Pallis Templo

Excerto de ensaio publicado em “The sword of gnosis” de Jacob Needleman
O Véu do Templo
-*Pallis parte desta citação do Evangelho: Véu do Santuário Rasgou
-*O véu do templo de Jerusalém marca a fronteira entre a parte principal do prédio, onde todos eram admitidos e que continha o candelabro de sete braços e o altar de sacrifício, e o Santo dos Santos, que era vazio e onde o oficiante podia entrar.
-**Para tal o sacerdote oficiante devia despir-se de suas vestimentas.
-**Vazio e nudez são indicações do sentido do Santo dos Santos, os “mistérios”, do que conhecimento que se expressa de modo apofático (vide apophasis).
-*O exotérico estava do outro lado do véu, na multiplicidade e formalidade de objetos e pessoas que aí frequentavam.
-*Todos os três evangelistas atestam que o véu partiu-se de ponta a ponta; ou seja. completa e irremediavelmente:
-**abolia-se as fronteiras entre o “religioso” e o “misterioso”, exotérico e esotérico.
-**doravante os ritos da tradição devem servir um propósito abarcante, onde um “suporte” espiritual teria seu domínio definido pelo contexto e não mais pela forma.
-*Eis a chave da espiritualidade cristã desde seu princípio.
-**No entanto, pode ser constatado que se a unicidade da revelação teve necessidade de adotar expressões diversas na marcha descendente do ciclo cósmico, cada forma tradicional de se afirmar a si mesma, especialmente nas particularidades que a distinguem.
-**A particularidade é a Encarnação que dá o tom, onde o papel do Cristo como Verbo Encarnado é da maior relevância, posto que Nele todas as funções essenciais estão sintetizadas sem distinção de níveis.
-*Necessidade do elemento esotérico em toda tradição, embora seja também necessário seu aspecto exotérico.
-*A relação mistérios-religião ou esotérico-exotérico pode ser evidenciada em diferentes tradições, e sua comparação pode ser de grande utilidade para compreensão de revelação em questão.
-*No Cristianismo o rompimento do véu presente no Judaísmo, como visto anteriormente, marca a afirmação final da Nova Aliança diante da Velha, e com ela o nascimento de uma tradição independente.
-*Se o reino do Cristo, por sua própria definição, “não é deste mundo” (o Islã confirma que Jesus foi o portador de um esoterismo — haqiqah) e se a pena por lançar pérolas aos porcos é que estes “se voltarão e o destruirão”, então uma das consequências da remoção do véu entre o Santo dos Santos e a parte mais acessível do templo (nosso simbolismo original) teve um certo ofuscamento da distinção entre os dois domínios.
-**Esta confusão se expressou na vida da igreja cristã sob duas formas:
-***minimização daquilo, em espiritualidade, que é mais interior
-***focalização excessiva da atenção nas manifestações mais exteriores e periféricas da tradição, especialmente no interesse coletivo tratado como um fim em si mesmo
-*Voltando ao simbolismo do véu, a atenção especial dos evangelistas ao fato do véu do templo ser rasgado “de cima até em baixo” mostra que este evento de grande porte foi essencial; o véu não pode ser mais inteiro…
-**O título de gnóstico não deveria ser tão pejorativo nos primórdios da igreja,
-*A revelação cristã foi assim um pôr a nu os mistérios, como inclusive alguns teólogos reconhecem. A própria liturgia é uma mistagogia.

Tradição tibetana