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MÄRCHEN

FAIVRE, Antoine (org.). Cahiers de l’Hermétisme – Goethe. Paris: A. Michel, 1980.

  • Ao passar do plano do indivíduo ao da sociedade, Goethe mudava de linguagem, optando pelo conto simbólico para tratar veladamente o problema político resultante da Revolução Francesa, mostrando como a sociedade podia resolver a crise e como o Estado devia ser renovado, sem suscitar as tomadas de posição apaixonadas que um tratamento direto do tema inevitavelmente provocaria.
    • O conto moral colocava em relevo um conflito exemplar de valor geral, com a ficção prevalecendo sobre a historicidade, ao contrário do conto fantástico, que precisava se ancorar numa realidade circunscrita em tempo e lugar precisos.
    • Goethe queria lembrar que a moral era a base indispensável de toda vida em sociedade, sem excluir definitivamente a política, mas abordando-a de forma velada e fazendo abstração tanto da atualidade quanto das contingências históricas.
  • A estrutura do Märchen é regida pelo motivo do encantamento e do desencantamento, e Flor de Lis, saída de um conto de fadas, é vítima de um feitiço maléfico que a transforma em espécie de vampiro: seus olhos azuis roubam as forças dos seres, sua mão mata tudo o que toca, e seu parque tornou-se um cemitério onde cada arbusto retira a seiva de uma tumba sem produzir flores ou frutos.
    • Flor de Lis, que deveria animar a vida do país, vive separada de seu povo como em exílio, sofrendo desse cruel isolamento.
    • Ao contrário da Bela Adormecida, nem mesmo com a ajuda da magia um único ser seria capaz de vencer o feitiço que a atinge.
  • Goethe amplia o drama individual para transformá-lo no drama de toda uma sociedade, com todo o país acometido do mesmo mal pérfido sob o signo da estagnação e do isolamento, agravado por um rio que corta o país em dois e retarda consideravelmente as trocas.
    • O Barqueiro, instalado na margem oriental, só pode transportar viajantes em direção ao oeste, indo da margem estéril à margem onde subsiste alguma vegetação.
    • A travessia inversa só é possível duas vezes ao dia: ao meio-dia a Serpente se curva sobre a água formando ponte; à noite a sombra do Gigante serve de tapete voador para passar o rio.
  • O Rio, ao invés de ser fator de fertilidade, é a maldição do país, pois, em razão do antagonismo entre Fogo e Água familiar à tradição alquímica, tem afinidade com a Morte e a Noite, como se revela quando a Velha mergulha a mão na água e a retira enegrecida e aparentemente atrofiada.
    • O Rio destrói a aparência, enquanto Flor de Lis aniquila a essência, o ser; o Gigante, por sua vez, só tem força em sua sombra, agindo apenas quando ela se alonga.
  • Na margem ocidental vivem apenas a Serpente e um velho casal: a Velha, sensível apenas à aparência, não sente o peso das coisas mortas mas se cansa ao carregar qualquer legume fresco ou ser vivo, enquanto seu marido possui uma Lâmpada cuja luz penetrante impede que os objetos iluminados projetem sombra.
    • A Lâmpada, que tanto ennoblece e subtrai à decomposição quanto pode destruir metais se estiver só, recorda a Pedra Filosofal, mas, enquanto participa da maldição do país, não se pode confundi-las.
    • Flor de Lis e a Lâmpada partilham uma dupla complementaridade: isoladas, apenas destroem; precisam colaborar para que seus poderes positivos se manifestem e seus dons respectivos se neutralizem.
  • O Templo, que deveria ser a alma e o coração do país, permanece soterrado no fundo da terra em rochedos inacessíveis, abrigando as estátuas dos três Reis que representam as forças vivas do país.
    • O primeiro Rei, de ouro, representa a Sabedoria; o segundo, de prata, a Bela Aparência; o terceiro, de bronze, a Força — retomando a tríade maçônica da Sabedoria, da Beleza e da Força.
