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SENTIDO PRIMEIRO DA PALAVRA HERMES
GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermès. Paris: Arma Artis, 1984.
- O vocábulo hermès compartilha a mesma origem do termo semítico hrm, designando primitivamente o que era sagrado, reservado ou colocado à parte.
- A raiz linguística hrm manifesta-se em topônimos sacrosantos como o monte Hermon e o Carmel (Hrm-el), indicando a rocha-Deus como receptáculo do mana superior.
- O radical herm estende-se por formas asianicas, egéias e pela Europa central, onde divindades como Hermen ou Irmin e os pilares Irminsul equivalem aos hermai helênicos.
- A ascendência iniciática a partir da pedra reflete-se em nomes de tribos como Hermiones e Hermundures, bem como em figuras femininas gregas como Hermione e Harmonia.
- A conexão linguística estende-se possivelmente ao nome indo-europeu do ormo, árvore considerada pilar do céu e árvore-Deus por povos antigos.
- A difusão desse tema antigo por uma segunda teocracia visava identificar seres e objetos que serviam de receptáculo ao sagrado ritualístico.
- A forma do dual (HRMN) presente em Herma, Hermon e Harmonia sugere ser a estrutura linguística mais arcaica desses termos.
- A onipotência das pedras sagradas, exemplificada pelas pedras quadradas Ergatai de Megalópolis, evoluiu frequentemente para a personificação de divindades autônomas no panteão grego.
- Antigos monólitos neolíticos diferenciaram-se em entidades como as Charites de Orchomène, diversas formas de Zeus, Athena Ergané e o Eros de Thespies.
- A assimilação dessas pedras a personalidades divinas de primeiro escalão demonstra a plenitude de energia divina originalmente nelas depositada.
- Esse processo de particularização em entidades separadas é interpretado como um fenômeno de degenerescência por politeização.
- Certas pedras, como a de Delfos ou as de Panopeus e Tebas, preservaram melhor seu caráter original de receptáculos de mana sem se tornarem deuses específicos.
- A reverência a essas pedras brutas como menires e betilos manifesta a permanência de sua sobre-eminência e ligação com costumes neolíticos.
- A percepção da transcendência nos hermai neolíticos estava intrinsecamente ligada ao simbolismo da união sexual e à restauração da indivisão primordial.
- A dificuldade em compreender a visão dos antigos diante de pedras brutas é superada ao se considerar o papel central das cerimônias sexuais e da hierogamia.
- O sagrado contido na pedra era visualizado como a fusão total de dois seres, representando o super-homem neolítico na imagem de um abraço transcendente entre o masculino e o feminino.
- Essa representação essencial do sagrado manifestava-se como a penetração do phallos no kteis, conceito análogo ao linga e yoni na Índia ou ao yab-yum no Tibete.
- No México asteca, o Deus suprêmio Ometecuhtli (Deus dois) sintetizava essa dualidade através de características masculinas e femininas em sua iconografia.
- As tradições iniciáticas explicam que a cisão sexual e a fragmentação do cosmos resultaram da queda do super-homem primordial que tentou apropriar-se do ser.
- No estado de indivisão primordial, a multiplicidade de seres possuía um único ser em comum através do dom total e do amor sem reserva.
- A tentativa de apropriação do ser provocou a transição para um nível inferior de conhecimento, onde os seres aparecem como entidades isoladas e separadas.
- A diferenciação sexual é uma faceta da cisão espaço-temporal geral e da transformação da energia radiante em mecanismos sobrepostos.
- A concepção do ser humano original como um super-homem andrógino ou hermafrodita é um tema universal na antiguidade e nos rituais de morte e ressurreição.
- O relato bíblico da formação da mulher a partir do homem reitera a posse comum de um mesmo ser, alinhando-se às altas concepções iniciáticas.
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