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SACRIFÍCIO DAS VACAS DE APOLO

GORDON, Pierre. Le Mythe d’Hermès. Paris: Arma Artis, 1984.

O hino a Hermes, redigido em uma data tardia (talvez apenas no VI século antes de nossa era), assinala que, entre as cinquenta vacas de Apolo, o deus imolou duas. Mas o autor não consegue explicar a quem se dirige esse sacrifício. O mais claro é que Hermes estende as peles sobre uma rocha muito seca, tão seca que, ainda agora, após tão longo intervalo de tempo, elas existem sempre, desde anos incontáveis. Haviam sido assinaladas pedras sagradas, identificadas outrora com as iniciadas, e sobre as quais se continuou durante séculos, mesmo quando os ritos iniciáticos desapareceram, a lançar as peles das vítimas que serviam anteriormente à divinização dos neófitos.

Segundo toda probabilidade, as mulheres se metamorfoseavam originalmente em vacas após o sacrifício, no momento em que revestiam a pele das vítimas; em seguida sobrevivia a hierogamia. Nos tempos posteriores, quando os usos antigos foram modificados, foram as pedras sagradas, outrora identificadas com as mulheres iniciadas, que passaram a revestir as peles sacrificiais. O texto que se possui infelizmente permanece mudo quanto às práticas longínquas, e é isso o que o torna também tão vacilante. Não se explica absolutamente, por exemplo, por que o deus imola duas vacas, e não uma, ou um número maior. Percebe-se nitidamente que elementos essenciais dos ritos antigos haviam se perdido quando foi elaborado o último cenário sagrado, transcrito com tanto brilho pelo hino que foi conservado.

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