    • Um quarto Rei, de pé mas encostado a uma coluna, é feito dos três metais de seus irmãos, porém depositados em camadas distintas sem formar liga, sendo a imagem do reino atual e do isolamento das duas margens.
  • O Príncipe encantado não passa de uma sombra errante, despojado de coroa, cetro e glaive, conservando apenas a armadura cintilante e o manto de púrpura como vestígios de seu passado glorioso, incapaz de permanecer ao lado de Flor de Lis e de desencadear qualquer movimento de renovação.
    • Apenas o Homem da Lâmpada parece pressentir as condições do desencantamento, mas toda iniciativa é inútil enquanto a hora não tiver chegado.

COLABORAÇÃO GERAL

  • O primeiro impulso de renovação vem do exterior, do Levante, com a chegada dos Fogos-fátuos, que, por sua agilidade e instabilidade, se opõem à letargia geral e introduzem no país, mesmo de contrabando, o ouro — metal perfeito simbolizado pelo Sol na tradição alquímica.
    • O Barqueiro havia jogado o ouro numa fenda, e a Serpente, que ali dormia, o engole e conhece sua primeira metamorfose, tornando-se cintilante.
    • Ao iluminar o Templo, a Serpente desperta os Reis, que a submetem ao ritual de iniciação; as perguntas sibil­nas da Sabedoria a ajudam a compreender o que lhe aconteceu, a tomar consciência de sua própria metamorfose e, superando seu egocentrismo, a conceber o que implica uma sociedade.
    • O ouro e a Luz são apenas meios; o fim é o diálogo, ou seja, o restabelecimento do contato.
  • As repercussões da iniciação da Serpente são múltiplas: ao iluminar o Templo, ela permite ao Velho penetrar nele com a Lâmpada sem causar danos e compreender que a hora do desencantamento se aproxima.
    • O Velho se dirige ao oeste para difundir a Luz, enquanto a Serpente, recebida como companheira, vai ao leste em busca da Luz — primeira colaboração que anuncia a profunda transformação coletiva do país.
    • Essa transformação será uma Grande Obra coletiva, colocada sob o signo da morte e da renascença, ideia cara a alquimistas e maçons.
  • A introdução do ouro também provoca efeitos nefastos: a morte do vira-lata da Velha, a do canário de Flor de Lis e, por fim, a morte do Príncipe — três mortes sucessivas que, segundo o paradoxo moral proclamado pelo Homem da Lâmpada, são na realidade o anúncio da renovação.
    • A Serpente, mordendo a própria cauda, forma um círculo ao redor do cadáver do Príncipe, combinando o motivo do círculo mágico intransponível pelos demônios e o símbolo antigo do ouroboros, que significa a unidade da matéria e a perenidade.
    • Quando o sol baixa, todas as pessoas presentes devem se reunir ao redor do corpo; a Serpente, recebida como mestre, explica à Velha que, ao trabalhar pela salvação do Príncipe, ela encontraria o remédio para seus próprios sofrimentos, pois ele havia morrido por todos.
  • Ao introduzir a ideia de sacrifício no ciclo da morte e da ressurreição, Goethe sublinha que o Príncipe representa toda a comunidade, que deverá participar dessa forma sublimada de colaboração que é o sacrifício individual.
    • A ideia, de origem cristã no texto, é de inspiração republicana: durante a Campanha da França, Goethe havia sido marcado pelo espírito republicano de parte do exército revolucionário, citando o exemplo do comandante Beaurepaire, que preferiu a morte à rendição de Verdun, e o de um granadeiro que preferiu morrer a perder a honra.
    • Desde 1793, Goethe considerava que, para triunfar sobre a Revolução, era preciso opor-lhe o mesmo espírito cívico, colocando o bem comum acima dos interesses particulares.
  • Sinal de que todos trabalham em união, a Luz se propaga: o véu de Flor de Lis começa a irradiar uma suave claridade vermelha e os próprios Fogos-fátuos trazem o brilho de suas frágeis chamas; mas a reunião de todas as energias não garante ainda o sucesso, pois a obra deve ser simultaneamente fruto dos esforços comuns e da bênção dos deuses.
