mitologia:gordon:is:hierodulia
PROSTITUIÇÃO SAGRADA
GORDON, Pierre. L'Initiation sexuelle et l'évolution religieuse. Paris: PUF, 1946.
A PROSTITUIÇÃO SAGRADA, OU HIERODULIA
- A hierodulia — isto é, a prostituição sagrada, tanto para os rapazes quanto para as moças — constitui o quarto ponto a examinar no conjunto das instituições derivadas da iniciação sexual.
- Os hiérodulos são os escravos ou servidores sagrados; a hierodulia é o serviço sagrado
- A hierodulia deriva da estada que os adolescentes e as adolescentes faziam no recinto sagrado durante as iniciações — quando o casamento deixou de seguir imediatamente as cerimônias iniciáticas, essa estada continuou e a defloração litúrgica prolongou-se em prostituição sagrada
- Estrabão assinala que na Armênia as jovens nobres eram consagradas a Anahita na qualidade de cortesãs, nos tempos de Acileseha, e isso até o momento de seu casamento — trata-se indubitavelmente de um anel da cadeia que liga as instituições antigas e os usos mais recentes, sendo as jovens armênias de boa família precisamente aquelas que antigamente se beneficiavam das iniciações e possuíam o privilégio de se tornarem prostitutas sagradas.
- Referência: Estrabão XI, 14, 16
- Heródoto relata que o rei Quéops, para obter o dinheiro necessário à construção de sua pirâmide, prostituiu a própria filha — o que significa evidentemente que ela foi uma hierodula
- Referência: Heródoto I, 12, 6; Heródoto II, 48 — a Mendes — e 60 — a Bubaste
- É muito provável que as hierodulas se entregassem, no início, apenas a sacerdotes ou a outros homens do mesmo caráter que os personagens sagrados anteriores, sendo a transição rigorosamente insensível
- Em todos os santuários onde existia a hierodulia, o supremo favor era passar a noite na capela sacrossanta, à disposição do deus, e um hino sumério a propósito da festa do primeiro do ano — festa do akitu — em Nippur, mostra o deus Enlil e a deusa Ninlil dirigindo-se ao quarto da deusa, descrevendo em seguida de maneira realista sua união.
- Os monumentos, em particular os cilindros-selos, representam igualmente essa união sagrada
- Num cilindro encontrado em Tell-Asmar, datando de 3.000 antes de nossa era, veem-se dois personagens divinos reclinados, com o sacerdote ao lado; próximo ao leito representado de perfil, uma grande jarra — símbolo da refeição comunal nupcial — na qual estão mergulhados os canudinhos com que os antigos sumérios bebiam; sob o leito, um escorpião, encarnação da deusa Ishara, que preside à consumação do casamento e que se tornou com o tempo um aspecto de Ishtar
- Referências: G. Contenau, A Epopeia de Gilgamesh, Paris 1939, pp. 269-270, segundo S. Langdon, Hymn concerning the cohabitation of the Earth-God and the Earth-Goddess, Revue d'Assyriologie, 1922, pp. 67-77; G. Contenau loc. cit., pp. 270-272; Id., pp. 270-271
- A atmosfera é profundamente religiosa — é a essa ambiência que se deve recorrer para compreender as noções, sem nenhuma baixeza, que fizeram passar da defloração ritual à prostituição sagrada: a concepção fundamental, a saber a sacralização e a divinização da mulher em sua atividade própria, permanece a mesma de parte a parte
- Essas noções nunca foram perdidas de vista em princípio — em Assur, nas ruínas do templo de Ishtar, muito mais recente que os santuários sumérios, foram descobertas figurinhas de chumbo representando a união de dois personagens semidespidos, numa cama que é sobre um altar
- Encarando as coisas apenas de fora, não se pode atingir os sentimentos íntimos das hiérodulas — ou ao menos das mais piedosas entre elas — nessas épocas distantes, sendo muito possível que seu estado se tenha acompanhado de emoções profundamente religiosas.
