Tag: gnosis
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Via devocional e via gnóstica (Abellio)
(Abellio, Serant1955) Vamos precisar nosso pensamento com uma analogia. Em suas manifestações, a febre, por exemplo, é repetitiva. Aparentemente, ela também não muda a natureza do corpo que afeta. Ela cessa e o corpo volta a ser o que era, aparentemente. Na realidade, os elementos de irreversibilidade que a febre contém, como toda manifestação, permanecem…
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Capacidade da estrutura absoluta de orientar (Abellio)
(Abellio, Serant1955) Em seu livro “A Alma e a Ação”, Charles Baudouin quase toca o fundo quando distingue dois simbolismos dialeticamente ligados, um agindo no plano funcional dos verbos, outro no plano orgânico dos nomes e objetos, e é fácil constatar que um sistema simbólico de verbos não faz senão induzir essências no sentido husserliano…
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Logos de Platão (Abellio)
(Abellio, Serant1955) É na medida mesma em que a ciência contemporânea se vê incapaz, no infinitamente grande e no infinitamente pequeno, de introduzir como mediadores seus mecanismos habituais, e onde consequentemente sua linearidade esbarra em obstáculos decisivos, que os cientistas são obrigados a falar da crise das ciências e a rever sua concepção de determinismo.…
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A gnose de Newton precedera sua ciência (Abellio)
(Abellio, Serant1955) Se decompormos a célebre intuição a partir da qual Newton começou a refletir sobre a gravitação universal — “A maçã que cai na terra está para a terra assim como a terra que gravita no universo está para o universo” — notamos bem que, enquanto a ciência não tiver reduzido quantitativamente estes fatos…
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Conhecimento poético (Abellio)
(Abellio, Serant1955) Costuma-se indicar que a gnose possui seu instrumento próprio, que é o raciocínio por analogia: a interdependência universal resultaria assim de aproximações qualitativas (enquanto as da ciência são quantitativas), e a percepção das analogias, ao estabelecer correspondências entre os diferentes “níveis” da realidade, tenderia a destacar focos de sentido chamados “símbolos”, dos quais…
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Abellio: État dévotionnel et voie gnostique.
A s’en tenir à la « genèse » de la conscience occidentale, il faudrait reconstituer ici le chemin qui de Descartes à Husserl, aboutit aujourd’hui à cette intériorisation du monde que Descartes voulait séparé et se prolonge dans l’exploration concertée de la transfiguration, qui sera l’occupation décisive du nouvel âge de la connaissance. Nous ne…
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Billeter (JFBLC:25-26) – linguagem e realidade
O que ouvimos são palavras e sons. Infelizmente, as pessoas imaginam (…) que essas palavras, esses sons fazem com que elas percebam a realidade das coisas – o que é um equívoco. Mas não percebem porque, quando percebemos, não falamos e, quando falamos, não percebemos. As pessoas imaginam que a linguagem as faz compreender a…
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Nicholson Gnose
Reynold Alleyne Nicholson — Gnosis Excertos de Poetas e Místicos do Islã (trad. Fernando Valera) LA GNOSIS Los Sufíes distinguen tres órganos de comunicación espiritual: El corazón (kalb) que conoce a Dios; el espíritu (rú) que le ama; y la parte más soterrada del alma (sirr), que Le contempla. Nos adentraríamos por demasiado profundas aguas…
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Izutsu (ST) – Consciência do Absoluto como Deus Próprio
O primeiro é o estágio em que o homem se torna consciente do Absoluto como seu Deus. Se da Essência Divina fossem abstraídas todas as relações (ou seja, os Nomes e Atributos), ela não seria um Deus (ilah). Mas o que atualiza essas (possíveis) relações (que são reconhecíveis na Essência) somos nós mesmos. Nesse sentido,…
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Ibn Arabi (SP) – Da sabedoria da inspiração divina no verbo de Seth §6
in Rupert SpiraAquilo que impede alguns de demandar, é saber que Deus decidiu seu destino por toda eternidade; eles prepararam suas moradas (quer dizer suas almas) para acolher aquilo que descerá Dele, e eles dispuseram-se de seus egos e de suas existências individuais. Entre esses, há aquele que sabe que a Ciência que Deus tem dele, em…