    • À meia-noite, uma intervenção sobrenatural se manifesta por um grande ruído, e todos falam em voz alta e inteligível sobre seus deveres, como os apóstolos no dia de Pentecostes.
    • Por essa iniciação geral, Goethe confere ao motivo republicano uma dimensão religiosa.
  • A obra de renovação se realiza em várias fases simbólicas: a travessia do Rio, impossível pelo antigo pagamento exigido pelo barqueiro, é viabilizada pelo brilho irradiado por todos os reunidos, que permite à Serpente se curvar sobre o Rio em plena noite.
    • A ressurreição, fase última de uma profunda metamorfose em que o homem deve, como uma crisálida, despir sua velha envoltura, está ligada ao sacrifício da Serpente, que aceita morrer por todos para redar vida ao Príncipe.
    • O Homem da Lâmpada ordena a Flor de Lis que forme uma cadeia magnética tocando com a mão esquerda o animal e com a direita o corpo do amado, fazendo passar a vida de um para o outro; o Príncipe se levanta imediatamente, enquanto a Serpente se transforma num rosário de pedras preciosas.
    • Flor de Lis parece ter-se curado ao exercer simultaneamente um poder benéfico e um poder maléfico; mas a Serpente só pôde transmitir ao Príncipe uma vida animal, restando ainda a renascença espiritual, que ocorrerá no Templo aberto pelos Fogos-fátuos.

RESTAURAÇÃO

  • A última parte do conto assume a feição de um mistério para conferir maior peso às ideias políticas que ilustra e vela simultaneamente, com o coroamento e as núpcias do novo rei inspirados livremente no ritual maçônico, na alquimia e na gnose.
    • A procissão só pode entrar no Templo após as três perguntas rituais dos Reis, e o cumprimento do ritual faz a profecia começar a se realizar.
    • O coroamento, que ocorre ao nascer do dia, significa a ressurreição espiritual do Príncipe e tem também significação política: os Reis de bronze, prata e ouro investem o Príncipe transmitindo-lhe a espada, o cetro e a coroa de louros, assegurando assim a tradição.
    • Dois ministros o assistirão: o Mestre da Lâmpada, como conselheiro, e o antigo Barqueiro, encarregado do bom funcionamento do Estado.
  • O quarto Rei, o único que até então permanecia de pé, desaba quando os Fogos-fátuos devoram todo o ouro que encontravam no colosso informe, significando a abolição do antigo reino.
    • Para que a reunião das três forças não seja mais simples justaposição, como simbolizava a quarta estátua, é preciso um vínculo que lhes permita resistir ao tempo: o triplo coroamento anuncia que as três forças formarão doravante uma só.
    • As núpcias do Rei e da Rainha — ou, segundo os alquimistas, do Leão e de Flor de Lis — sugerem que o Amor, coroamento natural da abdicação do egoísmo, será o garante da nova harmonia: não como uma quarta força, mas como o verdadeiro cimento da sociedade, segundo as palavras do Mestre.
  • Pela vitória da Luz sobre as Trevas, o Rio retoma suas virtudes purificadoras e regeneradoras, a Velha recupera sua bela mão e a juventude, e as pedras preciosas provenientes da Serpente se reúnem para formar a nova ponte que permite a todos circularem livremente entre as duas margens.
    • A separação das duas margens é abolida, os contrários são unidos, e o Levante volta a ser a pátria da Luz, enquanto os homens habitarão no Poente.
    • O Templo, voltado para o Oriente e abrindo suas portas ao Ocidente, irradiará sobre todo o país, e o povo virá em peregrinação buscar força e conforto; Templo e Ponte serão como o coração e as artérias do país.
    • Goethe combina ideias maçônicas com o sonho dos arquitetos da Renascença italiana, especialmente Palladio, que havia imaginado uma ponte ligando a cidade a todos os pontos da terra e cuja obra inspirou também a forma do Templo.