- Entre numerosos místicos autênticos, como observa Fr. Heiler, todo o vocabulário é erótico — olhares de amor e palavras de amor, quarto de amor e leito de amor, prazeres de amor e dores de amor, jogos e brincadeiras, abraços, carícias e beijos; dar-se, despir-se e casar-se — e todas as imagens concretas de uma poesia amorosa individual reaparecem nas confissões e nos cânticos espirituais desses místicos
- Referência: Frédéric Heiler, A Prece, trad. francesa, 1931, pp. 363-364
- Como nos ritos sexuais primitivos, a alma é considerada, na mística amorosa sublime, como o elemento feminino, e Deus como o elemento masculino nas relações amorosas; esse dom apaixonado de si mesmo ao noivo celeste é frequentemente associado a um amor maternal muito terno pelo filho divino
- Freiras apaixonadas falam de concepção e nascimento, de carícias e de nutrir o Menino Jesus, crendo desempenhar o papel da Mãe de Deus — tais imagens se encontram mesmo em Angelus Silesius, que habitualmente não abusa das exagerações afetivas
- A mística hinduísta de Krishna e a mística dos sufis persas conhecem também essas carícias maternas dadas a um filho divino
- Segundo o sábio professor de Marburgo citado por Heiler, a mística das esponsalidades dataria, no Ocidente, de São Bernardo — o primeiro a considerar a poesia inflamada do Cântico dos Cânticos como símbolo das experiências de um misticismo afetivo; o que permaneceu ainda exegese e teoria teológica em Bernardo de Claraval tornou-se, na alma de certas freiras solitárias, uma experiência ardente e uma paixão inflamada
- Os acordes mais íntimos e mais ternos dessa mística feminina se encontram no pequeno livro de Mechthilde de Magdeburgo — Vom fliessenden Licht der Gottheit — onde tudo é amor, paixão e poesia, sem nenhuma sombra de intelectualidade, expresso não na língua teológica e eclesiástica, mas na língua materna, manejada com incomparável força poética
- Não foram apenas freiras e mulheres, mas também monges que, a partir da explicação do Cântico dos Cânticos dada por Bernardo, consideraram o Senhor divino e o Salvador como um amante e o noivo de sua alma
- Somente as personalidades cuja piedade é influenciada antes de tudo pela mística divina clássica de Agostinho — como Tomás de Aquino e Boaventura — ou pela mística do infinito do Areopagita — como Eckhardt e Tauler — se mantêm à margem desse misticismo erótico, cujos dois representantes principais são Suso e Jacopone da Todi
- O misticismo da época que se seguiu à Reforma é igualmente influenciado por esse mesmo motivo — João da Cruz e Teresa cultivam o misticismo erótico; Angelus Silesius, o frio místico do infinito, apresenta ele mesmo alguns traços desse gênero; o pietismo dos Países Baixos e da Alemanha mostra frequentemente um erotismo vivo, sendo Zinzendorf o melhor exemplo
- Plotino diz a propósito da união extática — não há mais intervalo entre o homem e o bem soberano; eles não são mais dois, mas os dois se tornam um; não se pode mais distingui-los enquanto o último está presente; os amantes e os amados imitam nesse mundo essa união quando querem se unir num único ser — Heiler, p. 365
- Os Upanishads comparam a experiência do êxtase ao amor sexual — tudo como aquele que é abraçado por uma mulher amada não tem consciência do que é interior e do que é exterior, da mesma forma o espírito abraçado pelo ser infinito não tem consciência do que é interior e do que é exterior
- A união sexual com a divindade, realizada numa alta antiguidade num complexo psicológico diferente do atual, era sem dúvida coisa inteiramente diversa do que se imagina — esquece-se que o erotismo, mesmo em nossa civilização, pode se desenvolver num sentimento mais profundo que o transfigura.