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Ibn Arabi (SP) – Da sabedoria da inspiração divina no verbo de Seth §7
in Rupert SpiraÉ sob a mesma relação que se deve compreender a palavra divina: “(Nós os experimentaremos) até que Nós saibamos…” (Corão, XLVII, 31), (como se Deus não soubesse de antemão aquilo que farão as criaturas) o que é uma expressão rigorosamente adequada, contrariamente àquilo que pensam aqueles que não bebem desta fonte; pois a transcendência de…
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Hernández (HPMI) – Gnoseologia (Ibn Arabi)
Miguel Cruz Hernández — História do pensamento no mundo islâmico Excertos do Capítulo 39 — O Neoplatonismo místico de Ibn Arabi de Múrcia (1165-1240) El modo del conocimiento Pese a los medios indirectos por los cuales conoció Ibn Arabi el pensamiento neoplatónico, su formación filosófica es más que suficiente para poder sistematizar, dentro del cuadro…
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Chittick (SPK) – Caminho Sufi do Conhecimento
A partir do índice da primeira obra de Chittick sobre Ibn Arabi iniciamos uma tradução livre e comentada de alguns excertos. Introdução A vida e a obra de Ibn Arabi As Aberturas de Meca A hermenêutica corânica O estudo de Ibn Arabi no Ocidente O presente estudo Visão Geral A Divina Presença Mundos e Presenças…
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Blofeld (HP:4) — Huang Po IV
4. Fazer oferendas a todos os Budas do universo não é igual a fazer oferendas a um seguidor do Caminho que eliminou o pensamento conceitual. Por quê? Porque tal pessoa não forma nenhum conceito. A substância do Absoluto é interiormente como a madeira ou a pedra, na medida em que é imóvel, e exteriormente como…
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Rumi (Masnavi:II,3590-3602) – os místicos sabem
in Rumi3590. Embora isso pareça ser [mera] afirmação [de sua parte], ainda assim a alma do sonhador diz: “Sim, [é verdade]”. Portanto, como a Sabedoria é o camelo perdido do crente fiel, ele a conhece com certeza, de quem a ouviu; E quando ele se encontra absolutamente diante disso, como deve haver dúvida? Como ele deve…
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Suassuna (RPR) – da “desconhecença” para a “sabença”
Excerto de SUASSUNA, Ariano. O Romance da Pedra do Reino. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. HÁ MUITO TEMPO que eu desejava ME instruir sobre aquela profunda Filosofia clementina, para ME ajudar em meus logogrifos. Por isso, avancei: — Clemente, esse nome de “penetral” é uma beleza! É bonito, difícil, esquisito, e, só por ele,…
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Daumal (RDMA:105-121) – como pagar pelo conhecimento?
in Daumal, RenéExcerto de DAUMAL, René. O Monte Análogo. Romance de Aventuras Alpinas, Não-Euclidianas e Simbolicamente Autênticas. Tr. Gian Bruno Grosso. São Paulo: Editora Horus, 2007, p. 100-112 […] Não se vai a um país estrangeiro, para conseguir alguma coisa, sem uma certa provisão de moedas. Os exploradores, em geral, carregam consigo como moeda de troca com…
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Shayegan (DSHC) – conhecimento (ilm)
Para os pensadores islâmicos, o pensamento tem três fontes de validade correspondentes a seus respectivos níveis. A tradição (naql), da qual a teologia, em particular, obtém sua inspiração. O intelecto (‘aql), do qual a dialética filosófica, a de kalâm e falsafa, obtém sua inspiração. Finalmente, o que é conhecido como revelação (kashf) ou visão intuitiva,…
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Karl Renz (KRWH) – não conhecer a si mesmo
in Karl RenzQ (Outro visitante): O que significa não conhecer a ti mesmo? K: Não conheces o que és e o que não és – isso é não conhecer a ti mesmo porque não há conhecedor que reste. A ausência do conhecedor não conhece o que é e não é o conhecedor. Portanto não é para ti!…
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Pati Mishra (KPM2006) – alma e conhecimento
O Xivaísmo da Caxemira, a tradição filosófica de Abhinavagupta, é um sistema filosófico não dualista de tradição tântrica ou agâmica. Esse sistema defende a existência apenas da consciência. Não aceita a existência independente da matéria (jaḍa). De acordo com esse sistema, a consciência se manifesta nas várias formas de seres individuais e na matéria (jaḍa)…