  • A última parte do Conte termina com a apologia da monarquia, em oposição àqueles que consideravam apenas a república capaz de garantir os direitos dos cidadãos.
    • Goethe havia protestado repetidamente contra o abandono da etiqueta que garantia o respeito devido à função suprema, responsabilizando monarcas como Frederico II, José II e Maria Antonieta por terem favorecido, ao abolir as barreiras entre grandes e plebe, o sans-culottisme que tendia a apagar as distinções e elevar a mediocridade.
    • A essa deviação, Goethe opunha a monarquia de direito divino restaurada em toda a sua esplendor, com a participação dos intermediários entre súditos e príncipe, mas também com o concurso da Providência, simbolizada por imagens bíblicas associadas à luz.
  • Goethe toma distância tanto do despotismo esclarecido renovado por Hertzberg quanto do republicanismo de Kant, que admitia o princípio da soberania popular, e mesmo do monarquismo místico de Novalis — o mais próximo dele — ao rejeitar qualquer tendência totalitária.
    • Sob influência da Revolução, Goethe havia renunciado ao individualismo político defendido por W. von Humboldt, admitindo que ninguém mais podia se isolar egoisticamente e que o espírito republicano era o único cimento capaz de preservar o patrimônio espiritual.
    • No Conte, a ideia de colaboração, despojada de sua componente política e republicana, reaparece sob a forma do amor compatível com o respeito devido ao Príncipe; participar da renovação do país não significava participar dos negócios do Estado.
  • O povo só entra em cena após a restauração para prestar homenagem ao Príncipe, e mesmo então Goethe não deixa de criticar a multidão gregária, mais movida por curiosidade primária do que por verdadeiro respeito, e incapaz de se governar sem ser guiada.
    • O Barqueiro, que não havia colaborado na Grande Obra mas apenas lançado o ouro dos Fogos-fátuos na fenda onde a Serpente o encontraria, recebe o leme do Estado — e não seus auxiliares mais ativos —, sugerindo que Goethe preferia manter o povo fora da obra de renovação para evitar transformar simples súditos em cidadãos que reclamariam direitos políticos.
    • O governo monárquico parecia a Goethe o mais adaptado à natureza humana, com valor a-temporal sublinhado pela forma utópica do Conte: Goethe não encarava o problema político numa ótica histórica, mas sub specie aeternitatis.
  • Para Goethe, a Revolução Francesa fora provocada não tanto por dificuldades políticas, sociais e econômicas, mas pela imoralidade dos Grandes que havia solapado o respeito que lhes era devido, e o remédio passava necessariamente pela renovação do Estado, ou seja, na prática, pela Restauração.
    • Originalmente não estava previsto que o Conte encerrasse os Entretiens, mas assim que Goethe esboçou o plano do Conte, abandonou a ideia de outros contos e declarou a Schiller que concluiria ali o recueil.
    • Em vez de retornar à realidade, a obra terminaria com a apoteose utópica, conferindo ao conjunto uma perspectiva infinita.

NATUREZA DO CONTO

  • Ao contrário da tradição, Goethe não situou seu Conte num distante “Era uma vez” nem precisou seu quadro geográfico, esboçando primeiro um mundo real antes de deixar o maravilhoso irromper sem choques, com fatos verossímeis e fenômenos maravilhosos coexistindo naturalmente.
    • Os personagens — humanos, animais ou seres fabulosos — convivem em igualdade de condições, todos longe de ser perfeitos, exceto o Mestre da Lâmpada.
    • A Serpente obedece ao regime alquímico, alimentando-se de orvalho com propriedade de dissolver o ouro; os Fogos-fátuos são animados como seres humanos, mas seu caráter, atitudes e gestos se inspiram estreitamente em sua natureza de pequena chama instável, sempre errante e estranha em todo lugar.
    • O conteur sugere que é preciso de tudo para fazer um mundo e que cada personagem só se tornará melhor através da evolução que conhecerá ao longo da narrativa.