- Segundo as regras da mentalidade chamada ontológica, o sacerdote ou o personagem sagrado se identificava totalmente ao deus — a hiérodula, nos tempos do fervor neolítico, podia, devia portanto ter a impressão não de se unir a um ser humano, mas de se perder na energia divina
- A hierogamia neolítica, que se desenvolve sob a influência da civilização matriarcal, marca uma tentativa — tentativa quimérica — para transformar Deus num amante humano integral e o ser humano num amante divino completo; essa tentativa era fadada ao fracasso segundo a experiência adquirida, mas para os neolíticos essa experiência não estava adquirida — partiam de um estado mental inteiramente diferente
- A jovem iniciada que, em tempos mais antigos, se casava muito provavelmente desde a defloração ritual e o fim das cerimônias iniciáticas, chegou, por uma transição imperceptível, quando a data do casamento foi mais tardia, a permanecer no santuário na qualidade de hierodula — aguardando suas núpcias com um homem, ela era a serva e a esposa da divindade, vivendo numa atmosfera de santidade.
- Ao pronunciar as palavras prostituição sagrada, pensa-se sempre apenas no primeiro termo — foi o segundo que contava então, absorvendo o outro em seu irradiamento
- Essa prolongação da estada no recinto sagrado supunha uma organização social já complexa e um certo desenvolvimento tanto econômico quanto religioso e político — o que explica que a hierodulia só tenha se implantado nos países de civilização material mais avançada
- Nos outros países se ficou, como foi dito, na defloração pré-matrimonial por um personagem sagrado — o chefe ou o sacerdote — aguardando a evolução para o casamento por rapto, que subtraía a jovem a esse personagem estrangeiro e habilitava o marido a operar ele mesmo a defloração
A DEGRADAÇÃO DA HIERODULIA
- A hierodulia não teria podido, dada a natureza humana, se manter longamente na ambiência religiosa em que havia nascido — já a partir do terceiro milênio, vê-se Gilgamesh reprovar a Ishtar seus amantes, e Enkidu, o companheiro do herói, afrontá-la.
- Nesse domínio era inevitável que o aspecto sagrado se apagasse prontamente para não deixar aparecer senão o lado profano
- Os ritos iniciáticos que conduziram ao reforço dos sacrifícios humanos chegaram assim, por outra face de sua degradação, a criar uma barbárie religiosa talvez pior — a que faz descer a piedade das alturas do pensamento e da alegria para absorvê-la no prazer
- Compreende-se que a civilização matriarcal ou feminina, que se encontrava na base dos complexos culturais onde se desenvolveram as prostituições sagradas e que era responsável por esses desvios, tenha tido que ceder pouco a pouco lugar ao espírito da civilização pastoral
- Distinções são indispensáveis — certas hierodulas, como as que se chamavam em Babilônia salzikru, parecem ter conservado alta dignidade, sendo elas as mulheres consagradas, assim como a qadishtu — a mulher posta à parte, a santa — parece ter se mantido igualmente a um nível conveniente, sendo as duas designações aparentemente intercambiáveis.
- As hierodulas dessa categoria viviam quase sempre em comunidade e leis especiais as protegiam — nelas se reencontram em certa medida as iniciadas de uma época longínqua
- Com o harîmtu — a mulher reservada, origem da palavra harém — e sobretudo com a zer-mashitû — aquela que despreza a progenitura — desce-se em direção à baixa cortesania, puramente profana, que cortou todos os laços com a hierodulia
- Por desgraça, todas essas mulheres permaneciam igualmente sob o patrocínio de Ishtar — todas eram das Ishtar
- A deusa não portava o nome de Kilili sha apâti — Kilili das janelas — o que a assimilava às mulheres que, de sua janela, chamavam os passantes? E também o de Kilili mushirtu — Kilili que se inclina —, o de deusa do muro e da colunata?
