Macrocosmo e Microcosmo
TANNER, André. Gnostiques de la Révolution. Paris: Engloff, 1946
A antiga ideia de que o homem é um pequeno universo é o princípio em que se baseia a ciência dos astros, que mal se ousa ainda chamar de astrologia, tanto que a palavra serviu de bandeira para operações duvidosas. Notemos que, numa época em que a astrologia estava em plena decadência e sem a praticar ele próprio, Fabre chegou, por uma via puramente filosófica, a conclusões que estão de acordo tanto com São Tomás de Aquino como com a ciência contemporânea. Pois, sobre este ponto, uma clarificação, uma «integração» começou há algumas décadas. E podemos ver, por meio desse exemplo, a atitude que devemos adotar em relação a uma verdade oculta. Nenhuma deve ser aceita com base na fé de qualquer autoridade. Todas devem ser avaliadas pela razão sã, livre de preconceitos, e submetidas, se necessário, à prova prática. Assim, aplicou-se à verificação da antiga tradição astrológica os métodos científicos contemporâneos. Dezenas de milhares de observações foram feitas e controladas de acordo com as regras da estatística e do cálculo de probabilidades. O resultado não deixa dúvidas: o pensamento de um Pitágoras, de um São Tomás, de um Kepler e de um Fabre encontrou nela sua confirmação irrefutável. Trata-se, de fato, de uma concordância, nunca de uma determinação absoluta. O conhecimento do fatal é uma condição para a conquista da liberdade. O fato está aí. Pouco importa que algumas mentes ainda joguem a cabeça na areia. Um filósofo que, quase 150 anos depois de Fabre d'Olivet, ainda se atreva a tratar da liberdade e do destino sem levar em conta o fator astrológico, deve ser impiedosamente acusado de frivolidade.