  • Com humor, Goethe transpõe para o universo do Conte princípios da física, da química e das descobertas científicas recentes, fazendo com que as metamorfoses obedeçam à lei do volume constante e integrando fenômenos como a fosforescência, a eletricidade galvânica e a teoria das figuras acústicas de Chladni.
    • A cadeia magnética formada pela Serpente e o Príncipe remete às discussões sobre eletricidade suscitadas pelos trabalhos de Galvani e Volta; a atração e repulsão entre personagens que representam polos positivos ou negativos pertencem ao mesmo domínio.
    • O Conte está semeado de imagens emprestadas dos domínios mais diversos — gnose, alquimia, maçonaria, física, química —, mas essa iniciação parcial permite apenas desfazer um único nó, sugerindo mais uma vez que sozinho o homem nada pode e que precisa se associar a muitos outros.
  • Para despistar os incuráveis amadores de enigmas, Goethe acumulou notações aparentemente reveladoras — o Rei pesado e gago, os Fogos-fátuos que lembram emigrados franceses, o rio que evoca o Reno após o tratado de Basileia, o Gigante que sugere a Revolução — mas cuidou de adicionar traços que não se encaixam nessas interpretações históricas.
    • Os Fogos-fátuos não vêm do oeste, dirigem-se a ele, e são os únicos capazes de abrir as portas do Templo — detalhe que só se esclarece quando se os vê primariamente como portadores de tocha vindos do Levante.
    • Não há uma única explicação, mas várias, todas igualmente válidas ou inválidas, e o próprio narrador multiplica as notas gratuitas para lembrar ao leitor que a pista histórica é sempre insuficiente.
  • O humor não resulta apenas da sucessão de cenas contrastantes, mas impregna o Conte inteiro, manifestando-se no jogo de metáforas ambivalentes, na fusão de elementos díspares e na mistura de burlesco com trágico ou sublime.
    • A morte do Príncipe é provocada por uma cena cômica na corte; no próprio Templo, os Fogos-fátuos fazem reverências engraçadas, o quarto Rei desaba burlescamente, as mulheres se agitam por serem excluídas, a água se infiltra no Templo durante a travessia submersa e uma cabana cai no meio do santuário.
    • O humor confere ao relato a leveza que permite abordar o problema mais grave e o episódio mais trágico sem cair no patético, sendo o garante do espírito clássico.
  • Por meio do narrador, Goethe trava ao longo dos Entretiens e sobretudo do Conte um diálogo socrático com o leitor, escolhendo o gênero mais intemporal e a linguagem esotérica para se elevar acima das paixões partidárias e tornar possível um diálogo que a febre política havia impossibilitado.
    • Goethe não tinha nada a ocultar, mas precisava interpor uma tela entre a realidade contemporânea e a ficção para arrancar os leitores de suas querelas políticas — lição que preferiu confiar ao conto, capaz de opor à situação presente um futuro feliz e apresentar como real um quadro ideal e utópico.
    • Ao mistificar os leitores, não pretendia extraviá-los nem barrar-lhes o acesso ao mistério, mas fazê-los compreender, pelo exemplo dos personagens do Conte, que sua atitude só podia conduzi-los a um beco sem saída.
  • O Conte está longe de ser tão hermético quanto parece à primeira vista: nada é alegórico nem tem significação imutável, mas o encadeamento da ação, a evolução dos personagens e o contraste entre sombra e luz indicam claramente o sentido do pequeno mistério.
    • O detalhe parece frequentemente esotérico, enquanto a ideia que estrutura o conjunto é exotérica: ao longo de todo o relato, por imagens, episódios e máximas, o poeta retorna à ideia central de que cada um deve cumprir sua missão e fazer seu dever para que os sofrimentos individuais cedam lugar à felicidade geral.
    • Goethe não queria comentar os eventos nem dizer veladamente o que pensava da Revolução, mas apenas mostrar o caminho àqueles dispostos a ouvi-lo e fornecer-lhes uma chave para regenerar a sociedade e o Estado.
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