- Referências: J. Plessis, Étude sur les textes concernant Ishtar-Astarté, Paris 1921, p. 240; C. Autran, A Mulher e a Cortesã (Phoinikes et Dravidiens, t. I), Paris 1937; S. Langdon, Mythology of all races: Semitic, Boston 1931, pp. 32-34; G. Contenau, A Epopeia de Gilgamesh, pp. 252 e seguintes
- Num artigo do Doutor Contenau no Journal Asiatique de 1914 — A Corte e a Casa de um patesi de Umma nos tempos do rei Dungi — numa distribuição de víveres figuram enumerados: os Anciãos, o burgomestre, o adivinho, o vigilante, o porteiro, o encantador de serpentes, o homem das vestes, o varredor, o cantor, a Grande Prostituída, os sacerdotes das unções, o encarregado do serviço das águas, etc. — o nome dado aqui à Grande Prostituída, sal Nu-Gig, significa a mulher bem portante
- A Vênus prospiciens de que fala Ovídio, e a Afrodite Parakyptousa — que se inclina à janela — de Chipre, mostram que essa Ishtar das encruzilhadas não era uma especialidade mesopotâmica
- Essa desnaturação generalizada dos conceitos antigos é grave e sintomática — a fecundidade não podia mais estar em causa, não se tratava mais de santificação, a união sexual desviava-se totalmente de seu fim, e continuava a identificar vis animais de prazer com a venerável deusa das iniciações, como se a imortalidade pudesse ser conquistada doravante pelo cumprimento de um ato animal.
- Insensivelmente, sem que jamais fosse possível apreender uma lacuna, havia-se deslizado para práticas que falsificavam radicalmente as noções iniciáticas, e o resíduo a que se chegara conservava o nome das luminosas formas originais
- O mais singular é que numerosos sábios e etnólogos expõem, em tom doutoral, que esses acasalamentos com Ishtar estéreis constituíam por essência ritos mágicos destinados a estimular a fecundidade do solo
A PROSTITUIÇÃO DOS MACHOS
- A prostituição sagrada masculina teve, na origem, um caráter verdadeiramente religioso — quando a idade do casamento recuou, os adolescentes permaneceram agrupados nos recintos sagrados pelo mesmo motivo que as jovens iniciadas, ainda celibatárias, sendo dispensadores da energia sagrada sob a forma sexual e continuando assim o papel que desempenhavam antigamente ao fim das cerimônias iniciáticas.
- A prostituição masculina conferiu simplesmente um caráter permanente a usos que, no início, haviam sido apenas periódicos — da mesma forma que, paralelamente, a prostituição feminina transformava em ato repetido um gesto sagrado que, na origem, permanecia único
- O nasamonismo — pelo qual todos os personagens sagrados presentes na cerimônia imitavam o exemplo do deflorador e reforçavam sua ação divinizante — instituiu-se numa época bastante remota; seu ato, simbólico talvez na origem, tornou-se rapidamente união sexual autêntica, e o rito continua ainda em certos países durante os casamentos
- Para os rapazes, os diversos personagens sagrados intervinham primeiro para ensinar-lhes os gestos da união sexual, depois para infundir neles, como nas moças, a energia sobrenatural de que eram detentores — tratava-se certamente, no início, de atos simbólicos, mas, tão logo o nível espiritual, mental e moral declinou, a sodomia foi inevitável, encontrando-se em germe desde a origem nas iniciações sexuais de adolescentes
- Os prostituídos machos, chamados a princípio de santos, foram designados em seguida, em certos países, pelo nome de cães — epíteto que indica suficientemente de que maneira se havia efetuado a degradação — e o recurso inicial à energia sobrenatural como princípio de fecundidade para a mulher havia cessado de estar em causa, tornando-se o rito insensível e artesanalmente vicioso.
