felicidade de sua condição.
    • O papel da Inteligência Divina como o centro que contém a totalidade dos eventos de uma só vez.
  • Platão resume e amplia as concepções gregas de eternidade, atuando como um ápice intelectual comparado por Deussen a um ocaso apaixonado que precede a sistematização da eternidade cristã por Irineu em torno da figura das três pessoas divinas.
    • A relação de Platão com os antigos e sagrados filósofos que estabeleceram as bases para a compreensão do eterno.
    • A convergência de diversas visões gregas nos livros platônicos de forma tragicamente adornada.
    • A sucessão histórica que leva da luz platônica à ordenação da segunda eternidade por Irineu.
  • O universo inteligível descrito por Plotino é um domínio de transparência absoluta onde cada elemento contém a totalidade, servindo como modelo para a verdadeira eternidade identificada com a plenitude de Cronos.
    • A descrição de um mundo não gerado onde a luz encontra a luz e nada é opaco ou impenetrável.
    • A exortação à contemplação da Realidade primordial da qual o mundo sensível, com seus deuses e animais, é apenas uma cópia.
    • A imutabilidade da felicidade na plenitude de Cronos em oposição ao tempo que cobiça o futuro e deserta do passado.
  • O universo ideal de Plotino privilegia a plenitude em relação à variedade, constituindo-se como um repertório seleto de arquétipos platônicos que formam um sistema imóvel e rigorosamente classificado.
    • A intolerância do mundo ideal à repetição e ao pleonasmo em favor de uma estrutura arquetípica.
    • A caracterização do sistema de ideias como um museu quieto e monstruoso de formas universais.
  • A realidade fundamental reside na forma ou espécie, sendo a matéria apenas uma passividade irreal comparada por Plotino e Pedro Malón de Chaide a um espelho ou cera que recebe impressões sem possuir substância própria.
    • A definição da matéria como um fantasma ou oca passividade que não possui capacidade de cessar por não ter ser.
    • A analogia do sinete de ouro de Pedro Malón de Chaide para distinguir o valor das perfeições divinas e das criaturas.
    • A conclusão de que os indivíduos são irreais diante da soberania das formas universais.
  • A existência de indivíduos e objetos decorre da participação em espécies permanentes, conforme ilustrado pela análise de Schopenhauer sobre a identidade animal, pelas referências de Keats e Stevenson ao rouxinol e pela preservação das espécies defendida por Abubequer Abentofail.
    • A independência da essência inteligível em relação aos componentes nitrogenados ou minerais citados no exemplo de Miriam Hopkins.
    • O conceito de leonidade como uma figura imperecível mantida pela reposição infinita de indivíduos leões no tempo.
    • A reflexão de Schopenhauer sobre a permanência do eu através da sucessão de seres e a menção ao rouxinol de Rute nos trigais de Belém.
    • A preocupação de Abubequer Abentofail em evitar o empobrecimento do universo pela perda de qualquer espécie.
  • O sistema platônico estabelece arquétipos para objetos concretos e abstrações complexas, como a triangularidade e a ordem, culminando na eternidade como a forma suprema que o tempo tenta imitar.
    • A necessidade de uma mesa ideal para justificar a existência de mesas concretas produzidas pelos marceneiros.
    • A eminência de polígonos como a triangularidade que não se degradam em formas espaciais específicas.
    • A catalogação de conceitos como necessidade, posição e desordem como formas elevadas que organizam a realidade.
  • As críticas ao platonismo enfocam a mistura de termos genéricos e abstratos, embora a primazia do tipo sobre o indivíduo seja validada pela intensidade de conceitos como o pampa ou pelas paixões descritas em narrativas de Badrbasim, Sharimã, Ibraim e Jamila nas Mil e uma noites.
    • As anomalias das criaturas do tempo repetidas nos arquétipos, como a relação entre a leonidade e traços de soberba.
    • A observação de que o genérico pode manifestar maior intensidade do que o concreto na experiência humana.
    • O tema tradicional das Mil e uma noites em que a descrição típica de uma rainha gera paixão absoluta até a morte.
  • O inventário da eternidade de Plotino inclui virtudes, números e movimentos harmônicos, excluindo as patologias da matéria e formas individuais como a de Sócrates em favor de arquétipos primordiais como o ser e a quietude.
    • A inclusão da justiça e da música como harmonia e ritmo no mundo eterno.
    • A exclusão de artes temporais como a estratégia, a retórica e a medicina do domínio arquetípico.
    • A hierarquia ascendente que situa a diferença, a igualdade, o movimento, a quietude e o ser como os fundamentos mais antigos da eternidade.
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