- O que se disse em outras obras sobre certa prática do culto fálico de Dionísio em Alcíone permite pressentir como um contato divinizante pôde engendrar vícios contra a natureza
- A pederastia, que foi a grande chaga da antiguidade, revela-se assim, em muito larga parte e em todos os países, a consequência por degenerescência de costumes iniciativos
- Em Elêusis, o objeto sacrossanto contido no cofre sagrado era uma pedra representando o órgão genital da Mãe Divina; um dos atos principais da iniciação consistia, ao que parece, em friccionar essa pedra contra o corpo do neófito
- É Clément de Alexandria quem livrou esse segredo, que Pausânias declarava não poder trair
- Pode-se dizer, em suma, que o fundo dos Mistérios antigos era uma hierogamia, um casamento do iniciado com a divindade — e esse casamento, seguindo as concepções iniciáticas neolíticas, das quais os Mistérios eram os herdeiros diretos, tomava a forma simbólica de uma união sexual
- Elêusis fornece além disso a prova de que as concepções neolíticas eram grandiosas — seus Mistérios renovavam verdadeiramente os que deles se beneficiavam, mudavam-lhes o nível da alma e faziam-lhes sentir a existência do mundo de luz subjacente ao universo sensível, sendo a iniciação de Elêusis apenas o prolongamento da iniciação neolítica
- O relato bíblico relativo a Sodoma deixa entrever que a pederastia se havia transformado por vezes numa verdadeira instituição, a ponto de um estrangeiro que chegasse a uma cidade poder ser constrangido a se entregar aos homens — os habitantes de Sodoma se encontravam em condição de invocar, para justificar suas pretensões, costumes tradicionais apoiados por alguma divindade, assim como em Caldeia uma cortesã se abrigava atrás de Ishtar.
- O episódio bíblico de Sodoma permite discernir por contraponto por que, em diversas localidades, a jovem só devia se prostituir a um estrangeiro — este possuía um mana especial, e é com esse mana que os homens de Sodoma desejavam igualmente entrar em contato, como prescreviam sem dúvida seus costumes religiosos
- Manifesta-se que não se pode encarar nesse caso uma explosão de vício empurrando todos os machos da cidade, incluindo os garotos, a fazer uma espécie de motim para reclamar que lhes fossem abandonados os dois itinerantes de passagem — trata-se de uma instituição, um rito, que tem seguramente sua origem na desnaturação ou no desvio de antigas práticas iniciáticas
- O grave, nesse caso como no da Ishtar das encruzilhadas, não são os maus costumes em si mesmos — infelizmente de todos os tempos — mas que os maus costumes sejam elevados à altura de uma instituição religiosa e se abriguem sob o manto de ouro do sagrado, o que corrói o Estado e, pelo Estado, os indivíduos — e é nisso que consistiu a degenerescência pós-neolítica.
- Não se deve jamais parar na grosseria dos símbolos — eles são grosseiros para os modernos, mas não o eram para os antigos
- O que se deve contudo constatar é que eram de um manejo perigoso desde que se saía da atmosfera hierática e mística e, sobretudo, desde que, passando ao concreto, se os materializava em gestos humanos — é por aí que chegaram a instituições degradantes, pois eram feitos para uma sociedade de ascetas, não para um mundo de carne e sangue
- O erro que se dão os etnólogos e os pré-historiadores é tomar os casos desse gênero como característicos do homem primitivo, quando concernem uma etapa evolutiva nitidamente regressiva
- O ponto que parece ter sido determinante é o recuo da idade nupcial à medida que se afastou de um certo estágio nos diferentes ciclos culturais — foi a prolongação progressiva do celibato após a nubilidade e a iniciação que comandou as diferentes consequências mencionadas, criando na vida do indivíduo humano um período vazio que foi preenchido, na maioria das vezes, pelo desregramento dos costumes, desregramento sancionado, em virtude de uma evolução impalpável, por instituições de caráter religioso.
- Em certos perfis culturais onde a comunidade tinha interesse em manter os jovens agrupados o maior tempo possível e em recuar seu casamento até os vinte e cinco ou trinta anos — caso frequente nas tribos totêmicas dedicadas à grande caça, que exigia duros esforços e estadias prolongadas longe dos lugares habituais de residência — a moralidade tornou-se lamentável
mitologia/gordon/is/hierodulia.txt · Last modified: by 127.0.0.1
